Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Transfero recebe autorização da CVM para gerir ativos de criptos

Safiri Felix, diretor da Transfero, prevê mercado aquecido em 2022. Foto: Transfero.

A Transfero, empresa de pagamentos e compra e venda de criptomoedas, e que também tem a stablecoin BRZ, vai atuar em gerenciamento de investimentos em criptos. A empresa acabou de receber autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para prestar “serviços de administrador de carteira de valores mobiliários”.

Assim, a Transfero dá mais um passo na construção de seu ecossistema de criptoativos. “A visão sempre foi ter uma operação verticalizada”, disse ao Blocknews o diretor de produtos e parcerias da empresa, Safiri Felix. Para ele, o modelo da Transfero é similar ao de um banco de investimentos. “Pretendemos ser uma solução de ponta a ponta de serviços financeiros em blockchain.”

Assim, a Transfero está definindo quais produtos vai lançar no mercado em breve nesse segmento de gestão de ativos. E Felix afirma que terão diferenciais em relação aos fundos de investimentos e de índices (ETFs), por exemplo, que existem no Brasil. No início, devem seguir a regra da CVM de foco em investidores qualificados. Portanto, voltados a quem tem a partir de US$ 1 milhão em investimento e pode comprovar isso.

O braço de ativos (asset) no Brasil será uma operação independente, seguindo o que manda a regulação. A empresa já oferece no Brasil a possibilidade de investir em seus produtos no exterior por meio de mandato discricionário. Dessa forma, o cliente dá mandato para a empresa decidir como aloca os recursos do cliente.

Transfero lançou neste mês plataforma de varejo

Esse novo negócio se segue ao lançamento, no início deste mês de novembro, da operação de varejo ou seja, de plataforma de compra e venda de criptomoedas. Até então, seu foco era o B2B.

Segundo Felix, a plataforma de varejo já superou bem as metas iniciais. Isso porque em 20 dias atingiu o que se esperava para três meses, num crescimento totalmente orgânico.

A expectativa é, portanto, que os dois novos braços de negócios cresçam de forma significativa em 2022. Isso porque se espera que o mercado de criptoativos continue acelerado. E como bitcoin se mostra um ativo anti-cíclico, se a situação econômica não for das melhores, como inflação em alta, pode puxar o mercado para cima.

O diretor não abre números da empresa porque a holding está em período de silêncio em razão de negociações para captar recursos. Em outubro de 2020, a startup captou R$ 40 milhões com a Alameda Research.

Plataforma B2C da Transfero bateu meta de 3 meses em 20 dias. Foto: Art Rachen, Unsplash.

Empresa vai investir em DeFi

Em finanças descentralizadas (DeFi), a Transfero também está de olho. Por exemplo, já se comprometeu a fazer um aporte num projeto e “está vendo outras coisas”, afirmou Felix. Esse negócio vai gerar sinergia com o grupo, completou.

A empresa também está olhando projetos de tokenização para ser co-investidora. Com a Fundação Solana, lançou um fundo de US$ 20 milhões para o Brasil. O objetivo é escolher projetos de criptomoedas em estágio inicial e feitos na Solana. O projeto foi anunciado como o maior de financiamento de iniciativas em criptomoedas já feito no país.

Além disso, está em busca de expansão de uso da sua stablecoin, que criou em 2019. A cripto tem lastro em real e é a maior stablecoin em valor de mercado depois das lastreadas em dólar. Há alguns dias, o grupo anunciou a compra da CryptoBRL (CBRL), stablecoin também com lastro em real e no mercado há um ano. Segundo Felix, a BRZ responde por cerca de 95% das transações, se consideradas as duas criptos.

Plano é expandir uso de BRZ em finanças descentralizadas

O volume de transações da BRZ foi de U$13,961,975.91 em 24 horas até as 15h00 desta sexta-feira (26), segundo o CoinMarketCap. O uso da BRZ é principalmente nas plataformas de criptos em que está listada, afirma Felix. Porém, a Transfero começa a explorar os protocolos DeFi, colocando a stablecoin como opção. E vai começar por aplicações na rede RSK. “A ideia é estar em protocolos relevantes”.

A Transfero começou como Bit.One em 2015 em pagamentos envolvendo criptoativos. Sua base hoje é em Zug, onde a Suíça criou o Crypto Valley. Felix, que está em criptoativos há cinco anos, diz que investidores institucionais estão tateando o segmento de criptos para ver como entrar. Isso porque “virou uma oportunidade grande demais para o mercado financeiro ignorar”.

No entanto, é sempre bom lembrar que já tem gestor profissional de finanças com exposição a criptomoedas. Só não tem mandado do cliente para investir os recursos deles nesse segmento.

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