A geradora de energia AES Brasil, a siderúrgica ArcelorMittal, a empresa de energia elétrica e óleo e gás Eneva e a de soluções tecnológicas em energia Fohat Corporation criaram a Beenx – Brasil Energy Exchange. A plataforma, que usa a DLT Corda, da R3, permite a negociação digital de luz, certificado de energia limpa e oferece serviços financeiros. O projeto é de inovação aberta e é o resultado de alguns projetos isolados entre a Fohat e essas empresas, além de outras soluções.
Empresas convidadas estão usando a Beenx, que tem foco no mercado de energia livre. Esse mercado já responde por 40% do consumo nacional e que deve crescer ainda mais. Nele, o cliente é livre para escolher de quem quer comprar a energia e as condições. Portanto, não está preso a uma concessionária e a um contrato padrão.
De acordo com as empresas, a Beenx é a primeira infraestrutura de mercado de energia em blockchain na América Latina, que oferece integração de ponta a a ponta num modelo que inclui gestão de backoffice, de riscos e outros serviços de operação de trading. A blockchain é privada. Como tudo acontece no mesmo ambiente, há mais segurança, transparência e isonomia na composição de preços e redução de riscos de inadimplência e de custos operações, afirmam. A sede é em São Paulo e o CEO é Igor Ferreira, fundador da Fohat.
Beenx nasce de outros projetos de energia
Cada empresa é um nó na blockchain e as operações bilaterais são custodiadas apenas nos nós que participam delas. Assim, há privacidade de dados. Além disso, a rede DLT deve facilitar o uso do real digital, quando esse chegar ao mercado. O Banco Central prevê o lançamento de sua moeda digital em 2024. A Corda é uma das blockchains em teste da nova versão do real. “Isso permitirá o uso do real digital como garantia na liquidação dos contratos no caso de um eventual default bilateral. Esse mecanismo foi pensado para dar mais segurança nas operações bilaterais
evitando problemas de inadimplência´´, explica o CEO da eBeenx.
O uso da Energy Web Chain (EWChain), um projeto open source do qual Fohat e R3 fazem parte, estão no plano da Beenx para as novas funcionalidades que entrarão em serviço em 2023.
O investimento para criação da Beenx foi de R$10,5 milhões envolvendo projetos de pesquisa e desenvolvimento da
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e aportes de fundos de investimentos. O fundo Goodz Capital é um investidor. A Aneel estabelece que as concessionárias de energia devem investir 1% de suas receitas operacionais líquidas em pesquisas. O objetivo é testar e compartilhar conhecimento com as outras empresas.
Um desses projetos de onde nasceu a Beenx foi, por exemplo, o da Fohat com a AES para o primeiro balcão organizado de negociação de energia livre e de certificado de energia renovável (IREC) do país, em 2019 e 2020. A Fohat, a R3 e a AES também desenvolveram uma plataforma para conectar o setor de energia e o financeiro. Além disso, em 2020 e 2021 a Eneva e a Fohat houve testes de uma plataforma para comercialização de energia e automatização de backoffice pós-venda .
Inclusão do setor financeiro na Beenx

No pedaço que inclui o setor financeiro na plataforma, uma das vantagens é a agilidade que a conexão de todas as partes permite. Assim, fica mais fácil a contratação de garantias financeiras, que hoje em leva dias e acontece por telefone ou email. Além de dar mais segurança entre compradores e vendedores de energia e reduz custos.
A expectativa de crescimento mais rápido do mercado livre se dá sobre mudança de regra em janeiro de 2023 e em janeiro de 2024. A partir do próximo ano, um novo segmento de consumidores podem usar essa negociação, enquanto no ano seguinte, todos os do grupo A, de alta tensão, poderão migrar.
“Decidimos organizar a nossa operação por ciclos”, disse Igor Ferreira. Dessa forma, nesta primeira fase, a plataforma entra em operação com participantes convidados de vários setores que já terão à disposição ativos de energia e financeiros. Enquanto os participantes convidados já iniciaram a operação, a Beenx deu início ao processo de entrada dos demais agentes do mercado livre. Assim, a previsão é que essa nova parcela esteja totalmente habilitada a operar na Beenx até o fim de fevereiro de 2023.
Plataforma em módulos
Segundo a Beenx, todo o ciclo de vida da negociação da energia pode acontecer na plataforma, do planejamento à inserção de flexibilidade, da sazonalização, da assinatura contratual, até a contratação de seguros, centralizando todos os documentos num lugar. “Tudo isso alimenta o backoffice, dando lastro para a ‘mesa’ tomar a melhor
decisão, eliminando erros, mitigando riscos, ampliando a competitividade”, afirma o comunicado à imprensa.
No chamado módulo Trading Offline, o operador da Beenx acessa serviços integrados digitalmente de gestão de backoffice e gestão de riscos. E permite importação de todos os contratos fechados fora da plataforma. Há ainda uma boleta eletrônica, o trading em tela para negociar contratos de energia e IRECs.
O módulo Pós-Trading é onde acontece a contratação de garantias financeiras como seguro para contratos de energia e outros produtos de instituições. “A gestão de riscos é atualizada em tempo real, ou seja, reflete a situação atual de cada momento e de acordo com a política de risco de cada contraparte. Isso é uma grande inovação nas negociações bilaterais de energia”, destaca o CEO da Beenx.