Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Binance começa a vender tokens de ações e as da Tesla são as primeiras

A Binance lançou, nesta segunda-feira (12), a comercialização de tokens de ações. Cada token equivale a uma ação, que está armazenada num fundo (depositary portfolio) de derivativos como contratos futuros e fundos de índices (ETFs). As ações da Tesla serão as primeiras a serem negociadas.

Porém, a empresa afirma que ao longo do tempo, vai incluir outras ações. O projeto é feito em cooperação com a empresa germano-suíça de investimentos digitais CM-Equity AG. Além dela, participa a plataforma de tokenização Digital Assets AG.

As negociações dos tokens vão seguir os horários das bolsas tradicionais. No entanto, não estão disponíveis para residentes na China, Turquia e em outros locais em que a legislação não permite a negociação. A empresa afirma que vai utilizar práticas de Know-Your-Client (KYC) e compliance para identifica a origem dos investidores.

A negociação da Tesla terá um tamanho mínimo de um centésimo do token da ação. Os preços dos tokens serão na stablecoin da Binance, o BUSD, de acordo com a empresa. Isso significa que cada BUSD é atrelada a um dólar e emitido pela Paxos Trust Co.

Quem já negocia tokens de ações em plataformas como a da Binance diz que um dos benefícios é a facilidade de transferir criptos para ações e vice-versa. Há ainda a vantagem de se poder comprar frações de uma ação, o que fica mais barato para bolsos menos cheios.

Já há outras plataformas no mundo que fazem isso e provavelmente novas virão.

Assim, as empresas que transformam ações em tokens podem se expor a novos investidores que entendem de criptomoedas, mas não costumam investir em ações. E ainda aos tradicionais, que vão querer comprar frações de ações e se export a criptos ao mesmo tempo.

A Binance diz que teve um aumento de 346% em número de usuários e de 260% no total de operações no primeiro trimestre de 2021. Com a negociação de tokens de ações e o aumento do valor das criptomoedas, a empresa acredita que continuará em crescimento.

Líderes do setor criam Crypto Council for Innovation para educar reguladores

A Paradigm, a Coinbase, a Fidelity Digital Assets e a Square Inc, algumas das mais relevantes empresas do mundo de criptoativos, anunciaram hoje (6) que criaram o Crypto Council for Innovation (CCI). O objetivo é acelerar o uso global das criptomoedas por meio de contatos com lideranças.

“Sabemos que as criptomoedas são uma promessa imensa de aceleração do crescimento econômico, criação de empregos e melhora da inclusão social”, disse Gus Coldebella, responsável por políticas da Paradigm. A Paradigm é que puxou a fila para criação do CCI.

“Além disso, essa promessa ultrapassa fronteiras. Por isso, vamos ajudar decisores políticos, reguladores e pessoas em qualquer lugar do mundo a entender esses benefícios”, completou.

Portanto, o Crypto Council for Innovation é um trabalho de educação com foco nas lideranças que podem fazer o mercado crescer. Assim, o CCI quer mostrar o que é fato e o que não corresponde à realidade do ecossistema.

De acordo com o comunicado do grupo, o CCI vai desenvolver recursos para que decisores entendam sobre armazenamento, criação e transferência de dinheiro usando criptoativos. Porém, as empresas não deram detalhes de como serão esses recursos e onde começarão os trabalhos.

A Paradigm é uma empresa que inclui um fundo de investimentos em criptoativos e em negócios do setor. Além disso, tem uma aceleradora e uma agência de pesquisa. A Coinbase, por sua vez, é a maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA).

Já o braço de ativos digitais da Fidelity armazena e negocia criptoativos. É uma atividade da gestora Fidelily Investments, que tem mais de US$ 10,2 trilhões de ativos sob administração. E por fim, a Square é a empresa de pagamentos fundada por Jack Dorsey, que também fundou o Twitter.

Bolsa de Chicago vai lançar micro contrato futuro de um décimo de bitcoin

 A Bolsa Mercantil de Chicago (CME), maior exchange de contratos futuros de bitcoin, vai lançar, em 3 de maio, o contrato de futuros Micro Bitcoin. O novo produto terá um décimo de um bitcoin.

De acordo com a CME, “o contrato de menor tamanho dará aos investidores, de instituições a traders individuais, mais uma forma de fazer hedge do risco do preço na moeda no mercado spot”. Além disso, pode ajudar na execução e estratégias de negociação.

