Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Goldman Sachs, JP, Citi, BNP, BNY Mellon e bolsa alemã investem e usarão solução DeFi para securities

Goldman Sachs (GS), Citigroup, BNY Mellon, BNP Paribas Securities, a bolsa alemã Deutsche Börse e o J.P. Morgan, seis das maiores instituições financeiras do mundo, anunciaram, nesta semana, apoio financeiro a startups de finanças descentralizadas (DeFi).

Dessa forma investem numa área que passou por um boom no segundo semestre de 2019. Além disso, entram num universo mais ágil de finanças que poderá ser o tipo de serviço que oferecerão a seus clientes no futuro.

GS, Citigroup, BNY Mellon, BNP Paribas e a bolsa alemã lideraram uma rodada de investimentos de 14,4 milhões de euros na HQLAx e ainda entrarão como participantes na plataforma.

A startup de Luxemburgo foca em transferência de ativos para instituições financeiras que operam com empréstimos de títulos e gerenciamento de colaterais. A startup nasceu no laboratório da R3 e desde o inicio, há três anos, tem a Deutsche Börse como parceira. Uma pesquisa feita em 2020 mostrou que 80% das instituições financeiras tradicionais da Europa estavam estudando ou já usando DeFi.

Já o JP, em mais uma aposta em startups que usam blockchain, concedeu financiamento de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) à Figure Lending. Esse é o braço de empréstimos da Figure, que oferece, por exemplo, refinanciamento de hipotecas, empréstimos pessoais e empréstimos como o imóvel como garantia, o home equity. A empresa usará o valor na concessão de empréstimos imobiliários.

DeFi para troca imediata

De acordo com a HQLAx, o investimento de US$ 14,4 milhões que recebeu dos bancos e da bolsa alemã irá para a expansão da plataforma. Assim, “ajudará a tratar da fragmentação de colaterais na Europa, estendendo a conectividade entre agentes tripartites, custodiantes e participantes do mercado”. A empresa foi lançada na Europa. A primeira transação aconteceu em dezembro de 2019.

No futuro, quer atuar nos Estados Unidos (EUA) e nos países da Apac, o bloco da Ásia-Pacífico que inclui o Chile.

A startup desenvolveu uma plataforma que substitui o Delivery vs payment (DVP) pelo Delivery vs Delivery (DVD). Portanto, significa que ao invés de a transferência do titulo acontecer só depois do pagamento, a troca e pagamento é praticamente imediata. Tecnologia de registro distribuído permite isso distribuído. Além disso, a transação especifica o dia e a hora do começo e final da troca.

Defi para reduzir custo

A solução, de acordo com a HQLAx, reduz o custo do capital ao diminuir o risco de crédito, as demandas de liquidez intraday e os riscos operacionais. Assim, o que a plataforma faz é monetizar a liquidez. Com blockchain, faz isso de forma mais eficiente e com transparência.

“Queremos nos associar a empresas que agreguem valor a nossos clientes”, disse Brian Ruane, CEO de Clearance e Colaterais do BNY Mellon. Para Mathew McDermott, líder global de ativos digitais do Goldman Sachs, a plataforma dará mais eficiência aos mercados de empréstimos de securities e de gerenciamento de colaterais.

DeFi para imóveis

Já a Figure afirmou que o empréstimo do JP é o quinto da categoria facility que a empresa recebe. Ou seja, é um capital para operação. Com isso, totalizou US$ 1,5 bilhão. Dessa forma, o JP se junta a outros investidores de Wall Street, como o Jefferies Financial Group e outros bancos.

A empresa foi fundada em 2018, em São Francisco, por Mike Cagney, empreendedor em tecnologia e que é CEO da startup. Segundo o site da Figure, com suas soluções DeFi, atendeu mais de 20 mil pessoas e emprestou mais de US$ 1 bilhão.

“Com o empréstimo, esperamos mais crescimento sobre o avanço de 2020, tanto em volume quanto em trazer blockchain para o mercado de hipotecas”, disse Cagney. O segmento de hipotecas da Figure cresceu quase 50% por mês no ultimo trimestre de 2021.

PayPal investe em startup que calcula impostos sobre criptomoedas

A PayPal fez um investimento na startup Taxbit, que desenvolveu um software para o cálculo de impostos sobre criptomoedas. A Coinbase, maior bolsa de criptos dos Estados Unidos, também fez um aporte.

