AmFi avança em crédito tokenizado e prepara plataforma de crowdfunding

Paulo David, CEO da AmFi. Foto: Água Benta Fotografia.

Há cerca de um ano, Paulo David, João Pirola, Artur Malabarba, Eduardo Tang, Rodrigo Sousa e Otávio Schwanck se juntavam para lançar a AmFi, fintech de infraestrutura de crédito baseada em blockchain e com uso de tokenização. Apesar das turbulências no varejo, a crise no mercado de venture capital e as taxas de juros elevadas no Brasil e no mundo, a empresa formada por empreendedores ex-Grafeno teve um desempenho positivo no primeiro semestre. E prepara novas ações.

A startup conecta as fintechs que atendem pequenas e médias empresas (PMEs) a investidores institucionais por meio de liquidity pools (pool de liquidez). Esses usam como garantia ativos tradicionais, como por exemplo recebíveis de cartões e duplicatas. A AmFi foi uma das startups que a Fenasbac e o Banco Central escolherem para o programa de inovação Lift Lab, na edição de 2022.

Com esse negócio, a AmFi apurou crescimento mensal 41% de janeiro a junho. Embora não abra os números, a estimativa da companhia é faturar R$ 1 milhão até dezembro, segundo entrevista de Paulo David, cofundador e CEO da AmFi,ao Finsiders, site parceiro do Blocknews.

Nos primeiros seis meses de 2023, a AmFi colocou para rodar sete ‘pools’, além dos três que já tinha. Dessa forma, a ideia é encerrar o ano com 20. Na ponta da originação estão empresas variadas. Entre elas estão, por exemplo, a Stockash, fintech de crédito focada em stock options, Digap, de compra e venda de precatórios, e Resolvvi, lawtech focada no direito do consumidor.

AmFi aposta em oferta de ativos individuais

Em abril passado, a AmFi anunciou que esperava movimentar até R$ 500 milhões em valor total bloqueado (TVL, na sigla em inglês) em 2023. “A gente está usando o recebível do cartão de crédito como colateral da operação, que é tokenizada. Então, o investidor entra em uma operação tokenizada, mas atrelada a um recebível. O investidor está caminhando para o futuro com segurança e controle em uma debênture de empresa privada”, completa David.

Para avançar, a plataforma também deve apostar em ofertas de ativos individuais. Isso porque a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trouxe o entendimento de que os valores individuais não configuram oferta pública. Somente em agosto, a startup deve ter 25 ofertas de ativos. 

Entre os pilares da avenida de crescimento, está ainda um pedido da AmFi protocolado via CVM para disponibilizar seus tokens em uma plataforma de crowdfunding. A expectativa é que a autorização seja concedida já em setembro. “Temos mantido constante interlocução com a CVM, que faz um incrível trabalho de discussão com a indústria de tokenização para que nosso mercado possa florescer no Brasil.”

Foco no investidor estrangeiro

Nesta toada, os investidores estrangeiros têm uma atenção especial. “Hoje, o investidor estrangeiro quase não compra dívida no Brasil. Compra commodities ou ações na bolsa. Isso por conta de problemas estruturais, não é uma operação bem estruturada”, diz David. “Quando a gente transforma isso de forma tecnológica, com um contrato inteligente orquestrado, é mais seguro e transparente.”

Boa parte da perspectiva favorável da AmFi vem do corte de juros. Em agosto, o Banco Central cortou a Selic em 0,5 ponto porcentual. Assim, fez o primeiro movimento do tipo em três anos. Com isso, a taxa atual está em 13,25% ao ano e deve fechar 2023 em 12%, segundo o boletim Focus.

“Os bancos tiraram bastante o pé do ‘funding’ para crédito no Brasil. Com a taxa de juros alta, o mercado de capitais olhava para ativos mais estáveis e seguros. Quando a gente vê a curva de juros fechando, é importante ter investimentos que surjam para superar isso”, afirma David.

Investimentos alternativos

Esse cenário oferece algumas vantagens para a plataforma. Isso porque com a tendência de redução da Selic, é natural que os investidores passem a buscar investimentos alternativos, em detrimento da renda fixa, para elevar o retorno da carteira. O objetivo é alcançar 500 investidores até dezembro, entre estrangeiros, family offices e gestoras de recursos profissionais. 

Por outro lado, com a escassez durante o ‘inverno’ do venture capital, muitas fintechs precisam recorrer a estruturas e veículos de mercados de capitais, como os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) ou debêntures. Essa opção evita a diluição do equity em rodadas de investimento, que acaba saindo mais caro do que o financiamento via dívida. 

*Reportagem publicada originalmente no Finsiders, site parceiro do Blocknews.

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