Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Hashdex recebe primeira autorização de ETF de criptomoedas do Brasil

Hashdex recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para lançar o primeiro ETF de criptoativos do país. O fundo será negociado na B3 com o nome de Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice e o código HASH11. A gestão é da Hashdex.

O fundo vai ser distribuído pela Genial Investimentos Corretora De Valores Mobiliários, BTG Pactual e Banco Itaú BBA S.A. A empresa afirma que dará mais detalhes no futuro sobre o fundo.

No mês passado, a Hashdex lançou o Hashdex Crypto ETF na Bolsa de Bermuda (BSX), o primeiro do mundo baseado em criptomoedas. Assim como o do Brasil, segue o Nasdaq Crypto Index (NCI).

O ETFs são investimentos mais conhecidos em mercados como o dos Estados Unidos (EUA). Mas aqui também existem. O objetivo dos ETFs é acompanhar um índice ou segmento.

Assim, quem investe nele acompanha o setor. Isso significa, portanto, que o risco não é mais alto ou mais baixo. É apenas uma maneira de o investidor tentar garantir o máximo de rentabilidade semelhante ao de empresas daquele segmento.

A composição do índice é a seguinte atualmente:

Bitcoin (BTC)78,61%
Ethereum (ETH)16,86%
Litecoin (LTC)1,58%
Bitcoin Cash (BCH)1,03%
Chainlink (LINK)1,27%
Stellar Lumens (XLM)0,65%

E desde que foi lançado, o desempenho do índice tem sido, claro, de alta, já que acompanha os preços das criptomoedas. O gráfico abaixo mostra a performance.

Nasdaq Crypto Index Performance

ABCripto anuncia entrada de BitBlue; mas agora, são apenas quatro associados

A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) completa 3,5 anos com um perfil bastante diferente daquele do seu lançamento. Em setembro de 2017, no anúncio de sua criação, contava com nomes como FoxbitMercado BitcoinCoinWiseBlockchain Research Institute BrasilOriginal MyLatoex e Cointimes.

A ideia era ser uma associação para todo o ecossistema de criptoativos, não apenas corretoras. Chegou a ter cerca de 20 associados. O objetivo era ter, por exemplo, guias de conduta e de mercado. A ideia era até ter um prêmio para o segmento.

Mas, houve uma dissidência, com a criação da Associação Brasileira de Criptoativos e Blockchain (ABCB), motivada pela falecida Atlas Quantum. Com a derrocada da Atlas, ficou apenas a ABCripto. Agora, a associação anuncia a entrada da BitBlue, plataforma de negociação de criptomoedas.

No entanto, com a BitBlue, a ABCripto tem quatro membros, que incluem também o Mercado Bitcoin, a Foxbit e a NovaDax. Membros foram saindo ao longo do tempo e há alguns dias, BitPreço e Ripio deixaram a associação.

Ambas saíram devido a denúncia da ABCripto contra a Binance. A BitPreço conecta quem quer comprar ou vender bitcoin, ether e USDT com corretoras. Ao deixar a associação, alegou que por ser marketplace, mantém boas relações com todas as exchanges. Assim, manteve sua relação com a Binance.

Já a argentina Ripio informou que estava deixando a associação por discordar da denúncia. Isso porque sua visão sobre o caso, afirmou, é mais ampla do que a defendida pela ABCripto.

ABCripto diz que entende saídas

De acordo com mensagem da associação enviado ao Blocknews, a ABCripto diz que “entende o posicionamento das empresas e que seguirá cumprindo seu papel de buscar condições justas de mercado”.  

Em janeiro passado, a associação anunciou mudanças na diretoria. Safiri Felix, diretor-executivo desde 2019, passou a conselheiro. No seu lugar entrou Fernando Bresslau. Além disso, Rodrigo Monteiro, por sua vez, se tornou diretor de relações institucionais, com foco em conversar com o poder público.

Tokens de Batman e Mulher Maravilha? DC Comics estuda lançar NFTs de seus personagens

A editora de histórias em quadrinhos DC Comics estuda lançar NFTs, os Non-fungible tokens NFTs. Assim, a editora de personagens como Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha vai colocá-los em tokens únicos que fãs e colecionadores poderão comprar.

Os NFTs representam algo único, em boa parte peças de arte e figurinhas. É um mercado que passa por uma explosão de oferta e demanda, em especial de colecionadores. Há emissores de todo tipo, por exemplo, a NBA. Jack Dorsey, CEO do Twitter, também colocou a venda seu primeiro tweet.

A DC Comics é a editora de personagens como Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha. Por isso, pretende distribuir e vender NFTs tanto de artes criadas para se tornarem tokens, como de arte digital cedidas para livros de cômicos da empresa.

A informação está numa carta que Jay Kogan, vice-presidente de assuntos jurídicos da DC enviou aos artistas freelancers da empresa. A carta é de quinta-feira passada (11). De acordo com o documento, “a empresa está examinando o mercado de NFT. A mensagem foi relevada no Twitter por uma freelancer

Mas, a DC faz um alerta aos freelancers. Caso um deles receba uma oferta para incluir seus desenhos da DC em NFT, deve avisar o vice-presidente de Talentos, Lawrence Ganem. Isso significa que a este ponto, a empresa sabe que já tem gente de olho em seus personagens.

Segundo a carta, a DC espera que seus freelancers participem do programa de NFT. E se compromete a buscar uma “solução razoável e justa para todas as partes envolvidas”. Isso, diz a editora, inlcui fãs e colecionadores.

DC estuda lançar NFTs num mercado que já tem NBA e Christie’s

Ao lançar NFTs, a DC, braço da Warner Media, se juntaria a um grupo que já inclui até a tradicional casa de leilões Christie’s . E foi essa casa que vendeu uma obra de Mike Winkelmann (Beeple), First 5000 Days. O valor: US$ 69 milhões (algo como R$ 450 milhões.

O comprador atende pelo pseudônimo de Metakovan, revelou a Christie’s. Ele se diz ex-aluno da aceleradora Y-Combinator. Além disso, afirma atuar com criptomoedas desde 2013 e é um “original gangster” em DeFi. Também é o apoiador financeiro do fundo de investimentos em NFT Metapurse.

Parfin, que conecta investidor institucional a criptos, recebe aporte de US$ 1,3 milhão

A Parfin, plataforma que busca conectar clientes institucionais a criptoativos, recebeu aporte seed de US$ 1,3 milhão. O investidores líder é o Valor Capital Group, investidor também da Coinbase. Além dele, participaram o brasileiro Alexia Ventures, a empresa de infraestrutura de investimentos Vórtx e anjos.

O objetivo da plataforma é atuar como uma “Crypto as a Service”. Assim, os bancos se conectam com a diferentes corretoras via plataforma. O objetivo é tornar mais fácil operar e gerir investimentos em criptomoedas e dar maior segurança aos investidores institucionais.

A startup foi criada por três profissionais em 2019. Um deles é Marcos Viriato, ex-sócio do BTG. Ele investe em outras startups que também lidam com blockchain, como a Gavea Marketplace.

Cristian Bohn, ex-diretor associado de renda fixa do BTG e que atua em Londres, também faz parte do grupo. E o terceiro é Alex Buelau, que atuou com tecnologia na área de saúde, em empresas como Siemens e Genomics.

De acordo com comunicado da empresa, o investimento permitirá a expansão do portfolio de serviços da Parfin para ativos digitais e serviços financeiros, como pagamentos.

A empresa recebe o aporte num momento de aumento de investimentos por clientes institucionais. Em busca de maiores retornos, devido aos baixos juros mundialmente, esses investidores passaram a operar com maior força com criptomoedas. Ou seja, a empresa esse é só o começo do segmento que interessa à startup.

A conexão entre todos os participantes da plataforma acontece por meio de APIs. Assim, empresas como corretoras, custodiantes e bancos estejam conectados, facilitando a movimentação dos ativos.

Para Michael Nicklas, sócio-diretor da Valor Capital Group, a startup melhora a eficiência operacional com criptoativos. Em entrevista ao jornal O Globo, Viriato afirmou que a empresa tem cinco clientes institucionais.