Fuse Capital tem novos sócios, incluindo Transfero, e mira operações em outros países

Sócios fundadores da Fuse (da esq. para a dir.): Guilherme Hug, Alexis Terrin, João Zecchin e Dan Yamamura. Imagem: Fuse.

A Fuse Capital, venture capital com foco em startups web2.5, ou seja, que aliam operações tradicionais e tecnologias emergentes, tem novos sócios: a Transfero, com a qual criou a joint venture BRX Finance, Louis de Sègur de Charbonnières e Alejandro Rebelo. Um dos objetivos com os novos sócios é reforçar a estratégia da gestora de atuar em outros países.

A BRX Finance vai focar no desenvolvimento de produtos e serviços para a web3 e que já conta com licenças para emissão do BRZ. Essa é a stablecoin pareada ao real da Transfero. Na avaliação das empresas, três fatores foram fundamentais para a joint venture: o sistema financeiro desenvolvido do Brasil; a demanda reprimida, com grande parte da população brasileira ainda sem acesso aos principais produtos financeiros; e a abertura que o Banco Central tem dado às inovações para o setor, como o Drex.

“O Brasil tem aproveitado bem esse momento e começou a liderar esse processo de transformação da infraestrutura do sistema financeiro. Neste cenário, vemos essa oportunidade como única para acelerar o desenvolvimento de soluções dentro da infraestrutura de blockchain”, afirma João Zecchin, sócio da Fuse e cofundador da BRX ao lado do sócio Dan Yamamura.

Para Claudio Just, CEO da Transfero, a criação da BRX promete ser um passo importante para o avanço das empresas brasileiras no cenário de DeFi global.  “Na Transfero, vemos a BRX Finance como um passo gigantesco rumo ao futuro das soluções em DeFi. Escolhemos começar o foco da BRX no Brasil. Apesar disso, temos certeza de que os produtos criados oferecem soluções que atendem também às necessidades do mercado internacional”, completou.

Louis de Ségur de Charbonnières criou e administra o Enseada Family Office (BR) e o Time Family Office (UK) e nos últimos 20 anos coordenou investimento em vários venture capital e private equities nos segmentos de saúde, consumo, bem-estar e tecnologia. Além disso, foi do board da SulAmérica e, hoje, integra o da Rede D’Or São Luiz.

Rebelo, por sua vez, vai agregar suas conexões globais que cultivou em mais de 25 anos de carreira em bancos de investimentos. Nesse tempo, aproximou investidores e empresas da América Latina a pessoas e empresas do resto do mundo, com foco especial para clientes de tecnologia. O executivo já passou por empresas como a norte americana Canacord Genuity, a XP Securities e as americanas StoneX e Bulltick Capital Markets.

“Tanto o Louis, quanto o Alejandro, têm total sinergia com o objetivo da nossa empresa de relacionar o futuro da internet com várias outras verticais de negócios, solucionando problemas do dia a dia e em escala global, fundamental para a evolução da nossa tese de investimento na web 2.5”, comenta Yamamura. Para o VC, Charbonnières vai reforçar a busca da Fuse em investimentos em web3 com visão de longo prazo e retorno aos stakeholders. 

“A ideia de web3 já traz, em si, impactos positivos na sociedade, a partir da ampliação do acesso de mais pessoas a inúmeros produtos e serviços. Veja, por exemplo, como as fintechs já proporcionaram inclusão financeira na América Latina e África. Nesse sentido, iniciativas em blockchain são o próximo passo para ampliar essas fronteiras”, disse Charbonnières, no anúncio global de sua entrada na Fuse.

“O Brasil está numa posição privilegiada em termos de inovação em cripto e web3. Há um cenário regulatório favorável, uma população continental para testes em escala e problemas históricos à espera de soluções tecnológicas. É uma tempestade perfeita para atrair investidores de todo o mundo”, diz afirmou Rebelo.

Com esse reforço, a Fuse espera ganhar relevância e escala em um mercado que só cresce. Em 2022, startups de web3 levantaram globalmente um total de US$ 7,16 bilhões em investimentos, segundo relatório da Metaverse Post.

Isso é um valor US$ 4,5 bilhões maior se comparado com 2021, ou seja, um crescimento de mais de 50%, mesmo em um período chamado de “inverno cripto”. No Brasil, o cenário é ainda mais otimista com as iniciativas do Banco Central com o Drex.

Kona Finance

A BRX nasce de uma complementaridade das operações da Fuse Capital e da Transfero, disseram os executivos. Enquanto a Fuse Capital tem uma maior capacidade de desenvolvimento, criação e uso de novas tecnologias, a Transfero tem a maior infraestrutura do mercado visando a tokenização de ativos (RWA) para conectar o mundo real ao digital.

O primeiro produto desenvolvido pela parceria foi a plataforma de crédito Kona Finance, que é voltada para PMEs que tenham receitas como fluxos de cartões, boletos e demais ativos para dar como garantia ao adiantamento para financiar a operação. “Há uma série de necessidades do sistema financeiro que serão atendidas com o desenvolvimento de infraestruturas mais leves e sem intermediários por meio do blockchain”, diz Zecchin.

Além do Kona, a joint venture já trabalha na criação de novas soluções para incrementar o ecossistema financeiro em blockchain. Entre os planos da BRX está o lançamento de uma plataforma voltada a rendimento de stablecoin por meio de smart contracts, e uma solução que visa gerar maior estabilidade de performance aos investimentos realizados.

Além de investimentos, a Fuse está oferecendo fontes alternativas de capital a seus empreendedores, além de rendimentos aos LPs. Seu portfólio inclui, por exemplo, a Hashdex, a Arthur, mineradora que usa flare gás como fonte de energia, e a Illios, startup que expande a rede Helium no Brasil, dando retorno financeiro em criptomoedas aos investidores. Além disso, é investidora na Credix, que faz uma ponte entre DeFi e CeFi para financiamento de fintechs. Atualmente a gestora está captando seu segundo fundo, cujo foco será exclusivamente na tese de web2.5.

A Transfero é uma empresa global de soluções financeiras descentralizadas, baseadas em tecnologia blockchain. A sede é Crypto Valley, na Suíça, mas tem presença no Rio de Janeiro e outros oito países. A BRZ Token é a primeira e a maior stablecoin pareada ao real.

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