Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

B3 planeja ter produtos regulados e infraestrutura para criptoativos

B3 planeja produtos regulados e infraestrutura para criptoativos. Foto: M.B.M., Unsplash.

“Acompanhar e se adaptar.” Esta é a frase que a B3 usa para explicar sua adesão aos criptoativos, que prevê uma série de iniciativas. De forma geral, o plano da bolsa é lançar produtos regulados e também desenvolver serviços de infraestrutura para criptoativos não regulados. Além disso, prevê investimentos no segmento para se manter “no ecossistema de inovações”.

Tecnologia, modelos de negócio e regulação são a fórmula para esse movimento. Assim, seguirá as poucas bolsas do mundo que seguem pelo mesmo caminho, como a de Chicago (CME).

Por produtos regulados de ativos digitais entenda-se contrato futuro de criptomoeda, que a instituição já estuda, registro de derivativos de balcão e COE (Certificado de Operação Estruturada). Esse último combina investimentos de renda fixa, renda variável e acesso a esses produtos no exterior. O Itaú, por exemplo, já ofereceu um COE que incluía ações da Coinbase, maior bolsa de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA).

Na parte de infraestrutura para criptoativos, está previsto cripto as a service, custódia e Delivery versus payment (DVP), que é pagamento em tempo real (atômico). Além disso, prevê, acesso a liquidez, ganhos de eficiência de capital e tokenização de ativos. As informações estão no documento “Core Business Sólido | Expandindo Fronteiras” para o B3 Day 2021, que aconteceu na última sexta-feira (10).

B3 prevê serviços custódia de criptoativos

A B3 detalha os serviços da seguinte forma:

  • Tokenização de ativos: potencializando a distribuição e liquidez.
  • Negociação e acesso a centros de liquidez: isso significa mitigar as complexidades de acesso a um mercado fragmentado, global e 24×7
  • Custódia de ativos digitais: fornecer custódia confiável (portanto, finality das transações em blockchain),
  • Facilitação de balcão: dessa forma, quer dar mais segurança e eficiência na movimentação e no DVP de ativos digitais,
  • Ganhos de eficiência de capital: assim, quer mitigar a natureza pre-funded das operações e
  • Cripto as a service: facilitar para clientes a exploração do mercado cripto com baixo atrito.

Uma das prioridades para 2022 é a Câmara Digital de Resseguro, ou seja, a plataforma que a B3 e a resseguradora IRB Brasil anunciaram em 2020 e previam colocar em operação neste ano. Deverá ser uma plataforma integrada de escrituração e conciliação de contratos de resseguros. A rede do projeto é a Corda da R3.

E tem mais. A B3 prevê uma plataforma para emissão de dívidas conversíveis (POC). Esse projeto é com a Globacap, de soluções blockchain para o mercado acionário, e a Ribon, brasileira e que nasceu como uma plataforma para projetos de impacto social.

Bolsa prevê investimentos em parceria com R3 e Redpoit

Sobre investimentos em inovação, os parceiros são a R3 e a Redpoint eventures. Essa última investe, por exemplo, em empresas como Nubank e Netflix. Porém, a B3 já está fazendo investimentos em diferentes segmentos.

Hoje, em cripto a B3 tem 5 fundos de índices (ETFs), sendo que desses, três são da Hashdex e dois da QR Asset. Esses fundos tiveram um volume diário médio de negociação (ADTV, na sigla em inglês) de R$ 120 milhões. No documento, a B3 menciona que o volume negociado de criptomoedas no Brasil foi de R$ 9,7 bilhões em novembro passado, de acordo com a TheBlock.

No início de novembro, o CEO da B3, Gilberto Finkelsztain, criticou as bolsas de criptomoedas. Afirmou que são corretoras porque “não têm absolutamente nenhuma regulação. O custo de operação é muito mais alto e a proteção para o investidor é muito menor”, disse em entrevista ao portal Seu Dinheiro.

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