Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bitcoin tem sua primeira transação extraterrestre feita por meio da estação espacial internacional

SpaceChain, empresa de criptos do Reino Unido que tem a cabeça no espaço – literalmente -, anunciou hoje que conseguiu fazer a primeira transação extraterrestre com bitcoin. A operação aconteceu usando um hardware instalado na Estação Espacial Internacional (ISS), com múltiplas assinaturas, ou seja, usando várias chaves de segurança.

A operação de 0,0099 BTC (hoje cerca de R$ 500,00) foi iniciada no dia 26 de junho por Jeff Garzik, co-fundador e CTO da SpaceChain. O que ele tem na cabeça é construir a primeira rede de satélites de código aberto baseada em blockchain, para viabilizar transações financeiras no espaço.

Para essa primeira transação, houve suporte de uma infraestrutura na Terra. O dado criptografado foi transmitido por meio de uma estação aqui para a ISS, que tem uma chave de segurança para verificar a operação.

Hardware viajou com SpaceX Falcon 9

A empresa britânica tem apoio da Agência Espacial Europeia (ESA). Em dezembro do ano passado, anunciou que estava enviando o hardware para transações no espaço na viagem do foguete SpaceX Falcon 9, que levou suprimentos à estação internacional.

Para quem duvida da transação, o recibo foi divulgado e está disponível no btc.com.

O computador usado foi projetado pela GomSpace, empresa dinamarquesa de sistemas espaciais. A Nanoracks, que desenvolve soluções para estações espaciais, também participou do projeto.

Uso em massa de blockchain

“À medida em que identificarmos mais casos de uso de blockchain em redes de satélite, esperamos estimular o uso em massa da tecnologia”, disse Garzik.

Para o CEO da GomSpace, Niels Buus, a operação feita pela SpaceChain é um incentivo para o uso de sistemas e serviços espaciais de forma comercial.

Empresas da ABCripto criam código de conduta para se diferenciarem para clientes e reguladores

A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) lançou, hoje (13), o Código de Autorregulação para o setor de criptomoedas. O objetivo é estabelecer um ambiente com maior compliance, aumentando a segurança jurídica e preenchendo uma lacuna regulatória, segundo o diretor-executivo da ABCripto, Safiri Felix.

Com os 3 documentos do código, que cobre transações de criptos, lavagem de dinheiro e financiamento a terrorismo, as empresas tentam cobrir a falta de determinadas regras e leis, se antecipam a futuras regras e, portanto, se posicionam de forma a chamar a atenção de reguladores e legisladores para que sejam chamadas a participar da discussão de futuras regulamentações. O código é aplicável a empresas que fazem custódia, intermediação e corretagem de criptoativos.

“O código mostra aos reguladores e usuários que sabemos o que estamos fazendo, que sabemos lidar com criptomoedas e organizar um processo que protege os stakeholder. Isso é muito relevante para termos a confiança do regulador e do legisladores quando pensarem em regular o setor. Mostramos que conseguimos nos organizar e falar como ecossistema”. disse Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin.

De olho no crescimento do mercado

Além de mostrar que atuam de forma correta e que querem ser ouvidas pelos reguladores, as signatárias dos documentos tentam diminuir a aversão às criptomoedas como investimentos por conta de atividades criminosas. O segmento de criptomoedas sofre com problemas como pirâmides, o que criou muita aversão entre potenciais investidores. No final, pretende-se fazer esse mercado no Brasil.

A AbCripto reúne BitBlue, BitPreço, Foxbit, Mercado Bitcoin, NovaDax e Ripio, que respondem por 80% das transações com criptomoedas no país.

O código foi assinado usando solução blockchain da GrowthTech, desenvolve aplicativos para para o setor imobiliário. Estima-se que o segmento de criptoativos movimente R$ 100 bilhões em 2020 no país.

Plataforma de engajamento de fãs recebe investimento de jogadores da NBA

 A Dapper Labs, uma empresa de engajamento de fãs que usa plataforma blockchain para criar e vender tokens, recebeu um aporte de US$ 12 milhões de um grupo de investidores que inclui os jogadores da NBA Andre Iguodala (Miami Heat), Spencer Dinwiddie e Garrett Temple (od os dois do Brooklyn Nets), JaVale McGee (Los Angeles Lakers), e Aaron Gordon (Orlando Magic).

Segundo a empresa, o dinheiro será usado para ampliar projetos que envolvam fãs da NBA e de outras marcas, como UFC e Warner Music. Sua plataforma, a Flow, pode rodar tokens com animação 3DI.

É nela que roda em teste o seu principal produto, o NBA Top Shot, que já vendeu o equivalente a US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 3,6 milhões) em tokens colecionáveis de momentos históricos de jogos da liga.

A plataforma do NBA Top Shot tem mais de 13 mil pessoas na fila de espera hoje para comprar os cartões digitais, que são multimídia e fornecem informações sobre o momento que representam. Nos dois meses de teste, 900 fizeram compras.

