Holding do consórcio blockchain Marco Polo entra com pedido de insolvência na Irlanda

Marco Polo tem foco em financiamento de comércio exterior.

Com dívidas que somam US$ 5,2 milhões de euros (cerca de R$ 29 milhões), a holding da rede Marco Polo, um consórcio que usa blockchain para operações de financiamento do comércio exterior, entrou com pedido de insolvência na justiça da Irlanda onde está baseada. Assim, será liquidada. O Bradesco chegou a usar a rede, que foi lançada em 2016 para acelerar os processos na área, conhecidos por usarem bastante papel, emails, tempo e custos.

Esse é a terceira operação do tipo que jogou a toalha recentemente – as outras foram a we.trade e a TradeLens. A we.trade fechou em junho de 2022 e era uma parceria entre IBM e doze bancos europeus, com licença de 16 bancos atuando em 15 países. A TradeLens fechou em novembro de 2022, após a Maersk e a IBM anunciarem que a operação não atingiu viabilidade comercial. Num outro segmento do comércio exterior, mas sem ser um consórcio de blockchain, houve também o fechamento da plataforma Serai do HSBC, em junho passado.

No entanto, continuam em operação iniciativas em blockchain como a Contour e a Covantis, essa último com foco em questões burocráticas e de logística do comércio de grãos.

De acordo com a Marco Polo, na última quarta-feira (22) a justiça nomeou a Interpath Advisory para cuidar da liquidação da Marco Polo Network Operations (Ireland) Limited, a ex-TradeIX. A audiência será no próximo dia 6 e se limita à instituição na Irlanda. O patrimônio da Marco Polo é de 2,5 milhões de euros, portanto de pouco menos da metade de suas dívidas. E seu maior credor é a Receita Federal do país, de quem tem 2,6 milhões de euros a receber. Seu modelo de negócio inclui licenças e taxas por transações na rede.

Segundo o jornal Irish Examiner, o pedido aconteceu depois que falhou uma negociação para o Bank of America injetar US$ 12 milhões no consórcio. O banco é membro da Marco Polo e estava discutindo substituir seu serviço interno de automação de contas pelo da Marco Polo. Mas, segundo o consórcio, o banco americano desistiu de fazer o investimento depois da crise de iniciativas baseadas em blockchain entrarem em crise em 2022. Depois disso, os acionistas da rede também decidiram que era melhor fechar as portas.

A empresa surgiu de um acordo entre a TradeIX, empresa de tecnologia, e a R3, fornecedora da solução Corda. Desde o início, a Marco Polo sofreu com a dificuldade de entrar em produção. A data era o início de 2019, mas isso só aconteceu no final de 2020 com os serviços de descontos de recebíveis e de pagamentos.

O consórcio Marco Polo tem braços no Reino Unido, Estados Unidos (EUA) e Singapura e 91 funcionários. A notícia da insolvência acontece cerca de um mês depois que o grupo anunciou dois diretores de vendas, um para a Europa e outro para os EUA. Em outubro, contratou um novo Chief Technology Officer (CTO) que tocou o projeto do Supplier Pay, uma nova solução de pagamentos, com foco inicial no mercado norte-americano. Há informações de que vários diretores foram demitidos no Reino Unido.

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