Smartpay lança compra de cripto por Pix e assim Bitfinex entra no Brasil

Rocelo Lopes diz que Bitfinex tem exclusividade na Swapix até agosto. Foto: Smartpay.

Rocelo Lopes, um dos nomes mais conhecidos do segmento de criptomoedas no Brasil, está lançando o Swapix , ferramenta para a troca de stablecoin (moeda estável) por real usando a API (Interface de Programação de Aplicações) do Pix. É uma ferramenta B2B e o primeiro cliente é a Bitfinex, que passa a oferecer acesso a clientes do Brasil usando a solução de forma exclusiva até agosto. “Isso é bankchain com blockchain”, afirmou o fundador e CEO da Smartpay, empresa criadora da solução, ao Blocknews.

Lopes disse ao Blocknews que a ideia do produto começou quando a Bitfinex, na Labitconf em El Salvador, em novembro passado, perguntou como poderia operar no Brasil sem estar aqui. A solução que encontrou foi o Swapix, que teve sua primeira versão pronta em quatro meses e que faz a conexão entre as partes na transação. Hoje, as operações são pelo site da Smartpay. Mas, a nova versão deve ficar pronta em agosto e permitir transações pelo aplicativo do Pix, afirma Rocelo.

Pela facilidade de uso, o criador da solução acredita que outras corretoras vão operar no Brasil sem precisarem ter estrutura física aqui. Seria, assim, uma estratégia diferente de empresas como Bitso, Crypto.com, e aparentemente Coinbase, de terem operação local. No entanto, Lopes está de olho em todas as corretoras de criptos, com base aqui ou fora, para usarem o serviço.

A primeira stablecoin que os usuários poderão usar é a Tether – em cinco versões, como Tether dólar e euro – , a moeda da Bitfinex. Mas, depois devem entrar a BRZ, a stablecoin lastreada em reais da Transfero, e o Blue, token lastreado em 14 moedas digitais que também é de Lopes.

Bitfinex terá exclusividade até agosto

O uso de stablecoins é para diminuir o risco da volatilidade que criptos não lastreadas têm. Já que a operação pode durar alguns segundos – na segunda versão, Rocelo diz que serão cerca de 6 segundos -, mudanças nas cotações podem afetar o bolso do usuário. Na versão atual, a troca dura em torno de 1,5 minuto. O custo das transações é de R$ 1 real somado a 1% do valor da operação.

Lopes afirma que estudo em detalhes as regras de funcionamento do Pix, para se assegurar de que o produto está de acordo com essa regulação. O Banco Central sempre disse que o Pix era um dos passos no caminho que vai levar ao real digital. Seu uso fácil, semelhante a um peer-to-peer (P2P), uma das características de operações de criptos, pode ter efeito positivo sobre os usuários que queiram entrar no segmento de moedas digitais, diz o CEO da Smartpay.

A ideia é que o Swapix seja a primeira de outras soluções que a empresa quer fazer no futuro. Criada inicialmente para ser uma carteira digital, a Smartpay faz envio de dinheiro, transações com criptos, recargas de celular, saques em ATM e pagamentos com QR Code e boletos.

Serviço começa com criptomoeda Tether

Lopes explicou que no Swapix, o usuário usa sua conta na corretora, portanto, não precisa ter uma para o serviço. Ao entrar no site para converter um valor de real para stablecoin, envia uma mensagem com o valor e endereço da carteira Tether. A ferramenta envia os dados para a corretora, que deposita as stablecoins.

Na direção oposta, alguém envia os dados de tether e a chave de Pix de quem vai receber os reais. E a corretora manda o valor via Pix. Os processos de Know Your Client (KYC) estão a cargo, portanto, das instituições financeiras e das corretoras.

A Tether é a terceira maior criptomoeda em valor de mercado, com US$ 84,5 bilhões. Mas a Tether e a Bitfinex foram alvo de investigações nos Estados Unidos (EUA) a respeito da veracidade sobre o lastro da criptomoeda Tether dólar (USDT) em dólar.

Hackers presos com bitcoins roubados

Em outubro de 2021, a Comissão para Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC, na sigla em inglês) multou as duas em mais de US$ 42 milhões por darem informações falsas sobre a moeda USDT e a Bitfinex em US$ 1,5 milhão por negociar produtos para os quais não tinha autorização.

Em fevereiro de 2021, as duas fizeram um acordo US$ 18,5 milhões com a Procuradoria-geral de Nova York para encerrar um caso em que a corretora foi acusada de usar, por um período, os fundos da Tether de forma indevida. Assim, não tinha o lastro que dizia ter.

A Bitfinex também sofreu um dos maiores ataques hacker do mundo cripto. Em 2016, o roubo foi de 119.756 bitcoins (cerca de US$ 5,75 bilhões na cotação de hoje). E em fevereiro passado, a Justiça dos Estados Unidos anunciou a prisão de um casal com ligação ao roubo e a recuperação de 90 mil bitcoins.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *