Borderless Money lança token de governança BOM para usuários darem voto de confiança em projetos

Borderless Money tem foco em projetos dos objetivos ODS. Imagem: Tim Marshall, Unsplash.

A Borderless Money, plataforma que direciona recursos em cripto para projetos com impacto sócio-econômico, está lançando oficialmente hoje (1) seu token BOM. É uma cripto de governança, disse ao Blocknews Pedro Ivo Bruder, um dos fundadores da startup. “O objetivo principal é a comunidade participar do projeto e ajudar a gente em algumas decisões”. O total de tokens criados é de 1 bilhão, mas 1% disso, ou seja, 10 milhões, estão agora disponíveis na exchange descentralizada Uniswap. O valor no lançamento é de US$ 0,025 e o par é com Wrapped Ether (WETH).

O que os fundadores da Bordeless, que inclui também Leandro Pereira e Pedro Lombardo, é que pessoas coloquem, na plataforma, recursos que estão parados em carteiras digitais. Assim, os rendimentos são direcionados para os projetos. É um modelo parecido com o de fundos patrimoniais, ou endowment, que também usam os rendimentos do capital principal para investirem nas instituições aos quais estão ligados.

“Passados meses do lançamento da plataforma, no Blockchain Rio (no início de setembro), temos mais de 30 iniciativas cadastradas. Estamos na fase de crescer a comunidade e começar a passar a governança para as mãos da comunidade. Sem o token, isso fica difícil”, explicou Bruder. Os próximos passos incluem a listagem em outras exchanges, tanto centralizadas, quanto descentralizadas.

Num primeiro momento, o token BOM da Borderless Money permitirá, por exemplo, que o usuário ajuda a validar iniciativas cadastradas, que vão receber voto de confiança da comunidade. “Isso é muito importante porque até agora nós mesmos divulgamos (a Borderless Money) ou os projetos chegaram para nós. Então, mais ou menos tem um entendimento do que as pessoas fazem, do impacto real que causam. Mas quando isso escala, em especial se forem projetos de fora do Brasil, a gente não vai conseguir checar”. Segundo ele, mesmo sendo de governança, com a plataforma crescendo, mais gente pode se interessar em participar e ter o token.

De acordo com Bruder, o modelo que a plataforma está adotando não é o de uma Organização Autônoma Descentralizada (DAO). “A gente incentiva a descentralização, isso está no nosso white paper, mas tem um longo caminho até se chegar nisso.” E pode até não chegar a adotar o modelo. Segundo o cofundador da Borderless Money, há potencial e ferramentas para que isso ocorra, mas é preciso uma série de requisitos, como adesão e cultura da plataforma.

A startup está criando um modelo de governança que busca evitar o poder concentrado em quem tem mais dinheiro. Assim, além de ter BOMs, deverá haver atividades para que os usuários recebam tokens não-fungíveis (NFTs) e que contam na reputação deles, tentando criar maior equilíbrio de forças. “Mas isso tudo é futuro”. O foco é ser uma fintech de economia circular, impulsionando ações ligadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

A venda de tokens BOM vai ajudar a prover sustentabilidade da Borderless Money, que é um projeto focado em ser global. “Claro que benfeitores quem têm mais recursos e queiram apoiar, além do depósito do recurso na plataforma, pode adquirir o token. Isso é uma forma de dar sustentabilidade”, completou Bruder. A ideia é que em algum momento a iniciativa use part dos tokens para ter uma receita própria que ajude a manter própria iniciativa em ações como atração e engajamento de usuários.

Por enquanto, os recursos na Uniswap ficarão travados or cerca de 4 a 6 meses e depois começa o programa de liquidity mining, “para incentivar as pessoas a participarem da liquidez na Borderless comprando o token. Vamos pensar em incentivos (futuros) para as pessoas, porque estão nos ajudando a dar liquidez maior.” De qualquer forma, listagens em outras exchanges vai ajudar a diminuir a dependência dessa liquidez inicial.

A Borderless tem cerca de 30 projetos na plataforma, a grande maioria do Brasil. Há um da Suíça e há conversas com pessoas em Moçambique e Quênia, por exemplo. A Polygon, solução que a startup escolheu, ajuda com algumas ações na divulgação global. Quem entra usando um navegador em português, vê a página daqui – inclusive a informação sobre poder fazer depósitos usando o Pix. Mas, há a versão em inglês, para quem navega nessa língua. E está em gestação a versão em espanhol.

Leandro Pereira, um dos outros fundadores, afirma que teve a ideia do mecanismo da Borderless Money quando viu que nas carteiras com até 100 USDC parados na Polygon, a média é de 20 USDC. E isso num universo de 670 mil carteiras, ou seja, numa conta simples, são cerca de R$ 73,7 milhões. “Falei para o Bruder: olha a quantidade parada que podia estar rendendo juros e distribuída para quem precisa.” Assim, a Borderless passou de um projeto de câmbio cross border com cripto e foco em startups para o que é hoje.

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