Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

S&P Dow Jones lança índice de bitcoin e ether; ETF da Hashdex cresce 70% para R$ 1 bi

A S&P Dow Jones Indices (S&P DJI), maior geradora de índices do mundo, lançou oficialmente três relacionados a bitcoin e ethereum. Até o final do ano, a série S&P Digital Market Indices terá outras moedas e índices mais amplos.

Um dos índices lançados é o S&P Bitcoin Index, que mede o desempenho do bitcoin. Um outro é o S&P Ethereum Index, que segue o ethereum e há ainda o S&P Cryptocurrency MegaCap Index, que mede o desempenho das duas moedas.

Os índices servem para dar aos investidores uma referência, o que praticamente não existe no segmento. Esse foi um dos motivos da Hashdex co-criar um com a Nasdaq. E assim, pode criar fundos de índice (ETFs) de criptomoedas.

No caso da Hashdex, o Nasdaq Crypto Index é o que seu ETF HASH 11 tenta seguir. Esse é o primeiro do país e um dos primeiros do mundo. Em negociação na B3 desde o último dia 26, seu patrimônio cresceu 70% para R$ 1,041 bilhão até ontem (3).

Isso equivale a um terço do patrimônio total dos fundos da Hashdex. Além do patrômonio do HASH 11, o valor da cota também subiu em uma semana. A alta foi de 18% para R$ 55,79.

O HASH 11 é oferecido por bancos como Itaú, Banco do Brasil e Safra, além do líder da oferta, a Genial Investimentos, O Nasdaq Crypto Index á mais amplo do que os que a S&P tem hoje, pois hoje segue seis moedas. É, portanto, uma alternativa à compra de moedas, cotas de fundos e finanças descentralizadas (DeFis).

Tanto o Nasdaq Crypto Index, quanto o S&P Digital Market Indices se baseia em moedas que já em bolsas abertas de criptomoedas. Além disso, ambos são rebalanceados a cada três meses. Mas, os da S&P ainda não são seguidos por fundos ETF.

No final do ano passado, quando anunciou que teria os índices, a S&P DJI também lançou soluções customizadas de indexação.

Zro Bank vai oferecer tokens de dólar, euro e ouro de olho em novos usuários de criptomoedas

O Zro Bank vai oferecer tokens de dólar, euro e ouro para seus clientes. A estratégia da fintech é oferecer produtos que facilitem a entrada do investidor no mundo das criptomoedas, ou seja, seu foco é no usuário “entrante”.

As stablecoins (moedas estáveis) serão o celo dólar, a USDC (cada token equivale a US$ 1) e a PAX Gold (PAXG), em que cada token vale 1 onça ou 31,1 gramas de ouro. A empresa diz que ainda define qual será o token de euro.

A escolha desses tokens se deve ao fato de dólar, euro e ouro serem ativos que os clientes reconhecem com mais facilidade, além de serem desejáveis. Tem quem costuma comprar para viajar ou investir. Mas comprar dólar e euro em quantidades maiores, sem viajar, pode ser mais caro do que o preço oficial.

De acordo com Cazou Vilela, que assumiu a posição de Chief Marketing Officer (CMO) do Zro, essa estratégia de facilitar a entrada dos investidores em criptos deve durar pelos próximos dois anos e com o lançamento de outros tokens. Outra opção seria a fintech disputar os já investidores de criptomoedas com as corretoras estabelecidas.

Foi daí que saíram iniciativas como o cashback em bitcoin para quem compra com o cartão da fintech. A ideia é que quem ganha seus satoshis, os “centavos” do bitcoin, se anime e passe a negociar essa e outras moedas.

Afinal, é assim que o Zro ganha dinheiro, na troca de moedas. Tanto que a fintech é do grupo B&T, o maior em câmbio do país, e se define como multimoeda, ou seja, uma empresa que fornece diferentes moedas fiduciárias e digitais.

