Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Zro Bank, que opera com criptos, receberá aporte de R$ 61 milhões, inclusive de banco

O Zro Bank, primeio banco digital do país a oferecer contas em real e bitcoin, está recebendo sua primeira rodada de investimentos. No total, são R$ 61 milhões, sendo R$ 25 milhões de um fundo da Multinvest Capital. Os R$ 36 milhões deverão vir nos próximos dias de um banco que a empresa não revelou, mas diz que é um dos maiores do mercado financeiro.

O Zro é do Grupo B&T, um dos maiores de câmbio do país, que também inclui a BitBlue, corretora que dá o suporte de criptomoedas para o banco digital. A operação começou em setembro de 2020. A Multinvest é uma gestora de recursos de Pernambuco, sede também do Zro Bank. Criou um fundo para o aporte e nele está, por exemplo, Silvio Meira, presidente do conselho de administração do Porto Digital do Recife e membro do conselho de empresas como a Magalu.

De acordo com Edísio Pereira Neto, CEO da fintech, o Zro Bank usará os recursos para crescimento da equipe, ações de marketing e foco em novos produtos. Isso significa aumento do portfólio de moedas, conta internacional, crédito e investimentos.

Zro Bank quer dobrar equipe

Desde o lançamento, o aplicativo superou 350 mil downloads e R$ 2 bilhões em conversões de moedas nas plataformas – de moedas fiduciárias e criptoativos. “Pretendemos alcançar a marca de um milhão de downloads até o final do próximo ano e dobrar o número de colaboradores. Hoje são 70 pessoas”, afirma o CEO do Zro Bank.

 Apesar de volatilidade, cada vez mais pelas pessoas percebem as criptomoedas como uma reserva de valor para suas estratégias de investimentos, afirma Pereira. “Vamos focar na escala do nosso produto.”

Neste ano, o ranking 100 Startups to Watch considerou o Zro Bank uma das mais promissoras fintechs. Junto com a Visa, foi o primeiro a oferecer cashback em bitcoin para as transações com seu cartão.

Itaú faz parceria com Mercado Bitcoin para tokenizar recebíveis

O Itaú, maior banco privado do país e um dos maiores do mundo, deverá ser o primeiro a tokenizar ativos digitais, no caso o Mercado Bitcoin. Isso porque tokenizará recebíveis seus, segundo o serviço Broadcast da Agência Estado. Os tokens ficarão, no entanto, em posse do Itaú, segundo informou o Mercado Bitcoin ao Blocknews.*

Segundo a notícia, será uma forma de o Itaú experimentar novas tecnologias para criar produtos e serviços, ou seja, usar blockchain e Ethereum, que é o que o Mercado Bitcoin utiliza. É um movimento que bancos no exterior também estão experimentando.

O Itaú vem demonstrando encantamento com o mundo dos ativos digitais para oferta de produtos. Tudo começou os fundos de índice de criptomoedas (ETFs) que ofereceu a seus clientes. O primeiro foi o Hash 11, da Hashdex. Fontes dizem que o banco não esperava tamanha receptividade ao produto.

Depois disso, o Itaú lançou o fundo  Itaú Index Blockchain Ações FX IE, que investe em empresas que adotam a tecnologia blockchain. Portanto, pode incluir criptomoedas. Além disso, colocou no mercado um Certificado de Operações Estruturadas (COE) que permite investir na maior corretora de criptoativos dos EUA, a Coinbase.

Token do Itaú vai dar mais diversidade ao Mercado Bitcoin

No entanto, o Itaú continua discutindo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) com empresas de criptomoedas. Isso porque que faz parte de um grupo de instituições financeiras que passou a evitar abrir conta corrente para esse segmento.

À parte o token do Itaú, o Mercado Bitcoin já tem um portfolio de tokens que inclui, por exemplo, ativos lastreados em consórcios e no mecanismo de solidariedade da FIFA de ganho sobre transferência de jogadores do Vasco.

