Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Nébula, nova ‘catalisadora’ da butique de M&A Estáter, seleciona primeiras fintechs

A Nébula, nova ‘catalisadora’ de fintechs criada pela butique de M&A Estáter, de Pércio de Souza, está finalizando a seleção das startups. Dentre elas há uma de blockchain e uma de tokenização. O programa terá um ano de duração. Ao final, a Estáter pode escolher comprar a fintech,como fez recentemente com a iouu.

O grupo alocou R$ 4 milhões no projeto e está disponibilizando cotas de patrocínio nos valores de R$ 15 mil, R$ 25 mil, R$ 35 mil e R$ 50 mil. A informação foi dada com exclusividade por Semi Kim, gestor da Nébula, ao Fintechs Brasil, portal parceiro do Blocknews.

“Escolhemos uma plataforma de blockchain, uma de Open Banking, uma que faz tokenização de ativos, uma de consórcio, uma de antifraude, uma de crédito para o agronegócio, uma de energia, uma healthtec e uma de consignado”, diz, sem revelar os nomes pois os contratos ainda não estão assinados. Além dessas, estão em análise duas fintechs de microcrédito. A ideia é fintechs de segmentos diferentes e complementares.

Kim é nome conhecido no mundo do venture capital. É consultor de corporate innovation – auxiliou a Mauá Capital, por exemplo. É também mentor de empreendedores, especialista em captação e o responsável pela seleção inicial da Nébula, nome que significa berçário de estrelas.

O ambiente físico comporta até 17 colaboradores, mas há espaço para aceleradas de outras cidades fora de São Paulo que se conectarão através de um ambiente virtual.

Leia a reportagem completa no Fintechs Brasil.

Blocknotas: Mais um ETF da Hashdex, novo CEO no Capitual e Zro atinge 2 bilhões de conversões

Num movimento que parece uma corrida de cem metros rasos das gestores de fundos de índices (ETFs) de criptomoedas, a Hashdex anunciou nesta quarta-feira (14) mais um desses em seu portfolio. Dessa vez, deve lançar, em agosto, um ETF 100% relacionado a ethereum. O comunicado chegou um dia depois a empresa anunciar que também em agosto vai lançar um ETF de bitcoin. E horas depois de a concorrente QR Asset anunciar seu ETF de ethereum. A QR já tinha um de bitcoin. Com isso, a B3 terá cinco ETFs de criptomoedas.

Novo CEO no banco Capitual

O Capitual, banco digital que opera com oito criptomoedas e movimentou R$ 20 bilhões no primeiro semestre, tem novo CEO. É Bernardo Cardoso do Amaral, que tem passagens por diferentes áreas financeiras no exterior, tanto tradicionais como de criptomoedas, incluindo em security tokens. Também chegaram à empresa José Dinis Lucas, como Chief Legal Officer Global, que tem experiência internacional e fundou a Sociedade Dinis Lucas & Almeida Santos. Já Rafael Pontes de Miranda será Head Legal para operações globais. Segundo Guilherme Nunes, Chief Strategic Officer do Capitual, as contratações visam crescimento e cuidado com compliances globais, já que operam em 48 países. O banco também protocolou no Banco Central autorização para operar como instituição de pagamentos (IP).

Zro Bank chega a 2 bilhões de conversões

o Zro Bank, também banco digital que opera com criptomoedas, atingiu R$ 2 bilhões em conversões e 250 mil downloads do seu aplicativo. O Zro opera com a Bit Blue, do mesmo grupo. O banco foi lançado em setembro de 2020 e foi o primeiro a disponibilizar transações financeiras em real e em bitcoin.

Mas, o banco quer ir além de operar com criptomoedas. O projeto prevê usar blockchain em sua operação, de forma a tornar transparentes, portanto visíveis, as suas transações. “Cada vez mais vemos instituições financeiras tradicionais e grandes companhias olhando para esse ativo como reserva de valor, o que respalda nossa visão de negócio”, diz o CEO do Zro Bank, Edisio Pereira Neto.

Blocknotas: QR Asset e Hashdex disputam mercado de ETFs; OnePercent mira NFTs

ETF de Ethereum na B3

A QR Asset Management, que lançou o primeiro ETF de bitcoin (QBTC11) da América Latina na B3, anunciou nesta terça-feira (13) que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou, no último dia 28, seu fundo ETF baseado em Ethereum. O ticker será QETH11. Assim, esse também será o primeiro do tipo na região. A custódia será da Gemini, dos gêmeos Winklevoss, que ajudaram fundar o Facebook. O fundo vai seguir o índice CME CF Ether Reference Rate, da Bolsa Mercantil de Chicago (CME), a maior em derivativos do mundo. De acordo com a QR, o QBTC11 tem patrimônio de R$ 128 milhões. O anuncio veio horas depois de a concorrente Hashdex anunciar mais um ETF de bitcoin, ou seja, serão dois ETFs da moeda na bolsa.

