Borderless Money quer apoiar causas sociais com rendimentos de criptomoedas

Borderless Money se classifica com ReFi. Imagem: S. Hermann & F. Richter, Pixabay.

Sabe aquelas criptos paradas na carteira esperando o dia em que você decidir fazer algo com elas? A Borderless Money está de olho nessas moedas digitais – mas não só nelas – para colocar em marcha seu modelo de finanças regenerativas (ReFi). A fintech que entrou em operação no início de setembro e que lança sua segunda versão na próxima sexta-feira (30) programa direcionar, para projetos de impacto sócio-econômico, os rendimentos dos criptoativos que os usuários depositarem na plataforma.

Esses usuários decidem com que tipo de projeto querem contribuir com base na classificação deles pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). “A gente resolveu  o problema de distribuição de capital não utilizado”, diz Leandro Pereira, um dos três fundadores da Borderless Money e que participa de outros projetos em blockchain. Os outros dois são Pedro Bruder e Pedro Lombardo. A fintech recebeu US$ 600 mil (cerca de R$ 3,3 milhões) do fundo JPX que tem foco em blockchain e causas sociais. Usou US$ 250 mil e o restante guardou. Por enquanto, está testando o MVP (produto mínimo viável).

Pereira disse ao Blocknews que não considera a fintech uma plataforma de doação ou filantropia. “É uma captadora de investimentos que ajuda a distribuir os rendimentos para causas sociais”. Com isso, quer dizer que o papel da startup inclui administrar os recursos para que gerem os rendimentos que serão distribuídos. E assim, mantém o capital principal de quem aportar criptos. Portanto, se trata de finanças, afirma. Os rendimentos virão da aplicação em protocolos de finanças descentralizadas (DeFi). “A Borderless é um endowment tokenizado”, afirma Pereira.

Borderless Money nasceu das criptos paradas nas carteiras

Isso porque o modelo é na linha dos fundos patrimoniais, ou endowment, que também usam os rendimentos do capital principal para investirem nas instituições aos quais estão ligados. Os maiores e melhores são os de universidades, mostra relatório Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis). Harvard está no topo da lista, com US$ 40 bilhões, e começou com doações de John Harvard. No Brasil, algumas das instituições desse grupo são a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a PUC-Rio, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Associação Santo Agostinho (Asa), que atende crianças e idosos vulneráveis.

Ele disse que teve a ideia do mecanismo da Borderless Money quando viu que nas carteiras com até 100 USDC parados na Polygon – a rede que a fintech usa -, a média é de 20 USDC. E isso num universo de 670 mil carteiras, ou seja, numa conta simples, são cerca de R$ 73,7 milhões. “Falei para o Bruder: olha a quantidade parada que podia estar rendendo juros e distribuída para quem precisa. A grande sacada é a ideia de criar um protocolo que consegue distribuir os ganhos no DeFi”, completou.

Com isso, a Borderless passou de um projeto de câmbio cross border com cripto e foco em startups para o que é hoje. Detalhe: o JPX já tinha aprovado os US$ 600 mil para esse projeto, mas topou a mudança. Há poucos dias, Pereira recebeu a confirmação de que o caso da Borderless foi escolhido para ser apresentado no Web Summit no início de novembro, em Lisboa, com direito a espaço para estande.

Segunda versão com novas funções

Para usar a Borderless Money é possível autenticar a carteira que o usuário já tem ou a plataforma cria uma. A moeda escolhida foi a USDC porque Pereira diz que tem estratégia consolidada em DeFi. Seu rendimento gira em torno de 3% ano ano. O usuário receberá um token não fungível (NFT) pelo aporte que fiz. E escolherá um dos 17 objetivos para reverter os seus rendimentos por um período, “jogando isso para um pool que vai par protocolos como a Aave”, segundo o cofundador.

Com a segunda versão da plataforma no ar, entram em operação funções como a de saque, ou seja, o usuário pode tirar o valor que colocou no Borderless Money. As criptos também começarão a ir para outros protocolos de DeFi como Curve e BeeFy Finance. Além disso, a distribuição de valores deverá serautomática por smart contract. O plano é distribuir 65% dos rendimentos para as instituições que se cadastrarem na plataforma e o restante fica também gerando receita. O plano inclui, ainda, permitir que os usuários participem de votações.

Qualquer instituição pode se cadastrar na Borderless. Hoje há sete projetos na plataforma. O objetivo é atrair mais interessados e quem vai validação a participação deles serão os usuários por meio de voto. Para evitar que os rendimentos sigam para quem for mais famoso, por exemplo, a distribuição dos recursos será em partes iguais para as instituições de um mesmo objetivo da ONU.

A ideia em discussão agora é dar um pouco a mais para quem tiver mais votos. Essa distribuição por causa pode também evitar problemas como o de lavagem de dinheiro por meio desses projetos. Segundo o cofundador, a Borderless Money não vai acompanhar se a instituição usou bem o dinheiro.

Plano inclui utility token

Na versão dois, o dashboard também será aberto, ” todo mundo vai poder vero que quiser do site. O gestão da plataforma é centralizada, mas a operação é descentralizada. A gente conseguiu criar uma utilidade real para uma aplicação de Web3. Isso você não consegue fazer se não for em blockchain. Não dá para ter distribuição, imutabilidade e transparência se não for em um protocolo descentralizado”, afirmou Pereira.

O mapa de ações inclui ainda um token próprio, o Bom. É um utility e quem deixar no staking – ou seja, deixar travado na rede – vai ganhar rendimento e direitos. Ainda não há confirmação de data de lançamento, mas pode acontecer até o final do ano. A ideia é listar em exchange e o que arrecadar no lançamento, a Borderless quer mandar para o staking, para reforçar o capital da plataforma. Também poderá haver a oferta da plataforma para terceiros, que colocam seus nomes na operação.

Ser uma Organização Autônoma Descentralizada (DAO) também é uma ideia. Mas não há pressa. “Ninguém ainda entendeu o que é DAO e se vai funcionar. Não posso correr o risco de experimentar num modelo de Dao. Preciso estar seguro”, completou Pereira.

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