Esse é mais um dos diversos investimentos que a PayPal tem feito no mundo de criptomoedas. A fintech está se posicionando para receber e enviar pagamentos e assim, criar um diferencial em relação a seus concorrentes.

A TaxBit fica em Salt Lake City, no estado de Utah. A empresa foi fundada por profissionais do mercado financeiro, advogados e desenvolvedores de software. Segundo a startup, pessoas que têm criptos, bolsas e lojistas usam a solução.

De acordo com a empresa, a solução automatiza todo o processo de cálculo dos impostos sobre criptomoedas e ajuda os usuários a cumprirem regras de compliance.

Além do PayPal e da Coinbase, que fizeram os investimentos por meio de seus braços de venture capital, a Winklevoss Capital, que já investe na TaxBit, aportou novos recursos. A Winklevoss é dos irmãos Tyler e Cameron, que processaram Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, alegando que ajudaram a criar a plataforma de mídia social.

Softbank se associa a organização que promove uso de security tokens

O Softbank, conglomerado japonês de telecom e de investimentos em startups, se associou à Japan Security Token Association (JSTA). A instituição trabalha para o desenvolvimento do mercado de security tokens, que são emitidos em blockchain e com lastro em algum ativo ou título. Além disso, são investimentos de risco e com alguma expectativa de retorno.

O conglomerado é um dos maiores investidores em startups do mundo. Com isso, indica seu interesse em investir em empresas ligadas a security tokens ou em emitir esses criptoativos. A associação também agrega um peso significativo à JSTA. No Brasil, o Softbank investe em empresas como Loggi e Creditas, ambas unicórnios.

A JSTA foi fundada em 2019. A organização faz pesquisas e atividades sobre security tokens, um segmento que pode crescer de forma significativa nos próximos anos, desde que haja regulamentação.

Agora, a JSTA tem 10 membros regulares e 30 apoiadores. A associação também tem parcerias com as emissoras de tokens Securitize Inc. e Security Token Market LLC, ambas dos Estados Unidos, e com a Tokeny Solutions, de Luxemburgo. A associação tem o apoio de um programa da encubadora BlockchainHub.

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BTG Pactual paga segundo dividendo do ReitBZ, token lastreado em imóvel

BTG Pactual paga segundo dividendo do ReitBZ, token lastreado em imóvel

O BTG Pactual anunciou o segundo pagamento de dividendos do seu token imobiliário ReitBZ. Conforme antecipou o Blocknews em outubro, o banco esperava fazer mais uma distribuição até o final de 2020. Desta vez, o valor é de R$ 640 mil. Com o primeiro pagamento feito em julho passado, o total chega a R$ 1,094 milhão.

O banco lançou o security token, lastreado em imóveis recuperados, em fevereiro de 2019. O braço de recuperação de crédito do banco, a Enforce, gerencia o ativo. A instituição financeira faz os pagamentos de dividendos com os ganhos com esses imóveis, como venda ou valorização.

Em maio passado, o banco anunciou que criará um mercado secundário do token. O site da ReitBZ diz que o mínimo (soft cap) e o máximo (hard cap) de levantamento de recursos é de US$ 3 milhões e US$ 15 milhões, respectivamente. O investimento mínimo no token é de US$ 500.

Token em Tezos

Em relação a esse último pagamento de dividendos, o banco não informou como levantou os valores que está pagando. Em julho passado, a informação era de que com os recursos que levantou até então, comprou 323 imóveis. Desses, a instituição financeira vendeu 181 e com isso pagou os primeiros dividendos.

O banco distribui os dividendos por contratos inteligentes que rodam em blockchain. O lançamento dos tokens aconteceu na plataforma Ethereum, mas em maio passado, o banco emitiu os criptoativos na rede Tezos.

BTG Pactual foi o primeiro banco brasileiro e primeiro dos grandes bancos de investimentos do mundo a lançar um criptoativo. De acordo com André Portilho, sócio do bancco, “(Imóvel) É um investimento que as pessoas no mundo todo estão acostumadas a fazer diretamente ou por meio de um veículo. Isso, é fácil de explicar e já fazíamos operações com imóveis recuperados”.

J.P. Morgan faz primeira operação com blockchain no trilhardário mercado de recompra de títulos

O J.P. Morgan, o banco americano tradicional que mais tem mostrado interesse em blockchain, informou hoje (10) que fez a primeira transação no trilhardário mercado de recompra de títulos (repo) usando a tecnologia. Com isso, a transação aconteceu em horas, ao invés de dias. O banco vai oferecer comercialmente a solução no mercado dos Estados Unidos (EUA), um dos maiores do mundo em recompras.

