Primeira revista científica descentralizada busca autores; projeto é de brasileiros

Capa da primeira edição da DeSci.

O DeSci Journal, até onde se sabe a primeira publicação científica descentralizada, será lançado neste mês. O objetivo é dar visibilidade às pesquisas, gerar receita para os autores dos artigos e garantir os direitos autorais sobre seus trabalhos. Para isso, usará contratos inteligentes. Os artigos serão de diversas áreas. Entre os fundadores do projeto estão Maria Goreti Freitas, que fez carreira como cientista na Fiocruz e em outros projetos de pesquisa, e Caroline Nunes, fundadora da InspireIP.

“Nosso objetivo com o DeSci Journal é fornecer um fórum para a discussão de ideias, avanços e descobertas científicas de ponta”, diz Maria Goreti. “Nossa missão é promover a excelência na pesquisa científica e incentivar a colaboração e a troca de conhecimento entre cientistas de diferentes campos. Estamos comprometidos em fornecer aos nossos leitores artigos de qualidade, que contribuam para o avanço da ciência em todo o mundo.”

O projeto prevê que a criação e a manutenção do projeto será gerida de forma descentralizada com ganhos compartilhados entre todos os membros. Entre esses estão, por exemplo, autores, editores, revisores, diagramadores e designers.

De acordo com o grupo, o projeto busca ser uma alternativa ao formato usual das revistas de pesquisas, que é altamente criticado. Isso porque cobram taxas de publicação muito altas, variando de US$ 2 mil a até US$ 10 mil. O curioso é que as mesmas instituições de ensino e pesquisa que pagam bastante caro pela assinatura dessas publicações para que seus alunos, professores pesquisadores tenham acesso, também têm de pagar para publicar artigo de seus professores e cientistas nelas. E nenhum ganha recursos financeiro por isso, além de abrirem mão de direitos autorais.

Além disso, as revistas publicam o que acreditam ser um trabalho interessante e de qualidade, num escolha que a comunidade científica questiona muitas vezes. Também levam muito tempo entre a submissão de um artigo e a publicação e ficam com o direito autoral do trabalho, diz Maria Goreti.

“A Desci é um dos projetos mais brilhantes que eu já vi dentro do meio da web3. A ideia de usar a infraestrutura da blockchain para dar poder aos cientistas e valorizar as publicações científicas me inspira a continuar trabalhando arduamente no projeto,” afirmou Caroline Nunes. ” O impacto que pode gerar para o futuro do nosso país é imenso.”

A primeira edição contará com 10 artigos. Um deles é um projeto de iniciação científica que veio a se tornar um projeto de Web 3 Games, de autoria de Heloisa Passos, CEO e fundadora da Trexx e um dos principais nomes do mercado de blockchain games.

“Em 2015, na época em que estava me formando em desenho de animação, eu tinha um sonho de me formar na Belas Artes mas não tinha dinheiro suficiente para isso. A bolsa de Iniciação Cientifica foi o que permitiu que eu me formasse”, afirma Helo. “A partir daí nasceu o jogo Boom Boogers, um artigo científico que tinha a proposta de estudar teoricamente a criação de personagem e uma licença que pudesse ser altamente licenciável. Passado 8 anos, virou este game com toda uma comunidade Web 3”, completou.

O grupo convidou cientistas, professores e pesquisadores de todo o mundo para o corpo editorial. Para submeter uma publicação na primeira edição do projeto pode-se acessar o link  https://forms.gle/WRaWXTQxEbDnetCLA

O DeSci Journal é a revista científica de um movimento que começou em julho de 2022 com a criação da SciDAO, que depois se juntou com a CRO DAO e formou a deScier. Em dezembro passado, o grupo criou um canal na Discord e emitiu o pré-token $desci na rede Polygon. Agora o projeto está na fase de MVP (Minímo Produto Viável) e buscando autores para a revista.

Até o início de 2024, entre as fases previstas do projeto está a validação do processo de pagamento com base em revisão pelos membros e baseada no $desci ou em royaltis. Também está prevista a implantação de contratos inteligentes com pagamento de percentual de royalties sobre o fluxo de submissão e revisão de artigos. Além disso, deverá haver a emissão de tokens não-fungíveis (NFTs).

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