Zro Bank aposta em crescimento do mercado de tokens

Para Vilela, deve acontecer com criptomoedas o que aconteceu com o comércio eletrônico. “As pessoas começaram comprando coisas pequenas para experimentar e depois passaram a comprar TVs e celulares”, disse ele ao Blocknews.

Com os novos tokens, “é uma experimentação do mercado de criptomoedas mais leve e mais compreensivo do que entrar direto em criptomoeda, que é uma disrupção”, completou.

Vilela, que trabalhou com o mundo digital na agência de publicidade que teve, e depois passou a trabalhar com bancos, diz que o Zro tem dois tipos de clientes. Um deles usa a fintech como porta de entrada, compra criptomoedas e fica “parado”.

E tem o ressabiado, que usa o cartão, ganha bitcoin, e vende seus satoshis, ganha dinheiro, acha interessante a liquidez e passa a usar mais o cartão e a comprar a moeda. A principal faixa de idade dos clientes do Zro Bank, cerca de 30% do total é de 35 a 40 anos.

O Zro pretende continuar investindo em criptos e tokens porque a maioria do mercado está fora desse mundo, inclusive as empresas. Assim com para pessoas, para o mundo corporativo os tokens podem mudar a forma como administram seus fluxos de caixa.

Comprar carro com token de soja

Só para dar alguns exemplos, Vilela cita soja e café. Em regiões produtoras dessas commodities, é possível pagar carros e outros produtos com o equivalente a sacas do produto. Isso significa que isso pode ser feito com um token. A cooperativa de café Minasul já vai nessa direção.

E se uma cadeia inteira de produção, ou parte dela, começa a usar o token, trava o valor do produto. Assim, compra um token de grão de soja num valor específico em real. Se o preço da soja subir, a compra já foi feita lá atrás. Se cair, claro, há prejuízo.

“Queremos trazer outras commodities com sinergia com outros mercados que já negociam esses produtos”. Porém, o Zro quer oferecer tokens e não emitir, como já faz, por exemplo, o Mercado Bitcoin.

Os tokens são uma representação dos ativos. Além disso, quem tem o token não tem poder de mexer no valor do que representa, como o dólar. Dessa forma, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite os tokens ao não não classificá-los como investimento.

O Zro Bank atingiu 200 mil downloads do seu aplicativo e, segundo Vilela, o número dobra a cada três meses.

Fatia do bitcoin no valor de mercado de criptos fica abaixo de 50%

Pela primeira vez desde 2018, o valor de mercado do bitcoin ficou abaixo de 50% do valor total das criptomoedas. Os motivos vão da queda de preço do bitcoin nos últimos dias e busca dos investidores por altcoins, a expectativas de melhorias na rede Ethereum, o que puxou a cotação da ether para cima.

Às 17h00 (horário de Brasília) desta quinta-feira (22), o valor de mercado de 6.817 criptomoedas no CoinGecko era de  US$ 2.071.464.176.781, sendo que o de bitcoin era de US$ 994.342.647.517. Na CoinMarketCap, que apura 9.431 criptos, o valor total estava em US$ 2.005.503.298.748 e o da moeda de Satoshi Nakamoto em US$ 990.950.589.852.

Fundo de bitcoin do Morgan capta US$ 29,369 milhões

Um dos fundos de bitcoin que o Morgan Stanley vai oferecer a seus clientes, o FS NYDIG Select Bitcoin Fund LPFS | NYDIG, levantou até agora US$ 29,369 milhões (cerca de R$ 176 milhões). A primeira venda aconteceu no dia 8 de abril.

De acordo com as informações enviadas hoje à Securities Commission Exchange (SEC), a CVM dos Estados Unidos, 322 investidores aplicaram recursos no fundo.