Além dos jogadores, investiram na plataforma Coinbase Ventures, Distributed Global, Valor Capital Group, A.Capital, BlockTower Capital, Blockchange Ventures, EONXI Ventures, Reed Company, Greenfield One, North Island Ventures, Republic Labs, L1 Digital AG and Pirata Capital. A Samsung NEXT e a Andreessen Horowitz, da Associação Libra, já eram investidores.

Ministério da Economia vai discutir uso de criptos para lavagem de dinheiro

A Coordenação-Geral de Investigação e Inteligência da Corregedoria do Ministério da Economia vai discutir o uso de criptomoedas para lavagem de dinheiro, num webinário que acontece nesta quinta-feira (5). As inscrições devem ser feitas até 18h desta segunda-feira (3), mas apenas para quem pertence a órgão convidados.

A segunda edição do webinar “Lavagem de Dinheiro via Criptoativos” vai discutir regulação, questões legais de apreensões, investigações e ferramentas para investigações em blockchain e criptomoedas.

Os panelistas incluem procuradores, promotores de justiça e representantes da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ethereum faz 5 anos com lista respeitável de empresas como usuários

Das mãos, ou melhor, da mente de um rapaz de 19 anos, saiu uma das mais conhecidas plataformas blockchain do mundo e que ontem (30) completou 5 anos. Vitalik Buterin, russo-canadense, já era um apaixonado por bitcoin, quando lançou um whitepaper para uma nova solução descentralizada. Isso foi em 2013. Em 2014, ganhou uma bolsa e se dedicou só a isso. E em 2015, com outros parceiros, implantou a Ethereum.

Com suas características que resolvem diversos problemas para as empresas, como os smart contracts (contratos inteligentes), e aceita aplicativos financeiros (decentralized finance, os DeFis), a plataforma ganhou empresas como usuárias, além de usuários da sua cripto Ether.

Segundo um artigo da Consensys, empresas de soluções blockchain de Joseph Lubin, um dos fundadores da Ethereum, a lista de empresas que usam blockchain inclui 32 das que estão na Forbes Blockchain 50, um agregado de quem tem receita de pelo menos U$1 bilhão ao ano ou é avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

A lista de usuários tem de tudo, de bancos a empresas do agronegócio. A Depository Trust & Clearing Corporation, que processa transações avaliadas em cerca de US$2 quadrilhões ao ano (algo como a bagatela de R$ 12 quadrilhões) também anunciou que vai testar um protótipo testar um protótipo com Ethereum para gerenciamento de ativos, diz a Consensys.

Numa live para falar do aniversário, Ken Seiff, que investiu na ideia que nem todo mundo acreditava, disse que neste ano a plataforma ganhou uma segunda vida.

O motivo é o boom dos DeFis, que permitem, por exemplo, empréstimos em cirptomoedas. Há um valor equivalente a bilhões de dólares de criptomoedas em produtos financeiros baseados na Ethereum, completou.

A rede também está conseguindo se sair bem na disputa entre sua moeda Ether e Bitcoin. Na semana passada, a Ethereum superou a Bitcoin como plataforma com mais valor de transações por dia. Isso inclui de Ether (ETH) e tokens.

Nada mal para algo que começou desacreditado por muito gente.

BTG paga R$ 480 mil em dividendos do token imobiliário ReitBZ

O token imobiliário do BTG Pactual, ReitBZ, vai distribuir US$ 87.569,20 (cerca de R$ 480.630,00) em dividendos. É o primeiro dessa categoria a distribuir ganhos para seus investidores, segundo o banco.

O BTG é o primeiro banco brasileiro e de investimentos do mundo a ter um ativo como esse em seu portfolio. O produto foi lançado em fevereiro de 2019 e a emissão de tokens ocorreu em maio do mesmo ano.

Os tokens representam fatias de imóveis recuperados pelo BTG. A empresa que administra esse negócio é a Enforce, braço do banco especializado em recuperação de créditos. O portfolio tinha 322 unidades e 198 já foram vendidas.

Por questões regulatórias, a operação é baseada no exterior. As compras podem ser feitas em diversos países, mas não por brasileiros ou residentes no Brasil e nem nos Estados Unidos.

Também não podem ser feitas em países onde criptomoedas são consideradas ilegais, como China, Bolívia e Equador e naqueles considerados paraísos fiscais pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD) e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Pagamento por smart contract

Os pagamentos dos dividendos serão feitos por contratos inteligentes (smart contracts), que rodam em plataforma blockchain. Desde maio deste ano, o token é emitido na plataforma Tezos.

“O ReitBZ é a prova de que nossos esforços (de investimento em tecnologia) têm gerado bons retornos aos nossos clientes”, disse o CEO do banco, Roberto Sallouti. O BTG quer criar um mercado secundário do token.

O primeiro ciclo de investimentos gerou receitas de US$ 220.288 (cerca de R$ 1,211 milhão). O investimento mínimo no ReitBZ é de US$ 500. O banco afirma já ter superado o soft cap, que é o valor mínimo feito por investidores no seu lançamento, o chamado ICO (Initial Coin Offering). O soft cap é de US$ 3 milhões. O BTG Pactual também diz que 100% da receita é distribuída.

“Quando se pensa em investimentos, ainda se pensa em termos locais. A ReitBZ é um produto disruptivo em sua forma de pensar”, disse André Portilho, o sócio do BTG responsável pelo token.

