No apagar das luzes de 2022, o banco BV anunciou a compra de uma participação de 3,85% no capital do Méliuz, que vende criptomoedas. Além disso, o negócio inclui um acordo comercial e um memorando de entendimento (MoU) para aquisição do controle do Bankly. Essa é a plataforma de banking as a service (BaaS) da Acesso Soluções de Pagamento, comprada pelo Méliuz em maio de 2021. O Méliuz comprou o Alter, que atuava em cripto, e incorpou esse serviço da plataforma.
Em uma apresentação institucional divulgada também no dia 30 de dezembro, o Méliuz diz que “mais crescimento está por vir com os serviços financeiros recém-lançados e o roadmap futuro”. Isso inclui ampliação do portfólio de criptomoedas, pagamentos, seguros, investimentos, portabilidade salarial e empréstimo próprio, como noticia o Finsiders, site parceiro do Blocknews.
O BV já anunciou recentemente outra iniciativa em criptoativos. O banco fez um piloto de tokenização de recebíveis de crédito com a Liqi. A instituição é uma das principais no financiamento de veículos. A nota fiscal que foi tokenizada era de R$ 90 mil e foi distribuída para funcionários.
Méliuz, que tem BV como sócio, vende criptomoedas
O Méliuz vende bitcoin por meio do seu aplicativo – o app do Alter foi descontinuado. Atualmente com 26,2 milhões de contas, o Méliuz somou R$ 3,9 bilhões em Volume Bruto de Mercadorias (GMV) nos nove primeiros meses de 2022, com crescimento de 47% ano contra ano. Em serviços financeiros, acumulou mais de 1,7 milhões contas digitais abertas até o terceiro trimestre de 2022. O Volume Total de Pagamentos (TPV) ficou em R$ 2,3 bilhões (cartão Méliuz e co-branded).
Além de adquirir a fatia de 3,85% do capital social da startup, o BV terá a opção de compra da totalidade das ações do bloco de controle num período de 24 meses. Os acionistas vendedores do Méliuz são Israel Salmen e Ofli Guimarães e Lucas Figueiredo. A opção de compra de ações inclui, além dos três, os papéis de André Ribeiro Davi de Holanda Rocha e a Org Investments LLC. Hoje, os controladores detêm quase 24% da companhia.
A operação teve preço de aquisição de R$ 1,50 por ação, o equivalente a um prêmio de 27% em relação ao fechamento do papel em 29 de dezembro, um dia antes do anúncio do deal. Atualmente, o Méliuz vale pouco mais de R$ 1 bilhão na B3, mas já chegou a ser avaliado em cerca de R$ 10 bilhões em meados do ano passado.
Fundo de CVC do BV fez operação
No caso do Bankly, o memorando de entendimento prevê a venda do controle em até 90 dias com base num valor de R$ 210 milhões. Há ainda um acordo comercial para que o BV adicione o Bankly à sua oferta de serviços financeiros. Ao mesmo tempo, o banco passará a ser o provedor de infraestrutura, funding e produtos financeiros do Méliuz.
A operação foi realizada pelo fundo de Corporate Venture Capita (CVC) do BV, que este ano investiu em fintechs como Parcelex (BNPL), Klavi (Open Finance) e Dr. Cash (financiamento para procedimentos médicos).
O Bankly foi adquirido em maio de 2021 pelo Méliuz, demonstrando o apetite da plataforma de cashback pela vertical de serviços financeiros. Na época, o Bankly tinha mais de 130 empresas como clientes. Hoje, possui na base mais de 200 parceiros B2B que, juntos, totalizam mais de 4,5 milhões de clientes ativos.