O banco Morgan Stanley oferece o investimento a seus clientes e recebe comissão da fNYDIG, de custódia de bitcoin, recebe US$ 200 milhões de Morgan Stanley, George Soros e seguradoras por esse serviço. A empresa é uma junção da FS, gestora de recursos com US$ 22 bilhões sob sua administração (AUM) e da NYDIG, braço de bitcoin da gestora de ativos alternativos Stone Ridge. Essa, por sua vez, tem US$ 6 bilhões de ativos sob custódia (AUC).

Brian Brooks, ex-regulador dos EUA, será CEO da Binance.US

Ninguém menos do que Brian Brooks será presidente da Binance.US. Até 14 de janeiro passado, Brooks era um dos reguladores dos Estados Unidos (EUA). Isso porque era o responsável pelo Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês). Nessa posição, deu espaço bancos atuarem com criptomoedas.

Durante sua gestão na OCC, Brooks emitiu comunicados em que permitiu, por exemplo, que bancos dos EUA custodiem ativos digitais, tenham reservas em moedas estáveis e participem de redes blockchain dessas moedas como nós. Assim, permitiu aos bancos atenderem à demanda crescente de seus clientes por criptomoedas.

Porém, Brooks não é um novato no mundo corporativo das criptomoedas. Por 19 meses, até maio de 2020, foi o responsável pela área jurídica da Coinbase, maior corretoras de criptos dos EUA.

No entanto, teve de abrir mão de usas opções de ações quando chegou deixou a Binance para se mudar para o COO. Na venda, ganhou algo em torno de U$ 4,6 milhões. Mas, seu sucessor teria ganho US$ 300 milhões na oferta de ações da empresa na semana passada.

A Binance, que diz ser a maior corretora de criptomoedas do mundo, com volume diário de US$ 48 bilhões, enfrenta problemas com reguladores nos EUA. No mês passado, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) abriu uma investigação sobre a possível venda de derivativos a americanos.

A CFTC diz que bitcoin e ether são commodities, portanto, quer regulá-los. Já a Binance afirma que não permite a residentes nos EUA acessarem seu site e evita que façam depósitos ou saques.

No Brasil, a associação que reúne corretoras de criptomoedas, a ABCripto, entrou com denúncia semelhante contra a Binance.

Dynasty Global deve lançar token D¥N, lastreado em imóveis, no início de julho

No início de julho, a Dynasty Global Investments prevê lançar a oferta do token D¥N, atrelado em imóveis de alto padrão. A empresa é de brasileiros e fica em Zug, no Crypto Valley da Suíça.

A expectativa de captação da Dynasty para 2021 é de 300 milhões de francos suíços, cerca de R$ 1,92 bilhão. Cada D¥N vale 60 francos suíços, ou seja, em torno de R$ 385. O token será atrelado a imóveis em locais como Nova York, Londres, Lisboa, Hong Kong e São Paulo.

A Dynasty disse ao Blocknews que a empresa já busca imóveis e “a primeira aquisição está prevista para se concretizar nos próximos 60 dias. Estamos com propostas em análise e em processo de due dilligence dos ativos”.

A renda do D¥N deverá vir dos alugueis dos imóveis. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não permite a venda desse tipo de token no Brasil. Por isso a empresa concentra a operação no exterior, como o BTG Pactual, que tem o token de imóveis recuperados ReitBZ.

Portanto, a Dynasty vai concentrar a oferta pública na Europa e Ásia. Assim, por enquanto os brasileiros estão fora dessa oferta.

Porém, em dezembro passado a Dynasty abriu um escritório em São Paulo e contratou parte de sua equipe aqui. Assim, reduz o custo Suíça. E, segundo disse ao Blocknews Eduardo Carvalho, um dos fundadores, já está posicionada para atuar no país se e quando esse tipo de token puder entrar em negociação aqui.

Além de preparar o lançamento da D¥N, a empresa pretender trabalhar na educação de investidores. Isso porque sabe que o assunto é muito novo e gera dúvidas e receios.

