Cripto-banco Juno, dos EUA, anuncia operação no Brasil como Velo para oferecer conta em dólar com stablecoin

*Reportagem atualizada às 12h14 de 26.6.24 com informações sobre efeito da falência da Synapse na Velo.

A Juno, plataforma dos Estados Unidos (EUA) que funciona como uma banco digital cripto-nativo, anunciou hoje (25) sua chegada ao Brasil. Aqui, vai operar com o nome Velo, porque Juno foi a fintech que o Ebanx comprou em 2021 e depois colocou à venda. Vai oferecer para os brasileiros conta em dólares e um número identificador de banco (routing number, em inglês) , portanto com o uso da stablecoin USDC, concorrendo com serviços similares de fintechs como Wise, Nomad, C6 e PayPal. O anúncio acontece em meio aos impactos em sua operação com a falência da Synapse, sua provedora de serviços bancários.

A startup usava os serviços da Synapse, uma empresa “middleware”, ou seja, que provia serviços que permitiam à Juno oferecer seus serviços bancários. Cerca de 100 startups foram afetadas pela falência, anunciada em abril. Por conta disso, a Juno tem agora a Jiko como provedora. Ontem, a fintech informou que ainda há recursos da Juno e de clientes presos na Synapse. A empresa disse ao Blocknews que essa situação não tem impacto sobre sua operação no Brasil.

A Juno foi fundada em 2019 por um grupo de empreendedores indianos, mas com foco nos EUA, onde tem 400 mil clientes. Levantou até agora cerca de US$ 21 milhões, segundo o Tracknx, Entre os investidores estão o Sequoia Surge e a Polychain.

No Brasil, terá como parceiros a Caliza e operará com BTG Pactual e Genial, Sua meta é bastante ambiciosa para um mecado em que já há concorrentes bastante conhecidos: quer ter 500 mil clientes em até 12 meses, disse ao Blocknews o cofundador e CEO, Varun Deshpande, em conversa exclusiva há alguns dias. A equipe planeja investir de US$ 3 milhões a US$ 5 milhões no país em dois anos.

Aqui, sob o nome Velo, a fintech afirma que vai permitir que usuários recebam a moeda norte-americana por meio uma câmara de compensação automática (ACH), que intermedia a transferência, ou por transferência direta (Wire). Os recursos vão para a carteira de auto-custódia. O aplicativo está na Apple Store e em breve deve haver uma versão para Android. A seguir, a conversa do Blocknews, há alguns dias, com Deshpande:

BN: Por que o interesse no Brasil e quais são as expectativas para os próximos 12 meses no que diz respeito a clientes?
VD: Os brasileiros, agora mais do que nunca, estão procurando por uma maneira de acessar mercados financeiros globais e guardar seu dinheiro. Ao armazenar fundos em stablecoins equivalentes ao dólar, os brasileiros podem se proteger contra flutuações do real. Como uma das maiores economias da América Latina adotando o dólar norte-americano, estamos muito felizes sobre a oportunidade no Brasil. Esperamos conquistar 500 mil clientes no país no próximo ano.

BN: Por que investir em um mercado onde a competitividade está bem estabelecida no mercado de cripto? Quais serão os diferenciais da Velo?
VD: A Velo é a única conta em stablecoin com dólar por trás disponível no mercado brasileiro. Ao fornecer os usuários com a capacidade de economizar seu dinheiro em equivalentes ao USD, oferecemos a menor taxa de IOF da indústria, de 0,38% em conversões combinadas com depósito instantâneo ou métodos de transferência.

BN: Quem são os parceiros da empresa no Brasil e qual o papel de cada um na operação?
VD:
A Caliza, que tem como investidores a Circle a a Valor, é o nosso fornecedor de pagamento em tempo real no Brasil, juntamente com o BTG Pactual e o Banco Genial, que oferece Pix, troca de câmbio e serviços de cripto. Trabalhamos com entidades regulamentadas e leis em cada parte geográfica para assegurar que estamos seguindo os mais altos padrões de conformidade.

BN: Existe um time no Brasil? Quantas pessoas e em quais áreas?
VD: Neste momento, temos uma operação satélite, mas estamos procurando expandir nosso time nos próximos meses. Estamos atualmente contratando algumas posições estratégicas localmente, incluindo um Head, Diretor Geral para o Brasil e, eventualmente, para a América Latina.

BN: A empresa já conversou com o Banco Central local e a Receita Federal sobre a operação no Brasil?
VD:
Trabalhamos com as leis de cada país, incluindo aquelas que ajudam a colocar a base para as regulamentações do Drex e do cripto. Todos os nossos parceiros são entidades regulamentadas no Brasil com todas as licenças do Banco Central.

BN: Como a falência da Synapse afeta os negócios da Velo no Brasil?
VD: Estamos trabalhando com a administradora do pedido de falência da Synapse, Jelena MacWilliams, que é a ex-chairman da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), para ajudar os clientes dos EUA a acessarem seus fundos impactados pela situação entre a Synapse e o Evolve Bank & Trust (o banco foi um dos que teve seus fundos congelados com a falência da Synapse). Recentemente, também fechamos parceria com um novo provedor de serviços bancários para começar a prover serviços financeiros novamente. Nosso produto global Velo não sofre impacto dessa questão uma vez que é desenvolvido como uma carteira de autocustódia que mantém dólar digital e stablecoins como a USDC.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *