BIS lança projeto Rialto, para pagamentos internacionais com CBDCs de atacado como o Drex

Ponte Rialto, inspiração para o BIS. Imagem: mfoddo, Pixabay.

O Banco de Compensações Internacionais (BIS), conhecido como “banco central dos bancos centrais”, anunciou, hoje (4), o Projeto Rialto, que vai explorar como os pagamentos instantâneos internacionais poderiam melhorar usando um componente modular de câmbio combinado com a liquidação em moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) para atacado.

A ideia é testar uma solução automática de camada de liquidação de câmbio usando wCBDC (w de wholesale, atacado em inglês), “como um ativo de liquidação seguro que poderia ser implantado para sistemas de pagamento instantâneo interligados ou sistemas de ativos digitais”. O Projeto Rialto envolve o Eurosystem Centre e o Cingapore Centre, ambos parte do BIS Innovation Hub, além de bancos centrais.

O estudo faz parte da demanda do G20, grupo das maiores economias do mundo, para se buscar melhorarias nos pagamentos transfronteiriços. Hoje, para se fazer esses pagamentos, o usual é fazer câmbio entre moedas fiats e por meio de instituições financeiras. Mas, como o próprio BIS lembra, são operações que “podem ser caras, lentas e complexas, além de expor os participantes da cadeia de pagamentos a riscos de liquidez, crédito e liquidação”.

BIS acredita em CBDCs

De acordo com o BIS, “soluções descentralizadas, CBDCs e infraestruturas de pagamento interligadas são consideradas caminhos promissores para melhorar os pagamentos transfronteiriços. Como elas interagem, ainda não foi explorado e pode gerar respostas que tragam avanços para os pagamentos transfronteiriços globalmente”.

O tema também está na agenda do Brasil. O Drex é uma CBDC de atacado e poderá, eventualmente, também ter uso em pagamentos transfronteiriços, o que não é algo trivial. Isso porque os ajustes necessários são vários, a começar pela interoperabilidade entre as redes blockchain.

Aliás, o BC acompanha alguns projetos do BIS como observador, porque os recursos de desenvolvimento estão direcionados para o piloto do Drex, disse Fabio Araújo, coordenador do projeto Drex no BC ao Blocknews. E no caso de transferências internacionais, teve um projeto do Itaú envolvendo a Colômbia no Lift Challenge do real digital. Além disso, o BC também está com estudando câmbio e pagamentos internacionais envolvendo ativos digitais na sua agenda.

BC do Brasil estuda câmbio com criptos

Uma das indicações disso veio na divulgação das prioridades regulatórias deste ano, que incluiu o tema. Uma outra foi a inclusão do assunto entre as perguntas da consulta pública para regulamentação das provedoras de serviços de ativos digitais (Vasps).

E recentemente, quando divulgou os próximos passos para a regulamentação, informou que vai se preparar para tratar das stablecoins, as mais usadas em pagamentos e remessas internacionais. As questões envolvendo a regulamentação de operações cambiais com ativos digitais é muito complexa, de acordo com empresas do mercado.

É preciso começar definindo questões como, por exemplo, o que é câmbio. Hoje, o conceito envolve apenas troca entre moedas fiduciárias. Outros pontos dos muitos a se definir são o que é stablecoin e quando uma troca envolvendo cripto é câmbio.

Câmbio sem criptos

Lembrando que em 2017, o BC informou que era proibido fazer transferências internacionais com ativos digitais. Como blockchain facilita essas operações, essa regra é questionável. Apesar de que é necessário também analisar com cuidado os impactos econômicos dessas operações, para que os benefícios superem os riscos.

O nome do projeto do BIS vêm tanto da ponte em Veneza que liga os dois lados do Grande Canal, “simbolizando a infraestrutura de pagamentos transfronteiriços”, quanto de um mercado na cidade, “simbolizando a liquidação automática de câmbio usando wCBDC”, disse o BIS.

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