Recentemente, a Dynasty fez uma integralização de capital com criptomoedas, algo ainda pouco feito no país. A empresa enviou recursos da Suíça para o Brasil

Itaú adere a criptomoedas; tokens são revolução no mercado financeiro, diz executivo do banco

O Itaú, por meio do Itaú Personnalité, vai oferecer o ETF de criptomoedas da Hashdex. ETFs são fundos que tentam acompanhar índices e, nesse caso, é o Hashdex Nasdaq Crypto Index.

Com isso, o Itaú é o primeiro dos “bancões” a oferecer um produto exposto a criptomoedas. Portanto, se rendeu à demanda dos clientes pelo produto. Essa demanda cresceu aqui e fora, dizem os gestores de recursos, com a alta do bitcoin e outras criptomoedas.

É também uma mudança de postura, já que numa disputa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o banco disse que as criptomoedas eram usadas para fraudes. A disputa é contra corretoras, porque “bancões” deixaram de atendê-las.

O ETF deve ser o primeiro a ser negociado na B3 e ainda está em período de oferta. A previsão é que a negociação comece no próximo dia 26 de abril. O Itaú, junto com o BTG e a Genial, participaram do lançamento do fundo.

De acordo com Eric Altafim, líder de produtos e mesas corporate do Itaú BBA, o banco estuda as moedas digitais de banco central (CBDCs), as stablecoins e as criptomoedas clássicas, como bitcoin, “que em geral não têm lastro que justifique o valor, mas que têm muito valor.

Além disso, o banco estuda os tokens, “o que são uma revolução gigantesca para tudo o que a gente conhece no mercado financeiro”. Segundo ele, os tokens “têm um potencial muito interessante para fazer essa evolução do mercado, considerando exemplos como os tokens de precatório, de crédito de carbono e de times de futebol”.

Altafim deu a declaração durante o podcast “Criptomoedas: agora dá para investir também no Itaú”, nesta quarta-feira.

Para Stefano Sergole, diretor de distribuição da Hashdex, o mercado de criptomoedas depende de adoção, de conhecimento e de educação. “Quanto mais pessoas participarem, o mercado tende a ficar mais maduro.”

Para quem está acostumado com o mercado tradicional, é preciso considerar que as métricas de avaliação dos ativos são diferentes das usadas no mercado de criptos.

“Não dá para atribuir nada das métricas do mercado tradicional, que têm pouco impacto na indústria de criptomoedas”, afirmou Sergole. Altafim concordou.

Bolsa de Nova York lança NFTs do toque do sino em ofertas de ações

A Bolsa de Nova York (NYSE) vai vender tokens não-fungíveis, os NYSE NFTs, com o toque do sino de seis IPOs relevantes. Entre eles o do Spotify. Essa é mais uma ação do mundo cripto que avança para o de finanças tradicionais.

O sino da NYSE é tradicional. O CEO da empresa toca o sino assim que começa a negociação de sua ação. O toque é uma festança lá e em outras bolsas, inclusive na brasileira B3. Portanto, o NFT é a memória do som do sino.

De acordo com a presidente da NYSE, Stacey Cunningham, a bolsa já processa mais de 350 bilhões de ordens, cotações e mensagens nos dias mais agitados. É o maior volume entre as bolsas. Além disso, a bolsa grava tudo na sua plataforma de registro distribuído.

Além do toque da Spotify, a bolsa de Nova York vai negociar também os da Snowflake (nuvem), Unity (motor de jogo), DoorDash (entrega de comida), Roblox (videogame) e Coupang. A Coupang teve o maior IPO do ano, de US$ 4,6 bilhões.

Stacey não deu detalhes sobre o modelo econômico dos NFTs. Mas, afirmou que vai lançar “muitos outros” NFTs. A venda é feita na Crypto.com.

A cada, o mercado cria NFTs dos mais variados tipos. Vão de obras de arte digitais a direitos sobre músicas e checagem de notícias, como fez a plataforma brasileira da Agência Lupa.