A JPM Coin, moeda digital do banco, também foi usada na transação, que aconteceu entre o broker do banco e a unidade bancária. Segundo Scott Lucas, líder de mercados DLT do banco, o mercado de recompra tem algumas ineficiências técnicas. “Identificamos blockchain como forma de reduzir o perfil do risco do intraday de nossos clientes.”

O mercado de recompras – tipo de empréstimos de curto prazo – e de recompra reversa é de cerca de US$ 12 trilhões em transações, segundo dados de 2018 do Bank of International Settlements (BIS). Desse total, cerca de US$ 9 trilhões são títulos de governo. Junto com os EUA, a Europa é um dos maiores mercado onde acontecem as operações.

Mais crédito disponível

A plataforma blockchain cria oportunidades de processos e acelera o tempo no mercado, disse o J.P. Isso porque as operações, além de complexas, envolvem vários participantes. Dessa forma, há dificuldades para que esses financiamentos atendam às necessidades de liquidação intraday.

De acordo com o banco, blockchain permite que credores e tomadores do empréstimo façam transações de curto prazo em tempo real. Há ainda uma operação de acordo simultâneo, gerando a liquidez. Tanto as partes de colateral e de valores foram feitas com blockchain e na parte do dinheiro, usou-se a JPM Coin.

Outras instituições já testaram a plataforma, inclusive envolvendo o Goldman Sachs , o banco BNY Mellon como agente e outras instituições.

Serviços de moedas digitais

Mas o J.P. não para por aí. Depois criar uma unidade de negócios focada em blockchain, a Onyx, a stablecoin, a plataforma Quorum, que agora é da Consensys, onde investiu, o banco quer oferecer serviços de pagamentos e de moedas digitais para as maiores plataformas de e-commerce do mundo, segundo disse o executivo de pagamentos de atacado num evento.

De acordo com Mathew McDermott, líder lobal de ativos digitais do Goldman Sachs, “Esse é um projeto que mostra como blockchain pode resolver problemas do mundo real do sistema financeiro. Esperamos usá-lo no início de 2021.”

“A tecnologia de registro distribuído assegura que os clientes terão sua demandas de crédito atendidas e de forma rápida”, afirmou Brian Ruane, CEO do BNY Mellon Clearance & Collateral Management.

Bitz, do Bradesco, compra 4ward em semana agitada nas startups baseadas em blockchain

A semana está realmente agitada no mundo das startups com soluções baseadas em blockchain. Desta vez, foi o Bitz, carteira digital do Bradesco, que anunciou a compra da fintech 4ward.

Os outros negócios anunciados nesta semana envolveram a compra da Bit Capital, a aquisição feita pela Intelipost e os investimentos nessa startup e na bolsa digital Gavea Marketplace.

A Bitz e a 4ward não revelaram o valor e os termos da compra.

Além da 4ward, que é uma Blockchain as a Service (BaaS), a Bitz anunciou, em outubro, a compra da fintech Din Din. O Bitz foi lançado em setembro passado, de olho em clientes como os desbancarizados e em quem as vantagens das contas digitais. Essas vantagens incluem custos menores.

Backoffice para financeiras

No lançamento da carteira digital, o CEO da empresa, Curt Zimmermann, afirmou que havia em caixa R$ 100 milhões para aquisições.

A 4ward é especializada em soluções backoffice para as financeiras. Dentre esses serviços estão conciliação de operações, análise de riscos, operação de cartões e tokenização.

De acordo com nota do Bitz, Zimmermann afirmou que “a 4ward acelera a aquisição de know-how e traz um time experiente, o que é crucial para o plano de expansão da carteira digital”.

Mais de 64% dos brasileiros usa algum tipo de conta digital; 5,2% usa só banco digital

Mais de 64% dos brasileiros já usam algum tipo de conta digital. Essa é a conclusão é do Ranking de Experiência Digital em Abertura de Conta 2020, levantamento feito pela idwall, em parceria com a Incognia.

De acordo com o estudo, os clientes pesquisados, 59,1% usam bancos digitais e tradicionais; enquanto 5,2% usam apenas os digitais. No ano passado, esse percentual era de 44,6%. Veja a reportagem completa no Fintechsbrasil.

