Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Em tempestade perfeita, preço do bitcoin despenca para US$ 31 mil e arrasta DeFi, futuros e ETF

Texto do Congresso quer regulação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Foto: Dmitry Demidko, Unsplash

Aparentemente, foi uma tempestade perfeita: uma série de eventos levou a um derretimento praticamente generalizado do mercado de criptomoedas nesta quarta-feira (19). O bitcoin, a moeda-mãe, despencou em torno de 35% para um patamar abaixo de US$ 40 mil, chegando a cerca de US$ 31,9 mil, segundo diferentes sites de cotações.

Uma demonstração do nervosismo do dia foi que mais de US$ 1 trilhão saíram do mercado de criptomoedas. Além disso, houve impacto em contratos futuros e no fundo de índice de criptomoedas da Hashdex na B3, único do Brasil.

Houve uma recuperação do preço do bitcoin ao longo do dia, com as compras de quem aproveitou o preço mais baixo. Mas, ainda assim o bitcoin estava cotado bem abaixo de US$ 40 mil às 21h36, menor patamar desde o início de fevereiro.

Nesse horário, o CoinMarketCap cotava o bitcoin a U$36.613,07, uma queda de 14,88% em 24 horas e 27,81% em uma semana. Com isso, o valor de mercado da moeda caiu para US$ 733,9 bilhões. A capitalização total do mercado era de US$ 1,69 trilhão, redução de 17,9% em 24 horas.

Já a queda da ethereum era ainda maior. Cotada a US$ 2.322,25, registrada redução de 31,43% e 40,96% respectivamente.

De acordo com o DeFi Pulse, o valor alocado nesse segmento passou de US$ 78,6 bilhões para US$ 63,45 bilhões em 24 horas, até 21h40. Isso representou queda de 20%.

Já a cota do fundo de índice de criptomoedas da Hashdex, o Hash11, fechou o dia a R$ 41,10, queda de 9%. A variação durante o dia foi de R$ 37,06 a R$ 41,50. No lançamento, em 26 de abril, a cota valia R$ 47.

Bitcoin atinge preço de fevereiro com China proibindo criptomoedas

A queda no preço do bitcoin de suas altas históricas não é de hoje. Mas, a diferença é que a queda desta quarta-feira foi dramática.

De acordo com o CEO da BitcoinTrade, Bernardo Teixeira, o anúncio do CEO da Tesla de que não vai mais aceitar bitcoin como pagamento mudou o mercado.

Até ali, bitcoin vinha andando de lado e havia altcoins em alta. No entanto, afirmou que depois das altas registradas, “uma correção não poderia ser evitada e descartada”.

Mas, ontem China também reiterou a proibição de instituições financeiras e empresas de pagamento de fornecerem serviços relacionados a criptomoedas. E foi além, ao falar sobre os riscos desses criptoativos, diz Teixeira.

Americanos estão vendendo cripto com volta da economia ao normal

Para Bruno Milanelo, da área de Investimentos do Mercado Bitcoin, um outro fato desfavorável à cotação do bitcoin é o começo do retorno da economia norte-americana ao normal.

“O dinheiro recebido dos estímulos econômicos (nos EUA) foram parar, em parte, em criptomoedas, com bitcoin comprado a cerca de US$ 20 mil. A US$ 60 mil, US$ 50 mil, US$ 40 mil, essas pessoas começaram a vender para retomar a vida”, completou.

Porém, Teixeira acredita que em comparação com o baque de 2017, o cenário atual é mais positivo. Isso porque há investidores institucionais no mercado.

“Ontem (18), a MicroStrategy comprou mais US$10 milhões em bitcoin. Além disso, recentemente o Mercado Livre também entrou para esse mercado, e temos a Square e a Tesla armazenando bitcoin”.

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