Insurtech Lemonade e seguradora Hannover Re criam seguro em blockchain para agricultores de países emergentes

Seguradoras e protocolos criam novo modelo de negócios para beneficiar agricultores.

A insurtech Lemonade e protocolos blockchain anunciaram uma iniciativa seguro contra danos climáticos para agricultores vulneráveis em mercados emergentes, que vai usar blockchain e criptomoedas. Isso tudo deverá rodar na Organização Descentralizada Autônoma (DAO) Lemonade Crypto Climate Coalition (Coalizão Cripto de Clima Lemonade). A promessa é a de que o produto será acessível a esses agricultores.

A Lemonade é dos Estados Unidos (EUA) e opera também na Europa. É toda online e já está na Bolsa de Nova York.

O modelo do seguro para os agricultores é o de transferência de risco paramétrico, algo em crescimento no setor em alguns mercados. Nesse caso, se pré-define quais eventos podem levar ao pagamento do seguro – por exemplo, vendavais a uma determinada velocidade, porque essa é a característica da região de cobertura – e o valor da cobertura.

Já os seguros tradicionais pagam indenizações costumam ser mais amplos na cobertura e pagam se há perdas. Esse novo tipo permite um seguro mais específico para cada caso e pode ser também mais barato.

De acordo com Daniel Schreiber, diretor da Fundação Lemonade, responsável pela criação da coalização, o projeto usa uma DAO ao invés de uma empresa tradicional de seguros, contratos inteligentes ao invés de apólices de seguros, e oráculos, – ou seja, soluções que enviam dados externos a redes blockchain ou a contratos inteligentes, como um instituto de dados de clima -, ao invés de profissionais de sinistros.

Assim, esperamos aproveitar os aspectos de comunidade e de descentralização da web3 e os dados em tempo real sobre o clima para entregar um seguro climático acessível financeiramente e instantâneo para quem precisa”, completou Schreiber.

A coalizão inclui Avalanche, Chainlink, DAOstack, Etherisc, Pula e Tomorrow.io. Além disso, tem a resseguradora global Hannover Re. O seguro climático vai ter uma stablecoin (moeda estável) numa aplicação descentralizada na Avalanche. O protocola usa proof-of-stake, portanto, mais amigável do ponto de vista ecológico do que o proof of work do bitcoin.

Os agricultores poderão comprar o seguro climático em blockchain por celular, em moedas estáveis ou locais. A indenização também é por celular. O teste começará na África ainda neste ano, isso porque estima-se que haja 300 milhões de pequenos agricultores. “A maioria enfrenta riscos climáticos reais. E os seguros tradicionais, baseados em indenização, em geral, não estão disponíveis ou com preços acessíveis a eles”, disse Rose Goslinga, co-fundadora da Pula. A startup é uma insurtech na África.

No futuro, a coalização espera que investidores criptos deem fundos para o pool de liquidez da DAO. A fundação está dando o capital inicial para os contratos inteligentes. Assim, poderiam dar suporte aos prêmios (o que o comprador paga à seguradora) registrados ou ressegurar o pool.

Para a Lemonade, as DAOs podem ter um formato de veículo de propósito especial que recebem ativos ligados a seguros ou recursos de capital do mercado.

O setor de seguros é um dos mais promissores para blockchain, visto que envolve muitas partes, informações sensíveis e é pouco digitalizado. Mas, a regulação nos diferentes países precisa permitir novos modelos. No Brasil, a 88i começou testando blockchain, mas parou e pretende voltar a usar.

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