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Vórtx QR Tokenizadora inicia era dos tokens mobiliários regulados do país

Vórtx QR Tokenizadora inaugura a era dos tokens mobiliários regulados.

Começou oficialmente nesta terça-feira (1) a negociação dos primeiros tokens mobiliários regulados, ou valores mobiliários digitais (VMD) regulados do Brasil. A Vórtx QR Tokenizadora começou sua operação com a emissão de 74 mil tokens de debêntures – tipo de captação de recursos por empresas – da Salinas, holding da área de saúde, e de 8 mil tokens de cotas do QR Rispar Crédito Cripto I – Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) da QR Asset que tem lastro em bitcoin.

O lançamento é histórico porque criou-se algo novo e abre possibilidades para empresas de médio porte captarem recursos. Para os investidores, representa oportunidade de diversificar portfolio. Além disso, aproxima o mundo cripto e o de finanças convencionais, tanto que o Itaú comprou os tokens de debêntures e vai colocá-los no mercado secundário na plataforma. Dessa forma, sinalizou ao mercado que confia no produto.

As negociações começaram com produtos de renda fixa, ou seja, que têm menor risco e mais previsibilidade do rendimento. Além de debêntures e cotas de fundos, a empresa diz ver demanda para tokens de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Portanto, a avalia lançar esses também se a CVM permitir, disse Thiago Shober, Head de Novos Negócios da Vórtx QR Tokenizadora.

As empresas não informaram a estimativa de transações na plataforma. “Estamos construindo um campo novo”, disse Juliano Cornacchia, CEO da Vórtx. Mas, completou que operar só debêntures e fundos fechados é pouco. Além disso, “o futuro é ter interoperabilidade entre as plataformas”. E uma dessas interoperabilidades poderá ser com a Basement, quando entrarem em ações. A Vórtx acabou de investir na startup, que tem sistemas para investidores controlarem suas participações acionárias em empresas.

Vórtx QR Tokenizadora está no sandbox da CVM

Mas, num futuro poderia até ser com a B3 no mercado atual e na plataforma de ativos digitais que vai poder operar, já que recebeu autorização da CVM para isso. Para Cornacchia, o que a Tokenizadora faz é complementar à B3, que opera com empresas de grande porte.

A Vórtx QR Tokenizadora, uma parceria da Vórtx com a QR Capital, está no sandbox da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Pelo acertado com a reguladora, seus produtos focam em clientes qualificados e profissionais, ou seja, pessoas e empresas que têm investimentos financeiros acima de R$ 1 milhão e de R$ 10 milhões, respectivamente. Assim, o foco é no investidor acostumado com o mercado de capitais e não naquele focado em criptos.

Não à toa, quem conduziu o evento de lançamento da empresa nesta manhã na Avenida Faria, centro financeiro de São Paulo, foi Pablo Spyer, dono do jargão “Vai Tourinho”. Ele também é CEO da empresa do mesmo nome, que é uma sociedade com a XP. O executivo é um dos principais influenciadores do mercado financeiro.

Cada token representa uma debênture ou uma cota do fundo. Blockchain permite fracionar ainda mais esses ativos, mas o projeto prevê a proporção de 1×1, o que evita derivativos. Um outro aspecto interessante é que o projeto usa a blockchain Hathor, criada por brasileiros. É uma blockchain pública e os custos são na hora da emissão. De acordo com Fernando Carvalho, CEO da QR Capital, desde o início se pensou numa rede pública e a Hathor ganhou em relação a outras que o grupo olhou, como Ethereum e Tezos.

Segundo Yan Martins, CEO da Hathor Labs, a rede tem alta escalabilidade e capacidade para processar 200 transações por segundo. O custo de operar com a rede ocorre com o depósito, no token nativo HTR, do equivalente a 1% dos tokens emitidos. O HTR é listado em bolsa.

Investidores institucionais de olho na plataforma

Alexandre Assolini, da Vórtx, Fernando Carvalho, da QR Capital, e Thiago Shober, da Vórtx QR Tokenizadora.

Alexandre Assolini, fundador e chairman executivo da Vórtx, disse que um dos principais objetivos da plataforma é melhorar o prêmio de liquidez, que para debêntures e cotas de fundos é de cerca de 1,5% a 2% ao ano. Portanto, alto para as empresas emissoras. O prêmio é o que se paga ao investidor pelo maior tempo que se leva para que revenda o ativo sem muita liquidez. “Se a gente conseguir fazer desaparecer o prêmio, cumprimos nossa missão.”