A CME lançou o contrato futuro de bitcoin em 2017. Desde então a demanda cresceu, assim como a liquidez dos derivativos de criptos, disse Tim McCourt, responsável pela área de Índice de Equity e de Produtos de Investmentos Alternativos.

Além de contratos futuros e de opções em bitcoin, a CME lançou, recentemente, os contratos futuros de Ether. Desde o início do ano, a bolsa afirma que houve 13.800 negociações média diárias de futuros de Bitcoin, o que equivale a cerca de 69 mil bitcoins.

Já a negociação média diária do CME Ether está em 767 contratos, ou seja, algo como 38.400 ethers, desde o lançamento, em 8 de fevereiro.

O novo contrato será no formato contrato por diferença, ou seja, a liquidação financeira é feita com o diferença entre o preço do ativo na liquidação e no contrato. O índice usado é o CME CF Bitcoin Reference Rate.

PayPal aceita Bitcoin, Ethereum e Litcoin em pagamentos nos EUA

A PayPal anunciou que começou a aceitar criptomoedas como pagamento. O serviço é chamado de Checkout with Crypto. Consumidores dos Estados Unidos (EUA) já fizeram milhões de dólares em pagamentos com as moedas digitais.

A empresa vai aceitar bitcoin, bitcoin cash, ether e litcoin. Além disso, o serviço estará disponível a sua rede de 29 milhões de comerciantes nos próximos meses. A empresa diz que não vai cobrar tarifa de operação para pagamentos com criptos e só um tipo de moeda poderá ser usada por vez.

As operações serão liquidadas em dólar e convertidas na moeda do país do estabelecimento com base nas taxas de conversão da PayPal. Assim, os usuários vendem suas moedas pela PayPal para pagar as comprar online.

A informação vem um dia depois de a Visa anunciar que também vai aceitar criptomoedas, fazendo a liquidação de operações, ou seja, convertendo em moeda fiduciária (fiat). Assim como a PayPal.

Um dos pontos mais cruciais em relação a criptomoedas é se e quando se tornarão úteis como meios de pagamentos, ou se o uso será principalmente como reserva de valor. O fato de empresas globais de meios de pagamento aceitarem as moedas digitais pode incentivar outras a fazerem o mesmo.

“Essa é a primeira vez que você pode usar criptomoedas da mesma forma que o cartão de crédito ou débito na sua carteira PayPal, disse o presidente e CEO da empresa, Dan Schulman.

De acordo com o CEO, “o próximo passo é permitir a compra com criptomoedas em estabelecimentos no resto do mundo, gerando aceitação em massa da moeda”.

A PayPal demonstra interesse em criptomoedas há algum tempo. A empresa foi uma das primeiras a embarcar no projeto da moeda Libra, conhecida como a moeda do Facebook. Agora, o projeto se chama Diem. Mas deixou depois de reclamações de reguladores e disse que tocaria seus próprios projetos.

Depois disso, anunciou diversas ações. Uma delas foi um serviço para que seus clientes nos Estados Unidos (EUA) comprem, vendam e guardem criptomoedas em suas contas na plataforma da empresa. Isso aconteceu em outubro passado.

Além disso, a empresa investiu, por exemplo, numa startup que calcula impostos sobre criptomoedas. E, ainda, disse que vai oferecer financiamento em criptos a partir deste semestre para sua rede de estabelecimentos.

Visa faz operações com criptomoeda USDC e expandirá serviço

A Visa anunciou hoje (29) que realizou, neste mês, as primeiras operações de liquidação de pagamentos com a stablecoin USD Coin (USDC). A empresa espera lançar o serviço com outros parceiros ainda em 2021.

É a primeira empresa do setor a fazer esse tipo de operação, ou seja, aceitar uma criptomoeda, fazer a conversão para moedas fiduciárias (fiat) e enviar aos bancos para pagamentos aos comerciantes.

Há algum tempo a Visa anunciou que estava trabalhando com a USDC. A moeda é do consórcio Centre, da fintech Circle, da maior corretora de criptos dos Estados Unidos (EUA), a Coinbase, e da mineradora Bitmain. A Circle é, inclusive, uma das aceleradas da empresa de pagamentos.

Para fazer esse serviço, a Visa tem um acordo com o Anchorage, banco de criptoativos dos Estados Unidos (EUA). Esse serviço com a Anchorage será lançado no Brasil, com a disponibilização de APIs para os bancos daqui. A informação foi antecipada ao Blocknews pela Visa no Brasil.

