A SLC Agrícola, um dos maiores grupos agrícolas do país, e a fintech maranhense Culte devem lançar neste mês o que dizem ser primeiro metaverso agro no Brasil. O que a Culte está desenvolvendo é um ecossistema de apoio ao agronegócio familiar, seu foco de atuação. Chamado de Culteverso, o ambiente deve começar oferecendo trilhas de treinamento para os agricultores, ferramentas de interação e espaço para feiras agrícolas.
A Culte é uma fintech com foco em empréstimos para agricultores. Isso inclui o uso de bitcoin como garantia dos contratos. Além disso, navega pelo mundo blockchain vendendo tokens não-fungíveis (NFTs) e com seu próprio token, o Cultecoin. A startup faz parte do Programa Venture Builder da SLC Agrícola.
Bianca Rugeri, fundadora da Culte, lembra que também é possível usar o metaverso para ações como anúncios em outdoors, patrocínios de eventos e reprodução de vídeos nos espaços das empresas ou nas ruas do Culteverso. De acordo com o head de Inovação da SLC Agrícola, Frederico Logemann, o projeto da Culte nessa primeira edição do Venture Builder já dá uma ideia do potencial que o programa pode atingir. “Essa parceria com a Culte será marcante para o agronegócio”, afirma.
A SLC Agrícola produz soja, algodão e milho, além de criar e de produzir e comercializar sementes de soja e algodão. Foi uma das primeiras empresas do setor a ter ações negociadas em Bolsa de Valores. A matriz é em Porto Alegre, mas tem 23 unidades de produção. Na safra 2021/2022, sua produção somou 672,4 mil hectares plantados.
Culte já participou do Lift Lab
Já a Culte nasceu de uma percepção de Bianca e de seu marido, Claudio Rugeri, sobre a falta de recursos para a agricultura familiar. Há 22 anos o casal comprou uma fazenda no Maranhão, onde plantam arroz irrigado. Na região da fazenda viram que os agricultores vizinhos não tinham recursos para investir. Muitos não tinham CPF, não havia agências bancárias, mas burocracia tinha de sobra. Por isso, se juntaram a alguns amigos e deram financiamentos que mesmo pequenos, mudaram a realidade das famílias. Isso durou cerca de cinco anos.
O tempo passou e há cerca de 5 anos, depois de viagens pela Europa, onde a agricultura familiar tem recursos, e do aparecimento das criptomoedas, viram a oportunidade de conectarem pequenos produtores e financiamentos por meio de blockchain. A Culte já entrou para o LIFT Lab, programa de inovação da Federação Nacional de Servidores do Banco Central do Brasil (Fenasbac).