Zuckerberg deve vender tecnologia da cripto Diem para banco parceiro Silvergate Capital, diz jornal

A Meta (ex-Facebook), deve vender a tecnologia da sua criptomoeda Diem para o Silvergate Capital, banco parceiro do projeto e que foca em empresas que usam blockchain. O que a Associação Diem, que reúne os membros do projeto, liderados por Mark Zuckerberg, CEO da Meta, está vendendo é a tecnologia. E é isso o que tem de valor no momento, já que a moeda não saiu do papel. O valor é de US$ 200 milhões, de acordo com o The Wall Street Journal, que cita fonte envolvida no assunto.

O que começou como o maior projeto corporativo de criptomoedas pode ir parar nas mãos do banco que seria o único emissor da moeda estável Diem USD, ou seja, com lastro em dólar. Além disso, o Silvergate, que tem sede na Califórnia, faria a gestão da reserva. E a Diem Networks US operaria a Rede de Pagamentos Diem. Além disso, na época a associação anunciou que estava de mudança de sede da Suíça para os Estados Unidos (EUA). Parecia que o projeto estava encontrando um caminho para sair do papel.

Na terça-feira, a Bloomberg informou que a Meta estava negociando com bancos a venda para devolver dinheiro aos investidores. A Diem, então Libra, teve um anúncio atrapalhado em 2019. Por estratégia, arrogância ou ingenuidade, Zuckerberg e seus parceiros, como PayPal e Mastercard, anunciaram uma criptomoeda com lastro em moedas fiduciárias e títulos. E que serviria para pagamentos, inclusive internacionais. Sem passar por bancos, ou seja, pelos reguladores.

A resposta dos reguladores, em especial na Europa e EUA, foi muito ruim. O temor era de uma das maiores empresas de tecnologia, com acesso a dados de boa parte da população do planeta, ter também controle da situação financeira dessas pessoas. E sem controle dos reguladores. E concorrendo com outras instituições financeiras. De concreto, o projeto lançou um teste piloto da carteira digital Novi nos EUA e Guatemala.

Apesar disso, é preciso reconhecer o impacto dessa iniciativa no ecossistema. Foi um tipo de chancela de uma das maiores empresas de tecnologia a blockchain. E à viabilidade das criptomoedas, algo que não era novo, mas ainda muito mais restrito do que hoje. E, junto com a CBDC que a china anunciou no mesmo ano, levou a um corre-corre global e a mais discussões sobre regulação.

A saída de executivos do projeto nos últimos tempos indica que o mundo não está muito florido na Diem. Um dos que saiu no final de 2021 foi exatamente o líder da iniciativa desde o início, David Marcus. A pressão de reguladores, em especial nos Estados Unidos (EUA), emperrou o projeto. Mesmo com o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, tentando defender a Diem no Congresso – o que, como se vê, não funcionou. Houve até o lançamento do projeto piloto da carteira Novi. Mas em vários momentos indicaram dificuldades.

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