Com Hashdex, B3 terá dois ETFs de bitcoin

A Hashdex, maior gestora de criptoativos da América Latina e a primeira a lançar um ETF na região, anunciou nesta terça-feira (13) que lançará um ETF 100% de bitcoin. O período de reserva já começou e vai até 30 de julho. O lançamento na B3 deve ser na primeira quinzena de agosto. O Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Price Fundo de Índice terá o ticker BITH11. Mas, a diferença desse ETF, segundo a empresa, é que replicará um fundo que busca neutralizar as emissões de carbono da mineração do ativo.

XP, Itaú BBA, e Banco Genial serão os coordenadores da oferta. A Hashdex tem a meta alcançar cerca de R$ 600 milhões, portanto, o valor que conseguiu no lançamento do primeiro ETF do país, o HASH11. Por enquanto, a previsão é de a cota custará R$ 50. “Contamos com o apoio da empresa alemã Crypto Carbon Ratings Institute (CCRI), provedora de uma metodologia globalmente reconhecida para cálculo de emissão de carbono em redes blockchain”, disse Roberta Antunes, Chief of Growth da Hashdex.

OnePercent lança plataforma de NFTs

A OnePercent, tokenizadora que agora é parte da MOSS, que vende o token MCO2 lastreado em créditos de carbono registrados em blockchain, lançou o marketplace Rarum, de NFTs (Tokens Não Fungíveis) de carbono neutro. Dessa forma, é a primeira ação conjunta das empresas. “Mais do que proporcionar às empresas acesso ao mercado de colecionáveis, queremos que o impacto desses ativos seja zerado na ponta”, afirma Fausto Vanin, um dos fundadores da One Percent. Deverá haver NFTs como fotos de onças, que fazem parte do projeto Onçafari, por exemplo, a registros de esportes a motor com a assinatura de piloto da Stock Car Brasil Cacá Bueno.

Itaú se junta a bancos da Austrália, Canadá e Reino Unido em plataforma para crédito de carbono

Itaú Unibanco, o Banco Nacional da Austrália, o banco britânico NatWest Group e o canadense CIBC anunciaram, hoje (7), que em agosto vão lançar o Projeto Carbono, um piloto de um marketplace voluntário de crédito de carbono. Como o objetivo é ser uma plataforma global compensação de carbono “com preços claros e consistentes”, vai usar blockchain. Neste caso, será Ethereum a Consensys é a desenvolvedora.

Assim, a plataforma buscará resolver um sério problema do mercado de carbono, que é exatamente essa falta de transparência nas negociações. Além de problemas de venda do mesmo crédito mais de uma vez e preços sem exatamente um padrão. E se junta a um grupo de outros projetos ligados a crédito de carbono e blockchain, como o da Moss.

Com o aumento da pressão de consumidores e investidores por projetos ligados a compensação de carbono, faz sentido os bancos criarem esse marketplace. E a ideia é que não apenas as quatro instituições façam parte da plataforma, mas que outras instituições se juntem ao projeto ao longo do tempo.

“Como instituição financeira, trabalhamos com todos os setores da economia, sendo protagonistas do combate à mudança climática. Os mercados voluntários de carbono complementam os esforços de redução de emissões de carbono em nível global, para alimentar uma economia de baixo carbono”, disse Maluhy.

De acordo com o comunicado, a plataforma vai representar o livro de registro de propriedade de créditos de carbono. Portanto, quem tem créditos vai poder mostrar com clareza o que tem ao mercado e reduzir o risco de dupla contagem. Além disso, as quantidades e preços das transações serão abertos aos mercado.

Itaú quer aumentar qualidade de projetos de crédito de carbono

Um dos efeitos disso é a rastreabilidade das transações e, segundo os bancos, um aumento da base de clientes interessados nos créditos. A plataforma fará, ainda, a liquidação pós-trade, ou seja, os participantes do mercado, inclusive bolsas e marketplaces, ofereçam valor de serviços adicionais.

O projeto do Itaú vai permitir, portanto, um aumento de projetos de qualidade para compensação de carbono e um mercado de crédito com liquidez. Além de criar um ecossistema forte para apoiar o mercado de compensações e desenvolver ferramentas para ajudar os clientes a gerenciar riscos climáticos.

“Estamos ajudando nossos clientes a encontrar soluções para fazerem a transição para serem neutros em carbono até 2050. O Projeto Carbono é um ótimo exemplo de como tecnologias como blockchain podem resolver barreiras e tornar a compensação de carbono mais acessível para nossos cilentes”, diz o comunicado conjunto dos CEOs.

O projeto está alinhado com a Força Tarefa para Escalagem dos Mercados de Carbono Voluntários (TSVCM, na sigla em inglês), criada por Mark Carney, enviado especial da ONU para Ação e Finanças Climáticas.

JPMorgan compra 40% do C6 Bank e entra no varejo digital brasileiro

O JPMorgan Chase, maior banco do hemisfério ocidental, comprou 40% do C6 Bank. Com isso, a instituição financeira entra no setor de varejo no Brasil. E não apenas isso, entra no varejo digital, segmento que cresce a passos largos no país.