Como a plataforma facilita a negociação, a expectativa é de o percentual cair. Além disso, a plataforma agiliza as transações quando o dono coloca do ativo na plataforma para venda. Os dados estão lá e fica mais fácil o investidor enxergar o que tem disponível e para as duas partes saberem qual melhor valor de referência do ativo. Hoje, o processo pode demorar dias entre a ordem de negociação e a execução. Fora que o valor não fica transparente em nenhum lugar como numa blockchain pública e o emissor e o investidor não têm contato direto.

Em 12 meses, a Vórtx QR Tokenizadora poderá ter 12 emissores de debêntures e fundos na plataforma, conforme acordo com a CVM, mas não tem limite para o número de emissões. O período no sandbox pode ter prorrogação de mais 12 meses, como acontece com a BEE4 e SMU, que também estão no sandbox da CVM. Assim como pode haver extensão do tipo de tokens que pode ofertar. As negociações na plataforma serão das 8h às 18h de segunda a sexta-feira. A pretensão era de ser 24×7, mas o acordo com a CVM ficou limitado a esses períodos.

Renda fixa está em alta

Caio Viggiano, Managing Director de Renda Fixa do Itaú BBA, afirmou que os ativos tokenizados estão sob avaliação de alguns investidores institucionais, “mas que ainda não estão ativos”. O fato de serem token regulados “dá conforto para se aprofundarem” na avaliação dos produtos. Segundo as empresas, a CVM entende que instituições que podem investir em debêntures e cotas de fundos tradicionais podem também investir nos tokens, já que são as representações deles.

Esses investidores institucionais não são apenas o foco da Vórtx QR Tokenizadora, mas desejo de todo o mercado cripto. Isso porque são os que têm grandes volumes de dinheiro para investir. Os executivos afirmaram que já estão falando com distribuidoras e corretoras de valores mobiliários, as DTVMs e CTVMs, sobre os produtos que a plataforma oferece.

O lançamento dos tokens acontece num momento de receios com inflação, guerra na Ucrânia e crescimento econômico. Isso leva muitos investidores a optar por ativos de renda fixa. “Nesse aspecto, estamos a favor da correnteza”, disse Fernando Carvalho.

Entre as funções que estão em vista, está a de ter um bookbuilding na plataforma. Isso significa substituir planilhas de Excel pela tela do computador, com as empresas registrando a demanda do mercado por seus ativos. Assim, podem precificar melhor esses ativos e saber o momento mais adequado para vendê-los, disse Alexandre Assolini.

O token das debêntures da Salinas, holding que tem as empresas Solar e Domus, é o DSAL11 e custa R$ 1 mil, que é também o valor mínimo do investimento. Portanto, a oferta é de R$ 74 milhões, com prazo de seis anos. O resgate pode ser a partir de 12 meses, com taxa de 4% de prêmio. Mas quanto mais o investidor ficar com o token, menor é o prêmio, que chega a 2%. A taxa é CDI e 3,9% ao ano. Em parte, os recursos pagarão a compra de parte da carteira da Unimed.

Sem auto custódia de chaves de segurança

O FDIC também é o primeiro a ter cotas transformadas em tokens, os FIDC11. Fernando Carvalho disse que a oferta, que foi de R$ 8 milhões, poderá chegar a R$ 100 milhões. Cada cota também custa R$ 1 mil, valor mínimo do investimento. O lançamento do fundo foi ontem (31).

As chaves de segurança dos tokens ficam com a Parfin, plataforma de custódia, transações e gerenciamento de ativos digitais. A startup é uma investida da Vórtx. “A gente não permite auto custódia porque o investidor não está pronto para isso. Além disso, (a custódia pela Parfin) faz parte do projeto aprovado pela CVM”, detalhou Fernando Carvalho.

O protótipo começou a funcionar antes do sandbox e isso ajudou na concorrência. Antes de operar a plataforma, a Vórtx QR Tokenizadora fez uma gamificação para testes. “Foi como fazer uma festa na obra. Teve quem deu mais de 130 ordens”, afirmou Alexandre Assolini.

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