Transações de bitcoin e ether podem atingir recorde de US$ 1,3 tri em 2020, diz Messari

As transações de bitcoin e ether combinadas podem atingir o recorde de US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,5 trilhões) em 2020, um recorde, segundo Ryan Watkins, co-fundador da Messari, empresa de informações sobre o mundo cripto.

Nos últimos 3 anos, o valor anual de transações das duas moeda atingiu US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões). Isso põe por terra a teoria de que as pessoas não estão usando as criptomoedas para pagamentos, afirmou.

“Enquanto é verdade que a maioria das pessoas não querem fazer transações com uma moeda volátil e a maioria preferiria manter suas criptomoedas para investimento, não é necessariamente verdade que elas não estão sendo usadas para pagamentos.”

Mudanças

Além do recorde, há um outro ponto novo no cenário. A rede Ethereum superou, nesta semana, a Bitcoin como plataforma com mais valor de transações por dia. Isso inclui as negociações de Ether (ETH) e tokens.

De acordo com a Messari, as stablecoins tiveram um grande peso nesse movimento, com US$ 508 bilhões (cerca de R$ 2,54 trilhões) liquidados em 2020), com o Tether (USDT) sendo o mais representativa nesse valor. Além disso, o movimento é praticamente o dobro do ano passado.

O crescimento do segmento de finanças nas redes, a DeFi, em que se pode fazer empréstimos com as criptomoedas, também ajudou nesse desempenho.

Transações de criptos no Brasil cresceram 1,8% no primeiro trimestre

O total de criptomoedas movimentadas no Brasil somou R$ 26,62 bilhões no primeiro trimestre de 2020, um aumento de 1,8% sobre o último trimestre de 2019, segundo a Receita Federal.

A Receita Federal classifica as movimentações em três categorias: de pessoas físicas e jurídicas com uso de exchanges, sem uso de bolsas e as transações das exchanges. que atuam no mercado de criptomoedas brasileiro.

Também avisa que o relatório considera as movimentações informadas ao órgão e que pode haver erros. “Esses erros são frequentes, significativos e não são passíveis de identificação e exclusão do conjunto dos dados ora divulgados”, diz a Receita.

A declaração de transações à Receita é obrigatória desde o ano .

As categorias com mais transações no trimestre variaram a cada mês. Em janeiro foram as operações de bolsas (R$ 3,42 bilhões). Em fevereiro e março foram as de pessoas físicas e empresas com uso de bolsas (R 6,16 bilhões e R$ 5,25 bilhões, respectivamente).

A moeda XRP, da Ripple, foi mais comercializada do que a Bitcoin, com os valores registrados de R$12,2 bilhões, antes os da cripto de Satoshi Nakamoto, que atingiu R$10,2 bilhões.

As principais moedas começaram o ano em alta, no início da pandemia tiveram perdas e voltaram a se recuperar, diz Safiri Felix, diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto).

O relatório mostra que as mulheres são uma fatia pequena no total de movimentos com criptomoedas.

Nike faz acordo para consumidores receberem cashback em tokens Pluton

A Nike fez um acordo com a Plutus, startup inglesa que tem um app de serviços financeiros em criptomoedas, para que seus clientes tenham cashback – devolução de parte do valor das compras feitas nas suas lojas com o Plutus Visa Card .

A startup já tem parceiros como parceiros marcas como Airbnb. 

Minyi Soon, CPO da Plutus, é possível comprar um Nike Air Max, customizar no site Nike By You e ter um cashback de 90%, além dos 3% de criptoback pela compra.  Os ganhos aparecem como tokens Pluton, um ERC-2- da Ethereum.

Accenture, IBM, Microsoft, R3 e UBS formam grupo para incentivar uso de tokens

Um grupo de mais de 30 empresas e instituições iniciou, ontem (2), a operação da InterWork Alliance (IWA). O objetivo é criar padrões que aumentem o uso de ativos tokenizados por meio de uma plataforma neutra, uma vez que a falta desses padrões está emperrando a adoção de modelos de negócios distribuídos.

Entre os membros do grupo estão empresas como  Accenture, Chainlink, HACERAHedera Hashgraph, IBMINGMicrosoft,  NasdaqNeo Global Development, R3Tokensoft e UBSWeb3 Labs, além de associações como Blockchain Research InstituteBritish Blockchain Association (BBA)Cloud Security Alliance, Global Blockchain Business Council (GBBC), HyperledgerInternational Token Standardization Association (ITSA).

Segundo a IWA, o fato de haver uma grande quantidade de plataformas está dificultando o uso de ativos tokenizados. Por isso, é necessário ter padrões no nível dos negócios, para que as empresas primeiro decidam aplicar modelos de negócios distribuídos, antes de pensar qual plataforma vão usar.

A aliança vai definir padrões para aplicações distribuídas, incluindo estruturas para tokenização de ativos, redação de contratos sobre esses tokens e análises de preservação de dados de vários membros. O grupo fará um webinar para falar sobre como vai trabalhar, o “Intro to the InterWork Alliance – Accelerating the Token Economy,”