Cartão Visa corporativo na criptomoeda USDC facilitará transações para pequeno comércio

A Circle, startup que com a Coinbase criou a USDC, criptomoeda estável atrelada ao dólar (stablecoin), confirmou, nesta sexta-feira (4), que os mais de 60 milhões de pontos em 200 países da rede Visa terão a opção de uma cartão corporativo Circle Visa. Será o primeiro de criptomoedas com essa bandeira.

Com isso, as empresas poderão, por exemplo, evitar taxas de conversão de moeda estrangeira para moeda local. Essas taxas têm custo alto em especial para as pequenas e médias empresas.

Em países como o Brasil, que não permitem contas em dólar, transferências internacionais também poderão ser facilitadas com a USDC. Isso porque não é preciso ter conta bancária para armazenar a moeda. O quadro aqui em relação a contas em dólar pode mudar se e quando o novo marco legal do câmbio for aprovado. O projeto de lei 5387/2019 está parado no Congresso.

Educação para incentivar uso

Um mercado global de comércio eletrônico será capaz de identificar carteiras compatíveis com USDC em sua região, que tenham programas de cartão Visa aprovados associados a elas. O mercado poderá oferecer aos seus fornecedores a opção de receber em USDC para uma dessas carteiras”, disse a Circle em comunicado.

De acordo com a empresa, o cartão vai acelerar os fluxos de fundos, com liquidação e disponibilidade quase instantâneas.

O cartão corporativo em USDC pode, portanto, facilitar o mercado eletrônico, que sobe sem parar. E pode ainda dragar outras moedas para esse setor.

Em 2019, US$ 3,5 trilhões em vendas foram realizadas por meio do comércio eletrônico. A Visa realiza realiza US$ 11,2 trilhões em pagamentos por ano.

As empresas dizem que vão educar a rede Visa para uso dos cartões e uso de rede públicas, onde roda a USDC. Isso inclui campanhas de marketing e de produtos.

Programa de aceleração

Na quarta-feira (2), a Visa havia anunciado que permitiria às empresas de sua rede fazer e receber pagamentos em USDC e que um cartão corporativo seria lançado. O piloto dos pagamentos em USDC começam no início de 2021.

A Circle é uma das startups do programa Fast Track da Visa. Nesse programa, a bandeira de cartões permite que suas aceleradas usem a rede Visa para testes.

Segundo a startup, há 3 bilhões de USDCs em circulação no mundo e cerca de 200 milhões de novos dólares digitais líquidos são colocados em circulação e já houve 215 bilhões de transações em blockchain até 30 de novembro.

Em 2019, a Visa foi a maior rede a aprovar cartões de moedas digitais: 25 no total.

“A colaboração entre a Circle e a Visa oferecerá oportunidades significativas para expansão do uso da USDC em comércio, pagamentos e aplicações financeiras”, disse Jeremy Allaire, co-fundador, CEO e presidente da Circle.

Nasdaq só quer listar empresas com ao menos uma mulher e uma pessoa de minoria na diretoria

Fica a dica: a Nasdaq, segundo maior mercado de ações do mundo e casa de negócios de tecnologia, quer listar apenas empresas que tenham na diretoria ao menos uma mulher e uma pessoa de minoria racial ou LGBTQ. O pedido foi feito nesta terça-feira (1) à Securities and Exchanges Commission (SEC), a CVM dos Estados Unidos.

Esse é um alerta para quem pretende um dia ser listado na Nasdaq. Mas não apenas isso. É um alerta para quem precisa ou vai precisar de dinheiro de investidores. O mundo dos investimentos está tentando promover e valorizar empresas que têm políticas de diversidade.

Na Califórnia, isso é bem mais comum. Não apenas em empresas como Google e Facebook, mas até mesmo em negócios do setor financeiro.

Quem não cumprir, está fora

Segundo o The Wall Street Journal, a Nasdaq fez uma pesquisa e descobriu que menos de 25% das cerca de 2,8 mil empresas listadas atendem a esse requisito. Em torno de 85% tem uma mulher na diretoria, mas não tem a outra diversidade que será exigida se a SEC aprovar o pedido.

E quem não cumprir a norma? Terá de ter uma boa explicação a dar para a Nasdaq, do contrário, será excluída da bolsa.

Como a Nasdaq é referência global em bolsa, se adotar essa medida, o efeito pode ser também em outros países. Isso porque muitas das empresas que lista têm negócios em outros países, inclusive algumas são brasileiras, como XP e Stone.

Visa permitirá pagamentos com criptomoeda USDC em sua rede global de 60 milhões de pontos

A Visa reforçou hoje (2) que está investindo para valer em blockchain e criptomoedas. A empresa anunciou que sua rede global de 60 milhões de negócios será conectada à criptomoeda plataforma da moeda digital U.S. Dollar Coin (USDC), na rede Ethereum. Isso significa que eles poderão aceitar e fazer pagamentos nessa moeda estável (stablecoin), que é atrelada ao dólar e foi criada pela Circle Internet Financial.

Esse anúncio ajuda a elevar para um novo patamar o uso de criptomoedas no comércio, já que a Visa é uma das maiores empresas de pagamentos do mundo, operando em 200 países e realizadando US$ 11,2 trilhões de pagamentos por ano.

“Estamos seguindo o crescimento das stablecoins nos últimos dois anos e estou muito animado com a Visa fazer uma parceria com a Circle para ajudar a conectar a USDC à nossa rede global”, disse o responsável por criptoativos na Visa, Cuy Sheffield em post no seu perfil no Twitter.

Com isso, a Visa coloca ainda mais os pés no mundo das criptomoedas e acelera o negócio da Circle, empresa que faz parte de seu programa Fast Track. Esse programa dá apoio a fintechs e inclui acesso à rede da empresa. Sua participação no programa deve ir até 2021.

A partir daí, a Visa vai emitir cartões de crédito que permitam aos negócios fazer ou receber pagamentos em USDC diretamente com o cartão. “Será o primeiro cartão corporativo que vai permitir aos negócios gastar em USDC”, disse Sheffield à Forbes, que publicou o anúncio em primeira mão.

A USDC tem uma capitalização de mercado de US$ 2,96 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões). Esse valor é calculado multiplicando-se a cotação da moeda pela sua quantidade disponível no mercado. Bitcoin, a maior criptomoeda, tem um mercado de US$ 350 bilhões, porém, não é atrelada a nenhum ativo, portanto, não é considerada stablecoin.

Segundo a Forbes, a Visa não fará a custódia da moeda. Já a Circle vai ajudar a empresa a escolher quem serão os emissores de cartões de crédito da bandeira Visa que começarão a usar o software da USDC em suas plataformas e poder operar pagamentos com a criptomoeda.

A outra parte do projeto é que as empresas possam enviar pagamentos internacionais em USDC para outras empresas que usem Visa. Assim, poderão usar os recursos em qualquer comércio que também esteja conectado à gigante de pagamentos, depois que a USDC for convertido na moeda local. Esse projeto, mais tarde, avançará para o cartão corporativo.

Dentre os anúncios relacionados a blockchain e criptomoedas feitos pela Visa até hoje, um deles foi o investimento de US$ 40 milhões na Anchorage, que foca em armazenamento de ativos digitais para investidores institucionais. O investimento aconteceu em 2019.

A Visa acredita que o serviço da Anchorage será útil para os bancos centrais, se e quando emitirem suas moedas digitais, as CBDCs. A Visa também tem conversado com os bancos centrais sobre essas moedas.

Neste ano, a empresa também pediu a patente, nos Estados Unidos, para uma moeda fiat digital, ou seja, a digitalização de moedas de bancos centrais. Isso seria feito num computador central, que replicaria os dados de notas e moedas na moeda digital, mas com registro em blockchain.

Além disso, a empresa já tem em curso um sistema de transferências internacionais enter empresas que usa blockchain, o B2B Visa. O foco são as transações de mais de US$ 15,000 (cerca de R$ 90 mil), que representam perto de 10% de um mercado total de U$125 trilhões (R$ 750 trilhões).

“Redes blockchain e moedas estáveis são apenas redes adicionais. Por isso, achamos que têm um valor significativo para a Visa fornecer isso isso aos nossos clientes”, afirmou Sheffield.

Já há 25 provedores de carteiras de criptomoedas no programa Fast Track e todos podem agora fazer testes com a integração com a USDC.

A empresa estima que sejam feitos U$120 trilhões de pagamentos em cheques e de forma instantânea no mundo a um custo de até US$ 50. Usando a USDC, a transação dura 20 segundos e pode sair quase de graça, disse Sheffield.