A empresa também participou da criação da plataforma Tropix, de tokens não fungíveis (NFT) de arte, em agosto passado. E hoje, o Pipeline do Valor noticiou que liderou uma rodada seed de US$ 2 milhões (cerca de R$ 11 milhões) na Tropix.

*Correção às 10h31 de 11.10.21: o Mercado Bitcoin informou ao Blocknews que a informação de que os tokens serão vendidos na exchange ´é incorreta. Os tokens ficarão com o Itaú. Pedimos desculpas a nossos leitores.

Inscrição no Prêmio Banking Transformation, para bancos e startups, vai até dia 18

As inscrições para a mais importante premiação do setor financeiro brasileiro foi estendida até o próximo dia 18 de outubro. O Prêmio BANKING TRANSFORMATION, novo nome do Prêmio Relatório Bancário da Cantarino Brasileiro, é voltado para bancos e outras empresas do ecossistema financeiro, como fintechs.

Em sua 17ª edição, o prêmio BANKING TRANSFORMATION está dividido em dois pilares. “Assim, dará voz e destaque não apenas aos bancos tradicionais e digitais, como também aos players do ecossistema financeiro que chegaram para ficar com a implantação do open banking”, disse Marcos Cantarino, criador do prêmio. 

As inscrições podem ser feitas pelo site da premiação. Os vencedores serão conhecidos no dia 6 de novembro e a premiação será em 6 de dezembro. O Blocknews é apoiador do evento.

De acordo com Cantarino, o objetivo continua sendo o de promover, incentivar e valorizar as principais iniciativas. Assim, um dos pilares é o de bancos tradicionais e nativos digitais. O outro é o de empresas do ecossistema financeiro, incluindo as de meio de pagamentos (adquirentes, bandeiras, emissores de cartões), fintechs e financeiras.

Além disso, incluem ainda empresas como transportadores de valores, fundos de investimento, bolsas de valores, bureaux de crédito, cooperativas de crédito, corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários e seguradoras.

As instituições vão concorrer em 12 categorias, incluindo aplicativos, customer experience, segurança, inclusão, mitigação de impactos da pandemia, pagamentos instantâneos, open banking e ESG.

*Reportagem atualizada em 12 de outubro às 17h00 com a extensão do prazo para inscrições.

AL: 71% dos executivos de bancos sabem que é preciso digitalizar operação para continuarem no jogo

Mais de dois terços (71%) dos executivos de bancos da América Latina e 67% do mundo todo acreditam que irão perder participação de mercado dentro de dois anos se não investirem em digitalização. É o que mostra um novo estudo da Mambu, “legobank” que oferece soluções bancárias na nuvem, e da The Financial Times Focus (FT Focus).

O estudo Evolve or be extinct (“Evolua ou seja extinto”, em português) consultou mais de 500 executivos sêniores de bancos do mundo inteiro, inclusive do Brasil, para compreender suas percepções do setor bancário atualmente e para o futuro, conforme publicou o Fintechs Brasil, site parceiro do Blocknews.

Os resultados reforçam a urgência na modernização das ofertas dessas instituições, uma vez que 44% dos entrevistados da América Latina e 58% no mundo preveem o fim de seus negócios dentro dos próximos cinco ou dez anos, a não ser que mudem radicalmente seus modelos.

De acordo com 78% dos executivos da América Latina e 74% do mundo, gigantes da tecnologia como Amazon e Google serão os donos das maiores fatias de mercado do setor bancário em apenas cinco anos. Segundo o estudo, esse é o momento ideal para os bancos fazerem investimentos significativos em suas ofertas digitais.

Impactos da Covid

“O estudo mostra as abordagens divergentes do setor bancário em relação à transformação digital. Embora os bancos de varejo tenham demorado para responder às mudanças no comportamento do consumidor provocadas pela pandemia, há um grupo que chamamos de ‘evolucionistas digitais’ que contraria essa tendência. Além disso, esses players podem ajudar quem está no final da fila da jornada digital a acelerar seu processo de transformação, principalmente devido ao alto índice de desbancarizados que ainda vemos no Brasil, indicando o caminho a seguir, além de comprovar o sucesso de uma abordagem centrada no cliente”, afirma Sergio Costantini, diretor-geral da Mambu no Brasil.

