Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Custódia de criptomoedas e DeFi são oportunidades para bancos, diz Don Tapscott

Don Tapscott diz que blockchain instituições têm cultura que dificulta inovação. Foto: The Tapscott Group.

Os serviços financeiros estão mudando na era digital e isso é um risco para as instituições financeiras incumbentes. Mas, se quiserem, poderão aproveitar as oportunidades que blockchain traz para o setor, disse hoje (24) Don Tapscott, chairman executivo do Blockchain Research Institute (BRI).

Dentre as oportunidades estão a custódia de chaves privadas de criptomoedas e finanças descentralizadas (DeFi). Tapscott participou do painel “Blockchain Ganha Escala e Aparece no Radar das Empresas”. Maurício Magaldi, superintendente de parcerias e novos negócio do Banco Fibra e criador do podcast BlockDrops mediou o painel.

O autor do livro “A Revolução Blockchain” lembrou que o BNY Mellon, um dos maiores bancos dos Estados Unidos (EUA), já abraçou a custódia de chaves privadas de criptomoedas. “Esses ativos vão crescer e os donos deles cada vez mais querem um banco para guardar as chaves (por segurança).”

Um outro exemplo de oportunidade é o de lançamentos de moedas criptografadas, ou ICO (initial coin offer). Os ICOs são feitos de forma direta com investidores, portanto, sem intermediação de instituições financeiras.

Isso significa algo muito diferente das ofertas iniciais de ação (IPO), por exemplo, que contam com bancos nas operações. “Os ICOs estão apenas começando”.

Tapscott lembra que bancos testam blockchain do comércio exterior

Uma outra oportunidade, que os bancos já estão testando é o financiamento de comércio exterior, acrescentou. O Bradesco, por exemplo, participa da iniciativa Marco Polo, de instituições financeiras.

Tapscott chamou a atenção ainda para as oportunidades referentes a novas bolsas de criptomoedas. A Coinbase, por exemplo, maior bolsa de criptomoedas dos EUA, ficou tão atraente que lançou ações na Nasdaq. Agora, vale mais do que as bolsas de Nova York juntas, completou. “E a Coinbase nem é a maior bolsa de criptomoedas do mundo”.

Para ele, o que pode afetar o crescimento de protocolos independentes de finanças descentralizadas em seguros, por exemplo, é que as seguradoras incumbentes atentas poderão entrar nesse mercado.

“Os serviços financeiros têm um sistema complicado”, acrescentou o autor do livro “A Revolução Blockchain”. Assim, são diversas mensagens, uma informação sendo passado numa sequência de uma pessoa para a outra. Até que depois de dias se consiga fazer a liquidação de um título, exemplificou.

Dias de execução e custo alto valem também para operações como transferências internacionais. “Por que um médico tem que esperar tanto para mandar dinheiro dos EUA para sua mãe no Brasil?”

“Claro que as instituições financeiras têm sistemas legados, bases instaladas. Isso nos mantêm em modelos antigos. Mas, o que a maioria dos bancos tem é uma cultura instalada. É difícil a liderança se mexer”, disse Tapscott.

No entanto, completou, essa liderança não precisa vir de cima. Os dirigentes podem aprender com a organização, ou seja, a liderança pode vir de qualquer ponto da empresa. Só que para isso, “é preciso criar um ambiente de inovação e experimentação”.

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