Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bancos terão de se adaptar ao uso de moedas digitais em pagamentos, diz BNY Mellon

BNY Mellon considera que stablecoins podem ser usadas em pagamentos. Foto: Unsplash

Os bancos terão de se adaptar à atual evolução dos sistemas de pagamentos. Portanto, isso inclui prover gateway para operações com moedas digitais e provedores de liquidez. A conclusão é do banco BNY Mellon.

Num estudo sobre pagamentos e moedas digitais divulgado ontem (3), o banco indica que as instituições financeiras precisam se adaptar à nova. Do contrário, perderão negócios e competitividade. Com tantas iniciativas e e tecnologias emergentes, há vários caminhos, diz o BNY Mellon.

Segundo o banco, todos têm a expectativa e habilidade para mover dinheiro de forma instantânea, 24/7/365. E de fazer isso com total transparência. “Um desses caminhos são as moedas digitais”, diz o relatório.

Moedas digitais mudam o sistema

“O desenvolvimento das moedas digitais podem mudar a forma como tratamos a velocidade da liquidação, a reconciliação e o risco.” Moedas digitais significam criptomoedas, as de bancos centrais (CBDCs) ou stablecoins, explica o banco.

Dessa forma, se o modelo se mostrar bem sucedido, as moedas digitais podem até ter impacto no papel atual dos tradicionais bancos correspondentes. E também nos intermediários das transações.

De acordo com o banco, as criptomoedas são uma forma de pagamentos instável e pouco aceitável. Já, as CBDCs têm um longo caminho pela frente até que os bancos centrais comecem as emissões.

Isso quer dizer, portanto, que “as moedas estáveis (com lastro) parecem ter o potencial mais imediato de transformar e modernizar os pagamentos interbancários.”

Bancos testam token

O JP Morgan, por exemplo, já tem a sua stablecoin, a JPM Coin. E um grupo de bancos, entre eles o BNY Mellon, estuda como usariam o dinheiro tokenizado na liquidação de securities. Isso por meio da tecnologia de registro distribuído (DLT).

O projeto, chamado de Fnality, busca transformar os pagamentos no atacado, ao criar um sistema que tire intermediários do processo. Isso é algo que DLT permite com mais segurança e eficiência.

Quanto às stablecoins, o estudo diz que podem ser benéficas em três áreas importantes. Uma delas, por exemplo, está em permitir pagamentos internacionais em operações de swap cambial em tempo real, 24/7/365. Hoje, fatores como horário de fechamento dos bancos em diferentes fusos tornam isso inviável.

Uma outra área é a de liquidação de securities. Já que tendem a ser mais estáveis e confiáveis, as stablecoins estariam na ponta de pagamento do sistema entrega versus pagamento (DvP). Dessa forma, a liquidação seria mais rápida e segura e sem tantos intermediários como hoje.

Impacto no na liquidez intraday

A terceira área seria no processamento das transações internacionais. Hoje, o modelo envolve um banco correspondente e vários participantes. Ou seja, há vários custos, riscos e dias envolvidos. Com a stablecoin, o processo poderia ser P2P. Uma revolução para o sistema atual.

Além disso, haveria impacto no tempo das operações bancárias, portanto, no gerenciamento da liquidez intraday. Se a transferência for com moedas digitais, o originador não terá tanto tempo para recolher o dinheiro até a liquidação.

Também não terá tanto tempo para recolher e investir enquanto aguarda aprovação. O originador, portanto, vai ter de ter o recurso disponível no dia da operação e o beneficiário vai recebê-lo instantaneamente.

Com a evolução das moedas digitais, o setor financeiro verá a coexistência dos tokens digitais e das moedas fiduciárias (fiat) em diferentes canais. Mas também para diferentes necessidades de pagamentos, defende o BNY Mellon.

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