Mais do que qualquer outra região no mundo, a América Latina utilizou a pandemia de Covid-19 como um acelerador de uma mudança que será permanente. A pesquisa revela que a crise sanitária foi uma das influências mais importantes para o desenvolvimento de estratégias digitais e uma oportunidade para os bancos redefinirem seus relacionamentos com os clientes por meio da inclusão financeira. Em toda a região, 57% dos executivos veem o aumento da inclusão financeira como um dos maiores benefícios para a construção de um modelo bancário centrado no cliente por meio da transformação digital.

Mais de 80% dos líderes do setor de bancos de varejo da América Latina concordam que substituir modelos mais conservadores por um propósito social progressivo é vital para suas estratégias de crescimento. Isso ficou claro com a perda de importância de conceitos baseados somente em “lucro” e “aumento de ganhos” na lista de prioridades dos bancos, principalmente quando consideramos suas jornadas rumo a um modelo bancário centrado no cliente.

BIS divulga princípios para uso de stablecoins

O Banco de Compensações Internacionais (BIS) divulgou, nesta manhã (6) um estudo sobre os princípios para a infraestrutura para arranjos de stablecoins. Essas criptomoedas têm lastro em ativos reais, boa parte delas é em dólar, e por isso têm preocupado os governos pelo mundo. Isso porque, ao garantirem menor volatilidade e atraírem usuários, podem impactar o sistema financeiro.

O estudo foi feito em conjunto com a Organização Internacional de Valores Mobiliários (Iosco, na sigla em inglês). E tem o objetivo de dar mais clareza aos arranjos de stablecoins e às autoridades. Assim, quer ajudar os governos a determinar se um um arranjo de stablecoin é sistematicamente. Mas não tem a função de criar novos padrões para essas moedas, que são muito usadas em finanças descentralizadas (DeFis).

Um dos princípios que o estudo cita é governança, ou seja, o arranjo para stablecoins deve ser arranjos apropriados para responsabilidade e transparência. Devem também ter um amplo gerenciamento de risco. Outro ponto é ter uma finalização de liquidação clara, não importante o método que use. A liquidação em dinheiro deve ter pouco ou nenhum risco de crédito ou liquidez.

O BIS e a IOSCO estão também coletando comentários e respostas para uma consulta que o documento inclui. O envio deve ocorrer até 1 dezembro para [email protected] O documento tem várias perguntas sobre o assunto.

BNY Mellon entra na rede global Marco Polo de comércio exterior

O banco BNY Mellon, segundo maior banco em ativos dos EUA, se juntou à rede Marco Polo, consórcio que busca alavancar o uso de blockchain nos financiamentos do comércio internacional Além disso, busca digitalizar os processos nesse segmento.

De acordo com o BNY Mellon, que tem US$ 45 trilhões sob custódia ou administração, e US$ 2,3 trilhões sob gestão, sua participação na rede permitirá maior injeção de liquidez na cadeia internacional de fornecimento.

Assim, vai oferecer soluções financeiras como financiamento dos compradores aos fornecedores e desconto de recebíveis. Além disso, o banco terá acesso em tempo real das operações, o que acelera os processos.

A Marco Polo afirma ter mais de 30 bancos como membros, a´lém de cerca de 20 empresas e 10 de tecnologia. Em 2019, o Bradesco se associou à rede.

Ao contrário dos processos convencionais, em que diversos documentos físicos e emails são trocados, em blockchain os termos dos contratos são validades pelas partes praticamente ao mesmo tempo. Isso, por sua vez, acelera a liberação de recursos pelos bancos, disse Joon Kim, líder global de trade finance do BNY Mellon Treasury Services.

