A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) fará um piloto para emissão e negociação de tokens finaceiros em blockchain com a participação de empresas do mercado. O piloto começa em 2026 e empresas interessadas poderão pleitear a participação. Um dos objetivos é resolver a fragmentação das redes no Brasil, que limitam o avanço do mercado secundário de ativos tokenizados, de acordo com a instituição.
O projeto faz parte da Rede ANBIMA de Inovação, que a instituição criou em junho de 2026. As primeiras tecnologias a serem testadas serão tokenização e inteligência artificial generativa.
Outras instituições que dão suporte à Anbima são a BBChain, de soluções blockchain corporativas, a IPMF, de padronização no mercado financeira, a Fenasbac, federação dos servidores do Banco Central (BC), e a RTM, empresa de tecnologia da Anbima e B3.
Não é de hoje que a Anbima tenta ter um papel relevante em tokenização no setor. Tempos atrás, cogitou-se na associação que ela poderia ser a reguladora ou algo similar da tokenização, de acordo com fontes do mercado que acompanharam o assunto.
“Essa é uma oportunidade importante de explorarmos um território novo, de forma colaborativa, com um projeto feito pelo mercado e para o mercado”, afirmou Carlos André, presidente da Anbima.
A Anbima abrirá em dezembro a possibilidade de associadas e não-associadas de enviarem propostas de uso da rede. As que forem escolhidas, passarão por um curso de capacitação obrigatório.
O projeto-piloto tem como foco fundos de investimento e debêntures, com a simulação do ciclo completo de um ativo tokenizado, desde a estruturação até a liquidação. Assim, será possível reproduzir desafios reais e ter aprendizados concretos sobre padronização e integração, de acordo com a associação.
De acordo com Eric Altafim, diretor da Anbima, “nosso papel é acelerar o mercado e garantir que essa jornada experimental aconteça com governança, transparência e participação ampla.”
Governança
A governança do projeto terá quatro níveis: um grupo de trabalho de especialistas que acompanharão a execução do projeto; um comitê técnico e de negócios com instituições associadas à Anbima, para validação técnica; um comitê gestor, a instância máxima de decisões, composto pela diretoria da associação; e um comitê de acompanhamento, que reunirá Anbima, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).