Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

AL: 71% dos executivos de bancos sabem que é preciso digitalizar operação para continuarem no jogo

Bancos acreditam que morrerão em 5 anos se não fizerem mudanças Foto: Gerd Altmann. Pixabay

Mais de dois terços (71%) dos executivos de bancos da América Latina e 67% do mundo todo acreditam que irão perder participação de mercado dentro de dois anos se não investirem em digitalização. É o que mostra um novo estudo da Mambu, “legobank” que oferece soluções bancárias na nuvem, e da The Financial Times Focus (FT Focus).

O estudo Evolve or be extinct (“Evolua ou seja extinto”, em português) consultou mais de 500 executivos sêniores de bancos do mundo inteiro, inclusive do Brasil, para compreender suas percepções do setor bancário atualmente e para o futuro, conforme publicou o Fintechs Brasil, site parceiro do Blocknews.

Os resultados reforçam a urgência na modernização das ofertas dessas instituições, uma vez que 44% dos entrevistados da América Latina e 58% no mundo preveem o fim de seus negócios dentro dos próximos cinco ou dez anos, a não ser que mudem radicalmente seus modelos.

De acordo com 78% dos executivos da América Latina e 74% do mundo, gigantes da tecnologia como Amazon e Google serão os donos das maiores fatias de mercado do setor bancário em apenas cinco anos. Segundo o estudo, esse é o momento ideal para os bancos fazerem investimentos significativos em suas ofertas digitais.

Impactos da Covid

“O estudo mostra as abordagens divergentes do setor bancário em relação à transformação digital. Embora os bancos de varejo tenham demorado para responder às mudanças no comportamento do consumidor provocadas pela pandemia, há um grupo que chamamos de ‘evolucionistas digitais’ que contraria essa tendência. Além disso, esses players podem ajudar quem está no final da fila da jornada digital a acelerar seu processo de transformação, principalmente devido ao alto índice de desbancarizados que ainda vemos no Brasil, indicando o caminho a seguir, além de comprovar o sucesso de uma abordagem centrada no cliente”, afirma Sergio Costantini, diretor-geral da Mambu no Brasil.

Mais do que qualquer outra região no mundo, a América Latina utilizou a pandemia de Covid-19 como um acelerador de uma mudança que será permanente. A pesquisa revela que a crise sanitária foi uma das influências mais importantes para o desenvolvimento de estratégias digitais e uma oportunidade para os bancos redefinirem seus relacionamentos com os clientes por meio da inclusão financeira. Em toda a região, 57% dos executivos veem o aumento da inclusão financeira como um dos maiores benefícios para a construção de um modelo bancário centrado no cliente por meio da transformação digital.

Mais de 80% dos líderes do setor de bancos de varejo da América Latina concordam que substituir modelos mais conservadores por um propósito social progressivo é vital para suas estratégias de crescimento. Isso ficou claro com a perda de importância de conceitos baseados somente em “lucro” e “aumento de ganhos” na lista de prioridades dos bancos, principalmente quando consideramos suas jornadas rumo a um modelo bancário centrado no cliente.

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