Núclea e BEE4 se unem para expandir mercado de capitais tokenizados de PMEs

Executivos e conselheiros da BEE4 e Núclea.

A BEE4, único mercado de balcão regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil para ações, dívidas e derivativos tokenizadas e de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), e a Núclea, sua investidora majoritária, estão se integrando para oferecer produtos e serviços de forma conjunta. As empresas continuam separadas, inclusive no uso de suas infraestruturas de blockchain. Mas, estão próximas na área comercial, por exemplo.

Com o Regime Fácil, divulgado nas Resoluções 231 e 232 de 2025, a CVM simplificou o acesso a capital e a listagens de empresas com faturamento bruto de até R$ 500 milhões. Como entra em vigor em março deste ano, é alta a expectativa da BEE4 e da Núclea por um avanço desse mercado de PMEs no longo prazo.

O motivo é simples: PMEs respondem por 30% do PIB, portanto algo como R$ 3,5 trilhões. Além disso, há uma estimativa das empresas com faturamento anual de R$ 10 milhões a R$ 500 milhões, que é o que a BEE4 está olhando, 380 mil elegíveis. E para completar, o Regime Fácil abre espaço para a participação de trilhões de reais em fundos de investimentos que procuram onde alocar esses recursos.

A vez das PMEs

Até agora, as PMEs nunca tiveram a chance de captar recursos no mercado de capitais a juros mais acessíveis com as facilidades que o Regime Fácil e também a tokenização estão entregando. O BNDES também está se movendo no mesmo sentido.

E isso vale tanto para o que se refere a queda de custos dos processos – hoje igual ao de grandes empresas, de R$ 5 milhões a 10 milhões – e prazos para o emissor, quanto a mais segurança e opções disponíveis para o investidor.

Aliás, a própria BEE4 ajudou a construir as regras ao buscar abrir esse mercado de ações de PMEs no Brasil. Tanto que depois de sua “provocação” da CVM em 2018, participou do sandbox regulatório da Comissão com seu projeto que começou com oferta e tokenização das ações de PMEs.

A Núclea oferece infraestrutura para captação bancária com instrumentos como CDB e LCA, e com títulos de crédito, como duplicatas mercantis, recebíveis e derivativos e serviços de registro, enquanto a BEE4 está em ações e dívidas corporativa como notas comerciais e debêntures.

Prateleiras complementares

De acordo com Patrícia Stille, cofundadora e CEO da BEE4, “mais a prateleira (da BEE4 e Núclea) combinam, mais incentivos as PMEs têm de participarem do mercado”. Ricardo Dias, diretor de Novos Negócios da Núclea, afirma que as duas marcas “são complementares nos produtos e serviços”. E ambos dizem que isso agrada ao mercado.

A Núclea, antiga CIP e de propriedade de 48 bancos, processa cerca de 30 bilhões de operações por ano. Entre elas, as de todos os registro de boletos no Brasil e de cerca de 75% da liquidação de cartões de débito e crédito. Assim, também oferece infraestrutura de pagamentos para PMEs, completou Joyce Saika, Vice Presidente de Finanças, Relações Institucionais e Jurídico da Núclea.

Em blockchain, criou a Nuclea Chain, uma infraestrutura para tokenização de ativos e recebíveis. Foi um passo para conectar finanças tradicionais, em que sempre atuou, e a de ativos digitais. Nesse campo, já realizou operações com nativas em blockchain como AmFi e Zuvia.

A Núclea opera sua própria infraestrutura blockchain, que criou em 2020, portanto antes de a sócia chegar em 2022. Na BEE4, blockchain está na tokenização e representação de ativos numa rede permissionada. Também está no controle de titularidade, com carteiras digitais individualizadas por investidor, que o balcão cria e gerencia na DLT. No período pós-negociação, a DLT é usada para automatizar e dar transparência às operações.

Além da Núclea, o sócio da BEE4 é o Grupo Solum, que Patrícia, Rodrigo Fiszman, sócio-cofundador e presidente do conselho da BEE4 e outros sócios criaram.

Mar não está para IPO

A realidade do mercado brasileiro de IPOs é de baixa, com os juros altos e instabilidades pela frente com o cenário geopolítico global e as eleições deste ano no Brasil. Assim, a aversão ao risco deve continuar em 2026. Mas, quando os juros caírem para um dígito, por exemplo, o interesse pode retornar, segundo Fiszman.

O executivo afirmou que mesmo num cenário não muito favorável, a BEE4 lançou 4 empresas nos últimos anos. Uma delas, a Mais Mu, depois levantou recursos com o b tomorrow ventures (BTV), fundo de capital de risco da BAT (British American Tobacco), que a avaliou em R$ 125 milhões.

A questão é que no centro do otimismo da BEE4 está a mudança regulatória com o Regime Fácil. Que foi o que não aconteceu quando a Bovespa – hoje B3 – lançou o Bovespa Mais. Houve queda de taxas para as empresas na bolsa, mas exigências regulatórias e outros custos continuaram o mesmo. Assim, foi um começo, mas não ganhou escala.

Agora, mesmo que o mercado ainda precise esperar o Regime Fácil entrar em vigor em 16 de março próximo e ganhar escala, em ações, o que é possível fazer é se preparar, diz Fiszman. E aí entra o programa Rota Fácil BEE4.

Rota Fácil

Para acelerar o desenvolvimento do mercado de PMEs, a BEE4 criou o Rota Fácil primeira edição de uma
iniciativa inédita no Brasil. A empresa escolheu 15 das candidatas que se inscreveram para o programa e passarão por um diagnóstico.

Dessas, 10 terão subsídio para preparação e listagem no mercado de capitais pelo Regime Fácil. Haverá gravação de um reality show que posteriormente estará na canal BM&C. Os jurados serão Gustavo Cerbasi, consultor financeiro, Luciana Wodzik (CEO da Arezzo), Renata Vichi (CEO da Kopenhagen) e Rogério Salume (fundador da Wine).

A seleção inclui as empresas 3E Eficiência Energética, Arrazantty, Escad, Glux, Grupo RAO, Habitare, Kinase – Stoque, Plastifluor, Safertrip, Santa Angela, Sementes e Esperança, Tutors, Vapza Alimentos, Vellore e Wittel Comunicações.

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