TuneTraders lança token TTDR para criar infraestrutura para dApplayers de vídeos e músicas

TuneTraders terá ainda o NFT Tune. Imagem: Marcela Laskoski, Unsplash.

A TuneTraders, plataforma lançada em 2019 tokenizando royalties de músicas, está entrando numa nova fase. A startup criada em 2019 para oferecer um novo modelo de funcionamento da indústria da música, começou agora uma oferta privada do token TTDR. O objetivo é levantar recursos para o projeto, que passará por um mudança em relação à ideia original, se expandindo para ser uma infraestrutura que permitirá que aplicativos descentralizados, que a plataforma chama de dApplayers, se integrem ao protocolo.

De acordo com o co-fundador e CEO da TuneTraders, Carlos Gayotto, o Cacá, a decisão de pivotar o modelo veio da experiência desde o lançamento. “Houve três anos de um modelo vertical e de evolução das layers (camadas 2). Tudo isso se somou para esse pivot”.

Nos últimos anos, houve diversas iniciativas conectando música, royalties, NFTs, artistas e fãs. Mas, em geral, são de venda de parte dos ativos dos artistas. No caso da TuneTraders, o ecossistema pretende ir além, ao oferecer infraestrutura.

A TuneTraders terá dois tokens, na realidade. O TTDR é um utility token com funções de pagamentos, para uso principalmente dentro da plataforma. Um de seus usos é o de compra dos tokens não-fungíveis (NFTs) TUNE, que dá direitos como de royalties e programas de engajamento sobre vídeos e músicas. Um outro uso é para o usuário pagar para escutar músicas e ver vídeos sobre as quais não tem direito, por meio dos chamados dApplalyers. E isso serve para trabalhos sob demanda ou assinaturas de artistas.

Token da TuneTraders começa com oferta privada

A primeira leva do token TTDR da TuneTraders será de 100 milhões de unidades com valor nominal de US$ 100 milhões. Mas, a previsão de arrecadação será de US$ 62,5 milhões, se tudo for vendido, porque haverá desconto de 50% para os primeiros 50 milhões de tokens e de 25% para o 50 milhões restantes. A venda privada atual é para investidores qualificados em jurisdições reguladas, o que inclui o Brasil. Depois, quando for listado, a venda será pública.

O lançamento do protocolo deve acontecer dentro de três meses, após a venda da primeira leva de TTDRs neste trimeste. Nessa segunda fase do projeto, que será no terceiro trimestre, serão mais 50 milhões de TTDRs com desconto de 10%. E na terceira fase, no quatro trimestre, outros 50 milhões de tokens sem desconto. A venda será em mercados

O token TUNE da TuneTraders, por sua vez, representa uma participação nos direitos de um ativo de mídia, que pode ser um vídeo ou música e dá retorno ao quem tem a cripto. Então, quando alguém sem direito às mídias pagar para escutar a música ou ver um vídeo usando o TTDR, quem tem TUNE daquele trabalho tem direito a uma parte desse pagamento. Nessa segunda fase do projeto, que é o de lançamento do TUNE no terceiro trimestre, estão previstas as Ofertas Iniciais de Mídia (IMO, na sigla em inglês) com esses NFTs.

No portfolio, artistas como Zeca Baleiro e Mauren McGee

Artistas como Zeca Baleiro, Ivan Lins e Mauren McGee tokenizaram trabalhos seus na TuneTraders. “Em princípio os que já estão na plataforma atual, que roda desde 2021, deverão participar da nova fase do projeto. E a missão é trazer outros projetos de música pra construir sobre o protocolo, crescer o ecossistema e deixar cada dApp se especializar no nicho que for de seu interesse”, completou Gayotto.

A terceira fase prevista para o quatro trimestre, segundo o cronograma, terá o lançamento da versão beta do kit de desenvolvimento do software (SDK) dos dApplayers. E em meio a tudo isso, estão previstas integrações com parceiros de metaversos.

Dessa forma, a TuneTraders, que desde usa blockchain para garantir, entre outras coisas, melhor remuneração dos artistas, descentralizou seu modelo ainda mais. Por meio dos dApplayers, os artistas podem fazer IMOs e gerenciar suas carreiras com base no apoio direto dos fãs, por meio da compra dos Tunes.

A infraestrutura inclui, então, a camada base de serviços e produtos que se compram com o TTDR e que é o mecanismo central da economia circular do protocolo. Sobre ela há a camada de conteúdo com acesso por meio do Tune. E acima disso há a camada para desenvolvimento dos dApps.

Projeto usa Polygon, que “abraçou entretenimento”

As taxas de uso vão começar com 0,5% do total de volume transacionado na plataforma. Segundo a TuneTraders, marketplaces costumam ficar com um percentual de 2,5% a 5%. Quando a governança for mais descentralizada, a comunidade decidirá o percentual.

Maurício Magaldi, também co-fundador da TuneTraders, afirmou ao Blocknews que o projeto foi desenvolvido na rede Polygon “pela escalabilidade e por essa ter abraçado o segmento de entretenimento em Web3”. Além disso, a rede tem preços mais acessíveis para todos os usuários. Fora que ao ser compatível com EVM (Ethereum Virtual Machine), a Polygon permite que a TuneTraders seja implantada em outros camadas de nível 2 e blockchains de nível 1 para expansão, completou. A prioridade é integração com a carteira Metamask.

O projeto surgiu da identificação de que os artistas dependem de gravadoras, distribuidoras e streamings para execução de seus trabalhos. Por isso, recebem uma fração dos ganhos. E em geral, ainda pedem adiantamento para resolver suas questões financeiras. Fora que os royalties não são ativos negociáveis e para completar, os fãs não têm uma estrutura para dar suporte aos artistas de que gostam.

TuneTraders cria mercado de token de ativos de artistas

Daí é que surge o modelo descentralizado, com foco em cooperação, Nele, os artistas podem fazer crowdfunding para vender seus projetos como ativos. Além disso, podem fazer isso com a parcela que quiserem de seus trabalhos. Dessa forma, podem levantar recursos inclusive com os fãs. Esses, em troca, recebem royalties quando alguém escutar as músicas ou assistir os vídeos dos quais têm tokens.

Engana-se quem pensa que a ideia da TuneTraders é tirar do jogo as empresas da indústria da música que já existem no modelo tradicional. Ao contrário, um dos objetivos no longo prazo é trazer esses atores para a plataforma, uma vez que o protocolo simplifica o gerenciamento de direitos e royalties, por exemplo. Para quem está no segmento de produção, as vantagens do uso de blockchain incluem a redução do risco do portfolio e a criação de incentivos para dar retorno a artistas e fãs.

Os NFTs, que surgiram nos jogos, explodiram no mercado durante a pandemia com trabalhos de artistas que não podiam vender suas obras no mundo físico. Quem lida com música viu nesse segmento uma oportunidade também para arrecadar fundos e criar engajamento com seus fãs, num modelo diferente do tradicional. A TuneTraders chegou num modelo similar a esse, mas desde o início os fundadores já imaginavam que poderiam ir além. E chegaram ao plano atual.

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