Privacidade em blockchain é para segurança e controle de dados pelo usuário e não para crimes, lembram especialistas

ZCon Voices Brasil, primeiro versão do evento fora dos EUA.

Muitos vezes associada a uso criminoso, a privacidade nas redes blockchain tem um papel primordial de proteção dos dados pessoais, segurança e controle de suas informações pelo próprio usuário das redes. Enquanto governos, bancos e empresas têm suas privacidades garantidas, a sociedade é muitas vezes educada a viver sob vigilância total, sem que isso seja visto como um problema. Esses foram alguns dos pontos discutidos durante o Zcon Vozes Brasil no final de semana, no Rio de Janeiro, evento promovido pela ZCash, blockchain de privacidade.

Marcos Lustosa, responsável pelo marketing da CoinEx, a comunidade precisa ter consciência da importância da privacidade e a responsabilidade que as pessoas devem ter com seus próprios dados. “Embora as pessoas ainda prefiram a comodidade em detrimento da privacidade, o volume de negociações de criptoativos em exchanges descentralizadas representa menos de 10% do volume total do mercado. Isso indica que há muito trabalho a ser feito para aumentar a conscientização sobre a privacidade e expandir as oportunidades no setor”.

 De acordo com a diretora executiva do projeto Tor, Isabela Baguero, o navegador tem sido fundamental para ajudar pessoas que sofrem com a censura em seus países. E citou como exemplo o Irã, onde muitos, principalmente as mulheres, só conseguem se conectar à internet por meio do Tor. Além disso, mencionou que em alguns países africanos, as mulheres não têm permissão para frequentar faculdades. Por isso, usam o Tor para fazer os cursos.

Ao ser questionada sobre o uso criminoso das redes privadas, Isabela defendeu que não se deve culpar a tecnologia pelos atos de indivíduos mal-intencionados. E ressaltou que proibir ou criminalizar o acesso à tecnologia é uma solução superficial para o problema. O importante, afirmou, é que a tecnologia foi criada para beneficiar a sociedade como um todo e não apenas alguns indivíduos.

O uso da tecnologia deve ser responsável e para promover a privacidade e a liberdade de expressão, além de combater a censura e a opressão, disse ainda Isabela O Tor tem sido bastante noticiado como um misturador de criptomoedas usado por criminosos e que, por isso, passou por diversas ações de governos contra o serviço.

A privacidade também pode ajudar a suprimir problemas que existem em Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs), como o “suborno on chain” pelas chamadas baleias. Isso significa que quem pode, compra tokens para ter uma grande quantidade de votos para influenciar as decisões da DAO. A governança dessas organizações é falha, afirmaram Guiriba, pesquisador da Paradigma Research, e João Pedro Kury, contribuidor do Bankless Brasil.

Em linha com o tema, os participantes do evento podiam escolher dois tipos de crachás. Um deles era para quem permitia ser filmado e outro para quem preferia manter a privacidade. Essa iniciativa mostrou a importância de respeito e proteção aos dados pessoais em um mundo cada vez mais conectado.

O Zcon Vozes Brasil foi o primeiro evento da Zcon fora dos Estados Unidos (EUA), que nasceu em 2016 e já é um evento estabelecido naquele mercado. Neste ano haverá uma edição em Barcelona.

*Larissa Barros é CEO e fundadora da Agenda Crypto, parceira de conteúdo do Blocknews. O endereço da Agenda Crypto agora é www.agendacrypto.xyz

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *