Lemon Cash prevê lançar operação no Brasil até junho

Marcelo Cavazzoli, fundador da Lemon Cash, quer simplificar acesso a criptomoedas. Foto: Lemon Cash.

“Queremos que as pessoas comprem um coco na praia com cripto usando Pix”. É assim que Marcelo Cavazzoli, fundador e CEO da carteira Lemon Cash, definiu ao Blocknews o que espera do mercado brasileiro. A startup argentina está se instalando aqui. Por isso, uma das ações em curso é integrar seu produto com o sistema de pagamentos instantâneo do Banco Central (BC). Mas, o primeiro produto no mercado poderá ser o cartão que opera com cripto e real, até o final de junho.

A Lemon Cash foi fundada em 2019 na Argentina, mas em dezembro passado mudou a custódia das criptomoedas para a Lanin Pay, de El Salvador. De janeiro a início de abril de 2022, foi o aplicativo de criptomoedas mais baixado na Argentina de janeiro a início de abril de 2022, segundo a Statista. Isso porque respondeu por 35% dessas operações de um total de 2,4 milhões, contra 10% da Binance, segunda colocada. Também já chegou a ser o aplicativo mais baixado do país, à frente do WhatsApp e Instagram. Segundo Cavazzoli, o aplicativo está integrado com todo o sistema bancário e de fintechs da Argentina.

Hoje, há brasileiros usando a versão beta que é fechada. O primeiro produto que pode entrar em operação no Brasil em maior escala pode ser o cartão, afirmou Cavazzoli. A bandeira ainda não está definida. “Estamos fazendo agora quatro estratégias sobre com qual audiência começaremos e com qual produto. No momento, a mais validada é o cartão cripto”, disse ele. Na Argentina, o cartão é Visa, permite pagamentos em cripto e moedas fiduciárias (oficiais), troca entre criptos – bitcoin, ethereum e USDT e 2% de cashback em bitcoin sobre as compras. A previsão é começar a oferta no Brasil no final de junho com quem estiver numa lista de espera.

Cavazzoli estava em Nova York quando falou com o Blocknews, na semana passada, onde busca levantar novos recursos, agora numa série B, para a expansão da startup no Brasil. A Lemon Cash já passou por uma rodada série A, em julho de 2021, em que levantou US$ 16 milhões. Dois dos investidores foram o fundo brasileiro Valor Capital e a Coinbase Ventures. O Valor investe em outras empresas do setor como Bitso, Parfin, Hashdex, Celo, Circle e Coinbase . O cofundador da Lemon Cash não revelou o valor que espera levantar nessa próxima série.

De acordo com Cavazzoli, que morou no Brasil dos 11 aos 16 anos, a Lemon Cash vai disputar o mercado brasileiro longe das exchanges que já estão aqui e das que dizem que vêm. Para isso, a estratégia para o Brasil é atrair quem está começando no mundo cripto. As duas maiores corretoras da América Latina, Bisto e Mercado Bitcoin, “são para traders. Não para pessoas usarem no dia-a-dia, para o brasileiro que vai trabalhar e carrega seu dinheiro. Nosso produto é uma fintech tradicional com cripto. E hoje não tem um player dando essa solução.” Seu objetivo é ter de 200 mil a 300 mil usuários em três meses no Brasil.

A Lemon Cash, segundo ele, é uma empresa com foco em nicho. Mas que busca aliar o mundo tradicional com o de cripto, o que chama de nova forma do dinheiro. O CEO não dá detalhes da estratégia para abocanhar mercado no país, só diz que uma característica da startup é ser “cool” (legal, descolada), de janeiro a início de abril de 2022 e 100% viral. “Tem gente na comunidade com tatuagens da Lemon”. de janeiro a início de abril de 2022. “Ser cool é o mais difícil. Em três a quatro meses posso contar como vamos fazer isso aqui”. Na Argentina, que tem 45 milhões de habitantes, há dias em que faz de 20 mil a 30 mil dia transações por dia. Isso equivale ao que fez em um ano, completa Cavazzoli. Em janeiro passado, tinha 26 mil contas.

No Brasil, afirma, “as comunidades são mais virais”. Isso, aliado ao fato de o Brasil ser um maior do que o vizinho, que tem uma população de 45 milhões de habitantes, deverá tornar o país um mercado maior do que o argentino para a startup. Mas, um dos obstáculos a superar é conseguir contratar gente, um problema para outras statups do setor. O objetivo é ter 60 pessoas em 2022 – hoje são apenas quatro. No site da Lemon há anúncio de duas vagas no Brasil. Uma é para gerente de comunicação e outra para analista de pessoas.

Martel Seward, o outro fundador da Lemon Cash, disse recentemente que o crescimento no Brasil será orgânico, ou seja, não se pensa em compras empresas. E Cavazzoli diz que por enquanto, a empresa vai se concentrar em crescer aqui, deixando outros mercados da América Latina para mais tarde.

Na Argentina, por conta das instabilidades do peso, a adoção de criptos foi, aparentemente, mais rápido do que no Brasil. “Porém, para nossa surpresa, os argentinos preferem bitcoin e ethereum a stablecoins. “A gente acha que as pessoas querem dólar para se resguardar da  inflação. Achamos que no Brasil vai ser igual. Vão preferir investimento em criptos e resguardo da inflação”, afirma Cavazzoli. Aqui, as criptos são mais usadas como investimento do que pagamento, segundo o Banco Central.

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