O processo também reduz o risco de que uma empresa use os mesmos instrumentos de comércio para garantir financiamento em diferentes instituições. Dessa forma, com mais segurança, o banco diz que é possível oferecer taxas de juros mais baixas. O BNY Mellon pontuou também que a rede Marco Polo tem o potencial de criar um mercado secundário de financiamentos de comércio exterior.

“Blockchain has the potential to transform the trade finance industry by replacing multiple systems with a single shared record through one distributed ledger. As all participants in the transaction will be immediately updated of each development in the trade lifecycle, this enables us to extend working capital more quickly and more securely to clients,” says Joon Kim, Global Head of Trade Finance Product & Portfolio Management in BNY Mellon Treasury Services.

Bolsa de Singapura anuncia parceria com 10 bancos globais na Marketnode

A Marketnode, joint-venture para emissão de ativos digitais de renda fixa da bolsa de Singapura (SGX) e da empresa de investimentos do país Temasek, anunciaram parceria com 10 dos maiores bancos do mundo. As instituições vão colaborar na construção da plataforma, além de ajudar a expandir seu uso além da renda fixa, segundo a SGX.

As instituição são Barclays, BNP Paribas, BNY Mellon, Citi, Deutsche Bank, HSBC, Orient Securities International, Standard Chartered, Societe Generale e United Oversees Bank (UOB, de Singapura).

A Marketnode vai lançar serviços de emissão de ativos digitais, apoio em títulos ESG e infraestrutura para depósito de ativos digitais. A previsão de lançamento é no último trimestre de ano.

Será uma plataforma de registro distribuído (DLT) de ponta a ponta para renda fixa. Os serviços incluem, por exemplo, simplificação de processos de documentação, relatórios ESG e mecanismos de acesso a mercado.

Bolsa de Singapura mira mudança do setor financeiro

“Continuamos a abraçar a mudança de paradigma pela qual a indústria financeira está passando com a emergência de novas tecnologias”, disse Lee Beng Hong, líder de renda fixa, moedas e commodities da SGX.

E disse que as parcerias tanto com bancos, como com empresas de tecnologia, ajuda a criar efeitos de rede e escalabilidade para vários ativos. Já ha parcerias com a Covalent Capital, a fintech de Singapura RootAnt Global e com a plataforma blockchain britânica SETL.

Fintechs prosperam, mas também tropeçam: média de falências é de 10 ao ano

O sucesso das fintechs já é uma realidade no Brasil e no mundo, a digitalização do mercado de finanças é irreversível. Mas transformar uma startup em um Nubank, Pic Pay ou Pag Seguro não é para qualquer um.

Segundo levantamento feito pelo portal Fincatch e obtido com exclusividade por Fintechs Brasil, mais de 50 fintechs quebraram entre 2016 e 2021. Victor Barboza, um dos sócios da Fincatch, alerta porém que o levantamento é preliminar e está sendo atualizado constantemente.

“Os dados não são públicos, é preciso garimpar, checar e rechecar”, diz. Segundo o estudo, o ano que mais teve fintech fechando as portas foi 2017. Neste ano, até agora, o levantamento identificou três: Bela Pagamentos, Smart MEI e Brazilex, mostra reportagem do Fintechs Brasil, site parceiro do Blocknews.

Os motivos

Falta de fundos, modelo de negócio ruim, concorrentes mais fortes, falta de visão sobre as dores do consumidor, desafios legais, produto ruim, falta de foco, falha ao pivotar o negócio e má gestão:, desentendimento entre sócios essas são as principais causas pelas quais as fintechs quebram. E, claro, algumas também cometem fraudes.

No mundo, a situação não é muito diferente. O site Failory identificou recentemente 13 cases de fintechs que faliram – 10 nos Estados Unidos, uma na Indonésia, uma na Holanda e uma na Índia.

“A quantidade de fintechs que abre é enorme, e das que sobrevive é muito pequena, a taxa de mortalidade é gigantesca”, diz Boanerges Ramos Freire, da Boanerges & Cia, consultoria focada em pagamentos, crédito e fidelização. Além das que quebram, ainda existem as que desaparecem do mapa engolidas pelas concorrentes.

