Bitfy agora é BWS para marcar foco em serviços B2B em blockchain; carteira cripto mantém nome

Lucas Schoch, fundador e CEO da Bitfy.

A empresa Bitfy, que nasceu como uma carteira multiuso de criptomoedas, agora é BWS (Blockchain Web Services). O novo nome da startup – o da carteira continua o mesmo – reflete a mudança de foco principal, que passou a ser no B2B, que já responde por 95% do negócio. “Desde 2017, sabia que carteira e corretora de criptomoedas virariam commodities”, afirmou ao Blocknews o fundador e CEO da empresa, Lucas Schoch. Assim, a investida do Banco do Brasil percebeu que podia usar a infraestrutura que criou para o B2C para fornecer soluções para empresas.

O início da transição de foco foi há cerca de um ano. “Começamos como B2C, porém, a infraestrutura toda por trás sempre foi nossa”, disse Schoch, que começou a programar aos 14 anos na empresa do pai. O fato de a própria empresa ser a cliente da sua infraestrutura, já testada e usada na carteira Bitfy que tem cerca de 250 mil usuários, é um de seus diferenciais no mercado, completou.

Assim, a startup se identifica hoje como de tecnologia, com um braço principal em B2B e outro que continua a tocar em B2C. “Somos uma empresa de soluções para dar conectividade a blockchains para utilização na Web3. Nosso produto é Blockchain As A Service (Baas)”, explicou.

Isso inclui, por exemplo, criar interfaces entre 14 blockchains, soluções para integrar APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) e simulações de uso do Drex, o real digital, na blockchain Hyperledger Besu para quem não está participando do piloto do Banco Central (BC) para a nova versão da moeda. São serviços que os clientes da BWS precisam para oferecer outros serviços e produtos como o de tokenização, carteiras digitais, negociação de ativos e rastreabilidade de títulos financeiros tokenizados.

BWS desenvolveu serviços blockchain para carteira própria

Por isso, agora, a BWS quer então focar em atender clientes como bancos e empresas. Aliás, quando o BB anunciou o investimento na startup, há um ano, disse que estava interessado nas possibilidades de uso da infraestrutura da agora BWS. O banco mais antigo do país identificou a então Bitfy como uma “startup brasileira especializada em infraestrutura para operações com blockchain e criação de aplicações utilizando a tecnologia”.

O BB disse ainda que o investimento visava otimizar aplicações e sistemas internos, com soluções para produtos financeiros como pagamentos, crédito e os não financeiros, como ativos agrícolas e carbono. Isso podendo envolver, por exemplo, tokenização e tokens não fungíveis (NFTs). Foi o primeiro aporte do fundo de capital de risco corporativo do banco e, assim, se tornou um dos primeiros clientes corporativos da BWS. Por enquanto, ambos desenvolveram soluções como pagamentos de impostos com criptomoedas, mas ainda não há projeto em produção do banco com a infraestrutura da startup, segundo Schoch.

Além de BB e Visa, a carteira da BWS inclui clientes como bancos digitais de menor porte. Aliás, Schoch afirmou que “o que mais olha é para empresas de fora do mercado financeiro”. Um exemplo de oportunidade em outros segmentos é a solução que desenvolveu com a Visa e no programa Visa for Startups. Baseada em blockchain, serve para vendas e revendas de ingressos de eventos no Brasil, ou seja, é um produto para ticketeiras. Uma das ações agora também é a parceira exclusiva que tem com a Nava, de soluções B2B para transformação digital.

Projeto no Lift Lab para agronegócio

Indo nessa linha de olhar para setores além do puramente financeiro, neste ano a BWS propôs um projeto de Token do Agronegócio Garantido (TAG) para o Laboratório de Inovações Financeiras (Lift Lab) do Banco Central e da Fenasbac, a federação dos servidores do BC. Está entre os nove projetos escolhidos, mas que aguardam a retomada do programa.

O objetivo da solução “é tokenizar ativos agro. Isso gera liquidez para que fundos possam comprar os tokens para injetar capital em agro. É uma alternativa para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite que fundos multimercados tenham até 10% de criptoativos”, diz o CEO da BWS.

Para tocar a área de B2B e B2C, a BWS criou algumas equipes específicas para cada produto, como a de desenvolvedores para o aplicativo Bitfy e a que foca na infraestrutura B2B. No total, a empresa tem em torno de 30 pessoas. Entre essas, alguns profissionais que chegaram há pouco tempo na startup. Um deles é Otávio Soares, que já trabalhava no mundo blockchain e que há três meses é Executivo Sênior de Vendas Corporativas.

Além dele, chegou neste ano Marcelo Amaral, para cuidar da área financeira e de Relações com Investidores. À parte o BB, a então Bitfy teve aportes vindos da Algorand e da Borderless, por exemplo. Agora, a BWS prepara uma nova rodada de investimentos, antecipou Schoch ao Blocknews, sem dar maiores detalhes sobre data e valores.

Além das chegadas, houve promoções. Guilherme Freitas e Paulo Martins, que estão na BWS há quatro anos, em maio passado assumiram os cargos de COO e CTO, respectivamente. “Teremos contratações fortes nos próximos meses”, também antecipou.

“Bancos vão comprar empresas de cripto”

Schoch está vendo a evolução do mercado participando dele desde quando criou a Warp Exchange, para permitir às empresas receberem pagamentos em criptomoedas. Não deu certo porque quase ninguém tinha criptos. Mas, a tecnologia que criou levou, no final, à Bitfy. Agora, uma de suas apostas é a de que vai haver um movimento de instituições financeiras tradicionais comprando as que lidam com criptoativos.

“Não tenho dúvidas de que bancos vão comprar corretoras, ‘bitfies’ e ofertas de serviços de blockchain”, exemplifica. Isso daria a essas instituições a oportunidade de usar os serviços em blockchain e de cripto quando necessário. ” O crash das fintechs é uma oportunidade de compra para os bancos. Na metade de 2022 vi esse interesse, mas há o bear market (preços em queda das criptomoedas), juros altos, ninguém precisa se expor a risco. Vai levar mais de cerca de seis meses a um ano para vermos esse movimento (de compras)”, prevê.

Ele mesmo diz que já teve propostas de empresas nacionais e internacionais para vender a Bitfy, “mas nenhuma interessou. Não é plano vender. Mas, isso pode mudar diante de uma boa proposta”, contou. A questão é que a carteira continua sendo um laboratório interessante de teste e uso da infraestrutura. Então, mesmo sendo 5% do negócio, tem seu valor.

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