De acordo com comunicado da Visa, a escolha pela USDC se deveu à demanda pela moeda, que tem cerca de US$ 10 bilhões em circulação. Além disso, contaram sua estabilidade, já que é lastreada em dólar, e segurança.

Segundo a empresa, no futuro, sua infraestrutura poderá também trabalhar com as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). As moedas ainda estão em estudo pela maior parte dos países. As Bahamas já lançaram e a Mastercard até já lançou cartão para uso da chamada Sand Dollar.

Phonogram.me, plataforma de NFT de música brasileira, entra em operação

Entrou em operação Phonogram.me, a primeira plataforma de NFT de música brasileira. Os NFTs são tokens criptografados originais e que não podem ser trocados ou mudar de mãos. A plataforma também permite investir num artista.

De acordo com a empresa, na plataforma fãs de música ou de um artista podem comprar de um álbum ou os direitos autorais do fonograma. Isso tira, portanto, intermediários nesse processo.

Assim, quem comprou um NFT de música brasileira pode receber os royalties quando plataformas como rádios, TVs e eventos tocarem o material. Além disso, é possível receber os royalties em criptomoeda ou em reais. Compra e venda e revenda podem ser feitas pela plataforma.

Os criadores do projeto dizem que é o primeiro do tipo na América Latina. Os sócios são o produtor musical Lucas Mayer, a designer Janara Lopes e Guido Malato, fundador da Gmalato, empresa de soluções em blockchain.

Outros sócios são Felipe Cury, diretor de criação da agência África e o advogado especialista em direito autoral, Filipe Tavares. O garoto-propaganda é o músico André Abujamra, que já sonorizou uma arte digital.

A ideia dos fundadores da Phonogram.me é similar ao que o responsável pelo Blockchain Research Institute (BRI) Brasil, Carl Amorim, defendeu em artigo publicado hoje (24) no Blocknews. Para ele, o Brasil precisa utilizar NFTs em projetos artísticos que inovem a forma como essa classe é remunerada.

O site da Phonogram.me é em inglês. Portanto, isso já é uma indicação de que o grupo quer vender música brasileira também fora do país.

“Não vou pedir para a empresa emitir moeda”, diz presidente da Microsoft

O presidente da Microsoft, Brad Smith, disse hoje (24) que os governos estão melhor posicionados do que as empresas de tecnologia financeira para emitirem moedas. “Não somos um banco, não queremos ser um banco e não vamos competir com nossos clientes que são bancos”, afirmou.

A afirmação aconteceu durante um evento do Bank of International Settlements (BIS), o banco central dos bancos centrais. Já é um hábito que discussões sobre dinheiro e meios de pagamentos acabem citando criptomoedas e moedas digitais de banco central, as CBDCs.

Diversos países, inclusive o Brasil, estudam as CBDCs. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o tema está em estudo. Porém, não tem pressa em lançar uma.

A Microsoft, no entanto, tem atuado em blockchain, como foco especial em nuvem. A empresa oferece soluções na plataforma Azure para projetos como o da moeda digital da cooperativa de café Minasul.

De acordo com uma reportagem da BNN Bloomberg, o presidente da Microsoft defendeu a emissão e também o gerenciamento centralizado do dinheiro.

“A oferta de dinheiro precisa quase unicamente ser gerenciada por uma instituição responsável pelo público e que pensa apenas no interesse público. Isso significa governos.”

E completou dizendo que não é um grande fã de encorajar ou pedir ou querer que a Microsoft participe da emissão de moeda. É uma posição diferente de outras empresas como Facebook ou Tesla. O CEO da fabricante de veículos elétricos anunciou hoje (24), por exemplo, que aceitará bitcoin como pagamento.

Leilão de criptoarte vende Beeple por US$ 6 milhões para fundador da Tron

O leilão de criptoarte de sete artistas digitais, incluindo o badalado Beeple, terminou com vendas de US$ 20.049 a US$ 6 milhões. O maior valor, de longe é o da obra de Beeple e quem comprou foi Justin Sun, CEO da BitTorrent e fundador da Tron Foundation.

A Tron desenvolveu o protocolo blockchain que é um dos mais usados no mundo.

Todo o valor arrecadado no leilão irá para um projeto de conservação florestal no Peru, o Madre de Dios.