“Não é simples viabilizar um negócio. Muitas vezes o empreendedor foca em um dos componentes apenas, a tecnologia, que é importante, a base para a transformação digital, mas não é tudo. A tecnologia em si não garante o sucesso de um negócio’, diz.

“Não é porque você tem uma tecnologia diferente que você sabe gerenciar um negócio, trazer pessoas, integrá-las, definir metas, vender, atender o cliente, desenhar e implantar essa estratégia, viabilizar o negócio financeiramente”, completa. E acrescenta que apesar de sobrar recursos para investir neste momento, o capital é seletivo. “Mais do que procurar um bom negócio, os investidores procuram pessoas, líderes com visão e competência para transformar essa visão em realidade. E a realidade é dura”.

“Há muitas coisas a serem consideradas ao construir uma nova startup – onde obter financiamento, como validar sua ideia e quais recursos oferecer. Um dos desafios é encontrar um mercado que esteja disposto a pagar por sua solução, mesmo sem saber o que é”, diz Nicolás Cerdeira, do site Failory. “Por isso que 90% das startups quebram”.

Casos suspeitos

Entre os casos de falência há muitos provocados por uso de práticas pouco ortodoxas. Uma deles é o da Bela Pagamentos. Após desentendimentos com a Stone, a Bela, startup do setor financeiro com sede em Gramado (RS), teve a falência decretada em fevereiro deste ano. Como não tinha o aval do Banco Central para processar as transações junto às bandeiras de cartões, a Bela era uma sub credenciada da Stone; os consumidores pagavam na maquininha da Bela e a Stone processava as transações.

Inicialmente, pensou-se que havia um problema no sistema, mas depois os clientes da Bela passaram a suspeitar que a startup solicitava à Stone adiantamentos dos recursos que seriam repassados aos hotéis, restaurantes e ao comércio, só que os valores não chegavam aos destinatários finais. Há dois anos, o prejuízo somava R$ 8 milhões.

Na época, a Stone disse em nota que, embora estivesse realizando os repasses aos estabelecimentos comerciais e de serviços, a dívida era de responsabilidade da empresa gramadense. Afirma ainda que repassou à startup os valores que seriam para os estabelecimentos e que, após a Bela alegar problemas de liquidez, foram identificados indícios de fraude e de incerteza de pagamento. Por isso, a empresa decidiu encerrar o contrato.

Concorrentes saem ganhando

O desaparecimento de algumas é a alegria de outros concorrentes. O fim da CobreBemX, uma solução digital para emissão de boletos é um desses casos. Já o app Zuum, parceria entra a Vivo e a Mastercard, deixou até um “heredeiro”: o Social Bank.

A Vivo encerrou as atividades de sua plataforma de pagamento – que tinha como objetivo a administração de contas digitais – no final de 2018. A Zuum oferecia a oportunidade de transferir até R$ 1 mil utilizando um aparelho atrelado a uma conta, equipado com o chip da Vivo. Um ano antes, o app empresa estava próxima de 1 milhão de clientes e almejava dobrar essa base em um ano. Na época, a Vivo enviou nota à imprensa explicando que decisão havia sido tomada devido à reorganização de suas estratégias neste setor. “Os clientes da Zuum foram devidamente informados sobre as mudanças e tiveram a opção de seguir desfrutando de um serviço similar por meio do Social Bank, empresa especializada em pagamentos com celular.”

Fundada em 1995, a CobreBemX foi comprada em 2014 pela WorldPay, que a transformou em uma fintech – seis anos depois, em dezembro do ano passado, o negócio da fintech foi encerrado.Após a aquisição, o CobreBemX passou por um reajuste retroativo no valor de suas licenças, visto que a empresa ficou alguns anos sem alterar o seu valor. Isso fez com que o custo da licença aumentasse consideravelmente, tornando inviável para algumas empresas que já utilizavam o serviço. Tecnospeed e Freenfe foram alguns dos concorrentes que passaram a disputar os clientes da CobreBem.

Fonte: Failory

Fairplace, o primeiro

Em 2010, o Fairplace, o primeiro site brasileiro de empréstimos entre pessoas, teve suas operações interrompidas devido a uma investigação da Polícia Federal, a partir de uma comunicação entre o BC e o Ministério Público Federal. Na época, a justificativa é que a empresa estaria fazendo “agiotagem online”.

Cinco anos depois desse incidente, o Banco Central regulamentou as fintechs de crédito. Essa mudança foi fundamental para dar uma maior liberdade ao mercado – agora, as startups do mercado financeiro podem conceder crédito sem a intermediação bancária.

Ou seja: hoje, o que o Fairplace fazia – também chamado de peer to peer landing – é uma das verticais das fintechs.

Zetta volta a criticar Febraban numa gritaria pelas mídias sociais

A “guerra das verdades” entre Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e Zetta, associação de fintechs, teve mais um capítulo nesta terça-feira. Depois do revide da federação no final de semana passado a uma crítica dos entrantes, a Zetta disse hoje “que lamenta que a Febraban evite a discussão sobre a elevação das tarifas bancárias acima da inflação”.

A disputa entre os dois lados gira em torno da regulação que é assimétrica. Mas ambos se dizem prejudicados por essa situação. A discussão está se dando pelas redes sociais, numa “gritaria” de acusações. O Banco Central, a quem as críticas são na verdade endereçadas, estuda mudanças na regulação.

A associação dos bancos digitais começou com Nubank, Mercado Pago e Google (esse último não consta mais como membro) e tem 14 membros. De acordo com seu post de hoje, afirmou que “a assimetria regulatória favorece os bancos tradicionais com vantagens competitivas e econômicas“. Portanto, diz que as fintechs têm maiores exigências financeiras e mais requisitos legais.

Tudo começou na semana passada quando a Zetta criticou a Febraban por conta de tarifas bancárias. A federação se defendeu no domingo (19). Na ocasião, disse que os juros do Nubank em cartão de crédito rotativo e crédito consignado, no final de agosto, superou os dos cinco maiores bancos.

Zetta diz que juros de bancos no cartão são maiores

No entanto, em sua resposta de hoje (21), a Zetta afirmou que a média das taxas de juros do cartão rotativo dos membros da associação ´e de 10,66% ao mês. Enquanto é de 12,86% dos cinco maiores bancos. E que as fintechs têm receita menor com tarifas.  

À fala da Febraban de que pagam mais impostos do que as fintechs, a Zetta também fez um contraponto. Afirmou que ao analisar os balanços desses bancos, “vê-se que a alíquota nominal sofre uma série de deduções que reduz bastante o imposto efetivo”. Enquanto “as fintechs pagam todos os impostos com muito menos deduções”.

“Apenas bancos podem receber depósitos à vista. Dessa maneira, eles não remuneram seus clientes e ainda podem usar o dinheiro deles para conceder empréstimos. As fintechs não têm essa permissão. Nos depósitos em instituições de pagamento, 100% dos recursos ficam travados em títulos públicos”, completou a associação dos bancos digitais.

A Zetta cita ainda em seu comunicado que há favorecimentos aos bancos em relação ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e liquidez em transferências. Assim como no capital mínimo para a licença de funcionamento como instituição financeira.

Febraban e bancos digitais fazem “guerra das verdades” de olho na mudança – ou não – da regulação

Zetta , quer falar mesmo a ‘verdade’? ‘Cê não conta’ pra ninguém, mas a gente conta!” Foi assim que a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), sempre contida em seus pronunciamentos públicos, foi às mídias sociais defender o segmento. Com isso, rebateu a críticas da associação de bancos digitais e repetiu que existe uma concorrência desleal devido a benefícios regulatórios e trabalhistas dados às fintechs.