Os bancos não divulgaram o valor da transação. Em dezembro de 2021, quando o C6 recebeu um novo aporte de R$ 1,3 bilhão, foi avaliado em R$ 11,3 bilhões.

“Vamos apoiar a aceleração do crescimento do banco em sua ambição de se tornar um líder em serviços financeiros no Brasil”, disse Sanoke Viswanathan, CEO de Varejo Internacional do JPMorgan Chase. De acordo com o executivo, o C6 Bank, que funciona como marketplace, tem uma “plataforma impressionante de produtos e serviços”.

“É um divisor de águas”, disse Marcelo Kalim, CEO e co-fundador do C6 Bank. “Essa parceria estratégica nos permite ganhar ainda mais escala no nosso negócio.”

O JP está no Brasil há 60 anos. Aqui, opera como banco de investimentos, finanças corporativas, pagamentos de atacado, private banking e gestor de recursos. No varejo, opera nos EUA, onde tem mais de 55 milhões de clientes ativos no digital, de acordo com o comunicado das instituições.

Já o C6 Bank é um dos bancos digitais de maior destaque do país. Tem 7 milhões de clientes e opera como um marketplace de produtos e serviços financeiros. Tem conta multimoeda, cartões de débito e crédito, programa de fidelidade, plataforma de investimento e crédito para pessoas físicas e jurídicas.

Segundo relatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os brasileiros estão cada vez mais digitais no serviços financeiros. Mais de 60% das transações bancárias no Brasil são feitas por plataformas digitais e esse movimento só cresce.

“Estamos entusiasmados para usar nossas competências globais e a expertise do JPMorgan Chase para acelerar o crescimento do C6 Bank”, afirmou Daniel Darahem, responsável pelo JP Morgan Chase no Brasil.

Blockchain e criptoativos

O JP Morgan Chase é um dos bancos que mais apostam em blockchain no mundo. Isso porque já realizou diversos investimentos em startups que usam a tecnologia. Além de ter criado uma plataforma própria a Quorum, que vendeu para a Consensys.

Também criou uma rede de transferência de informações de movimentação de recursos entre instituições financeiras, a Liink. E tem sua moeda estável (stablecoin), a JPM Coin, que tem relação 1 por 1 com o dólar. Do que o diretor-executivo do banco, Jamie Dimon, não gosta, é de bitcoin e outras criptomoedas.

Quanto a blockchain no C6, há dois anos um profissional de segurança cibernética do banco afirmou a esta jornalista que a instituição não gostava da tecnologia e não tinha intenções de usá-la.

Mas, seguindo a onda do mercado, em maio passado a fintech anunciou que passaria a oferecer dois fundos de investimentos em criptomoedas da Hashdex.

Citi é mais um dos grandes bancos dos EUA a entrar em criptomoedas

A área de gestão de fortunas do Citigroup acaba de formar o Grupo de Ativos Digitais. “Dados os novos e animadores crescimentos que estamos vendo em criptomoedas, tokenização e outras avanços com o suporte de blockchain, estamos felizes de anunciar a formação do grupo.”

A afirmação está num comunicado interno do banco. Portanto, o Citi se junta a outros grandes bancos dos Estados Unidos que passaram a atuar com criptomoedas. O Morgan Stanley foi o primeiro.

Assim como ele, o Goldman Sachs também passou a oferecer produtos relacionados a criptomoedas para seus clientes da área de gestão de fortunas. Os bancos costumam recomendar investimento de até 2%-3% do portfolio em critptos.

Já o BNY Mellon decidiu oferecer a custódia de criptomoedas, enquanto JP Morgan investiu numa plataforma e serviço blockchain, a Quorum. Mas, vendeu a plataforma para a Consensys. Além disso, o JP criou uma moeda estável.

Citi escolhe dois executivos do banco para cuidar de criptomoedas

Em maio passado o Citi já havia revelado que estava estudando entrar no segmento de criptoativos. O Citi enviou a comunicação interna sobre a nova divisão de criptomoedas para os sites internacionais The Block, Bloomberg e Coindesk.

Os líderes da nova área serão Alex Kriete e Greg Girasole. A função deles será a de desenvolver produtos e “trabalhar com nossos parceiros, com o mercado de capitais e com a área de gerenciamento de investimentos do Citi para desenvolver um proposta de valor robusta e escalável”. É o que diz o comunicado.

O Citi escolheu dois executivos de dentro do banco para cuidarem da nova área de criptomoedas. Kriete está há 10 ano no Citi. No entanto, ele continua na função anterior de vice-presidente sênior, conselheiro de investimentos do Citi Private Bank, segundo seu perfil no LinkedIn.

Já Girasole, além de co-líder da nova área de ativos digitais, continua como vice-presidente-sênior, gestor de portfolio, do Citi, de acordo com o perfil no Linkedin.