Na semana passada, a Zetta postou uma reportagem do Valor Investe sobre um estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre tarifas bancárias. De acordo com o levantamento, a maioria das tarifas avulsas dos cinco maiores bancos do país subiu mais que a inflação de junho de 2020 a julho de 2021. Mas, as dos bancos digitais ficaram inalteradas.

O cutuque tem endereço certo: o Banco Central do Brasil (BC), o regulador do mercado. Isso fica claro em trechos como “A ‘verdade’ verdadeira é que as grandes fintechs gostam mesmo é de pagar apenas ‘meia entrada’ e em nada se diferenciam dos bancos. Aliás, só não são bancos para pagar menos impostos, gerar menos empregos, ter poucas obrigações regulatórias e trabalhistas.”

A questão é que é comum os países darem benefícios às startups para facilitar a geração rápida de inovação e disrupção. E para que assim tenham mais chances de ultrapassarem a arrebentação dos primeiros anos de operação. A Febraban espera que essa regra seja revista, ao menos para os bancos digitais que mais incomodam o setor convencional, como o Nubank. O BC está avaliando.

Febraban reclama de juros e Zetta de tarifas

“Não temos vergonha de sermos bancos, muito ao contrário, e também não nos escondemos atrás de letras, marketing e grifes”, afirmou Isaac Sidney, presidente da federação, no post

A Zetta é uma associação recente de 14 fintechs que o Nubank, o Mercado Pago e o Google criaram. O Google não aparece mais na lista de associados e nem na descrição da missão da Zetta, onde se explica que apenas o Nubank e o Mercado Pago criaram a instituição.

Em outro trecho do post, a Febraban afirma que “a Zetta também não conta que as Fintechs pagam bem menos impostos que os bancos, que pagam 45% sobre lucro, sendo 25% de IR e 20% de CSLL, enquanto que as Fintechs pagam apenas 9% ou, quando muito, 15% de CSLL.”

O gancho para entrar nesse assunto foi a informação de que na página do BC há uma “verdade”. E que são “dados que mostram que “na última semana de agosto, a taxa média do juro do cartão rotativo do Nubank era de 291,67% ao ano, MAIOR que a média dos 5 grandes bancos, de 271,68%.” Maior em maiúsculas mesmo.

“No crédito pessoal não consignado, a taxa média cobrada pelo Nubank foi de 62,86% no final de agosto, enquanto a média dos 10 grandes bancos era de 54,54% ao ano e dos cinco grandes 60,65% ao ano”, completa a federação.

Nubank encostou no Itaú como primeiro banco

Dessa forma, a Febraban fez ao Nubank a mesma crítica que os bancos convencionais recebem: a de que cobram juros muito altos. E escolheu como personagem ninguém menos do que o banco digital que está à beira de fazer uma oferta inicial de ações (IPO) na Nasdaq.

A expectativa no IPO é conseguir uma avaliação de US$ 75 bilhões a US$ 100 bilhões. Esses valores equivalem a algo entre 1,5 a 2 bancos Itaú, que tem avaliação de cerca de US$ 55 bilhões.

“A Zetta não contou que o Nubank, que tem cara, porte, produtos e até nome de banco, prefere não se dizer banco, mas cobra juros mais altos dos seus clientes do que a média dos cinco ou 10 grandes bancos brasileiros. Olhe bem!”

O Nubank é a fintech que mais recebeu investimentos na América Latina e é destaque também em rankings globais. Uma pesquisa do que o JP Morgan  divulgou em fevereiro passado mostrou que o Nubank encostou no Itaú na lista do “primeiro banco” usado pelos brasileiros. O maior banco privado do país apareceu em 15,8% das respostas, enquanto a fintech, criada em 2013 apareceu em 14,9%.

Os bancos tradicionais ainda alegam que geraram 500 mil empregos no país “e têm mais exigências, ao contrário das fintechs que não precisam seguir as regras para contratação de bancários”.

Certamente a Febraban pretendia que o post repercutiria na mídia e no setor. Conseguiu. Agora, é ver se consegue convencer os reguladores sobre suas demandas.