Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Enquanto bancos centrais estudam suas moedas, criptos “são caminho sem volta”

O mundo tem em estudo 64 modalidades de implementação de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). É o que apurou o grupo de trabalho sobre essas moedas da R3, segundo Keiji Sakai, responsável pela empresa no Brasil.

O real digital é uma das CBDCs em estudo. E “será relevante para novos modelos de negócios”, de acordo com Aristides Cavalcante, chefe-adjunto do departamento de tecnologia da informação do BC.

Enquanto o BC vê potenciais benefícios com as CBDCs, se preocupa com pessoas que compram criptomoedas “pensando em retorno rápido”, disse Cavalcante.

Segundo ele, quem compra cripto está sujeito, por exemplo, a problemas dos mineradores da moeda na China, como têm acontecido, e “ao coração partido de Elon Musk”. O representante do BC se referiu ao emoji do fundador da Tesla no início de junho, relacionando a figura a bitcoin.

Keiji e Cavalcante participaram, hoje (24), do painel “CBDCs, NFTs e stablecoins: qual o impacto dos ativos digitais no mercado” do Ciab 2021 da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Na quarta-feira (23), em reunião fechada com o conselho da Febraban, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que criptoativos exigem cautela pelo público. Isso porque são arriscados e não regulados.

Moedas de bancos centrais trarão novo modelo de negócios, diz BC

No entanto, durante o painel desta quinta-feira, alguns participantes concordaram que criptoativos vão crescer. De acordo com André Portilho, sócio do BTG Pactual, o banco vê convergência do sistema financeiro tradicional e dos criptoativos.

“Tem que interagir. Não adianta só estudar.”, afirmou. E disse que a instrução para a equipe do BTG é “não se apaixonar pela tecnologia. Mas pelo que pode trazer em produtos, serviços e de novo na forma como fazemos as coisas”.

A B3 também está atenta aos criptoativos, já que estão cada vez mais mainstream, disse Luís Kondic, diretor de Produtos Listados e Dados da bolsa.

“As instituições estão reagindo à demanda de clientes e nós também à potencial consolidação de criptoativos como nova classe de ativos”, afirmou no painel.

A bolsa também acompanha, por exemplo, o movimento da Bolsa de Valores da Austrália (ASX). A instituição está testando o uso de blockchain no seu sistema de liquidação. Mas adiou o lançamento para 2023.

“Estamos acompanhando para ver como integrar blockchain na nossa operação. É inegável o crescimento do mercado e é fundamental entender as possibilidades, características e buscar oportunidades”, acrescentou Kondi.

A B3 é uma das poucas bolsas do mundo que tem fundos de índices relacionados a criptomoedas. Desde ontem, são dois: um da Hashdex e outro da QR Capital.

Segundo Sakai, “há uma procura global das grandes casas financeiras, inclusive no Brasil, para que falemos mais sobre como se posicionar e as tendências sobre criptoativos”. “É caminho sem volta.”. Isso apesar da volatilidade, que pode ser uma oportunidade, completou.

Volatilidade é típico de novas tecnologias, diz sócio do BTG

Portilho afirmou que volatilidade e formação de bolhas são comuns com novas tecnologias. E lembrou as negociações de ações da Telebrás na década de 90.

Quando a nova tecnologia se soma a um movimento macroeconômico de expansão monetária, como aconteceu com os programas de auxílio dos governos durante a pandemia, “a chance de ter bolhas é grande”, afirmou.

No entanto, Portilho disse que 25% da ações da Nasdaq são mais voláteis do que bitcoin. Por exemplo, as de empresas de biotecnologia. “É assimétrico, tem oportunidade e tem risco. E é uma evolução, não tem jeito.”

Para Portilho, é preciso “entender que a partir do momento que digitaliza e descentraliza, é impossível tentar adivinhar para onde vai a tecnologia”. Quem usou internet discada, não imaginou o mundo de hoje e muito desse caminho vai acontecer na indústria financeira, completou.

A questão é como fazer essa mudança com segurança e com um arcabouço regulatório que não coíba inovação, de acordo com Portilho. “Vamos ver muito desafio regulatório daqui para frente. As jurisdições físicas estão sendo contestadas.”

No entanto, acrescentou, “o caminho parece muito promissor, embora não linear. A gente está muito animado, botando a mão na massa, trabalhando e interagindo”.

FCMLAW lança ferramenta para artistas definirem direitos sobre NFTs de suas obras

Nesta semana, a gravadora Roc A Fella Records (RAF) abriu um processo contra Damon Dash, um de seus co-fundadores, por colocar à venda um token não fungível (NFT) do primeiro trabalho do rapper Jay-Z, Reasonable Doubt. O motivo do imbróglio é uma disputa referentes aos direitos sobre rendas futuras do álbum que o NFT dará ao seu comprador.

Casos assim poderão se tornar mais comuns no futuro por conta da falta de clareza sobre direitos e deveres embutidos em boa parte dos NFTs à venda no mercado. E por perceber essa falha na definição das licenças ou cessões de direitos autorais, a FCMLAW – Faria, Cendão & Maia Advogados lança, nesta quarta-feira (23), a NFTerms.

A ferramenta é aberta e permite que criadores de NFTs definam com mais facilidade e precisão pontos relacionados à propriedade intelectual de suas obras, ou seja, sobre os direitos adquiridos.

A NFTerms está começando com os princípios básicos de propriedade intelectual de colecionáveis e artes. Porém, mais tarde estará no GitHub para a comunidade sugerir melhorias.

“Hoje há um limbo. Está claro como negociar os tokens. Mas quando se vincula isso com os direitos autorais, não está claro o que esses NFTs são”, disse ao Blocknews Fábio Cendão, CEO do FCMLAW. “Quem compra, sabe qual direitos e deveres têm?”, questina ele.

É por isso que especialistas sempre alertam para a necessidade de checar o que se está comprando, ou seja, os direitos.

Nem sempre vendedor e comprador se atentam aos direitos sobre NFTs

“Identificamos que ninguém sabe exatamente o que é transacionado, se é arquivo digital, se é direito autoral. E isso não é um problema da tecnologia, ao contrário. É de como as pessoas enxergam o que estão transacionando. Então, decidimos dar clareza a isso’, afirmou Gabriel Laender, sócio do FCMLAW.

Assim, a ferramenta permite que o criador de NFTs defina, por exemplo, se a obra é uma obra pessoal, jornalística ou empresarial e qual os direitos de uso da obra o comprador do token tem.

Há ainda outros pontos como atribuição de crédito do autor, pagamento de direitos na exploração ou revenda do token e uso irrestrito ou limitado da obra. Feito isso, a NFTerms gera a licença que será incluída no token.

As regras são as mais básicas e conhecidas de propriedade intelectual e foram trazidas para o mundo dos tokens-não-fungíveis.

“Fizemos opções pré-padronizadas. Mas não serão só essas, por isso a ferramenta é open source. Para criar um diálogo para desenvolver cada vez mais essas licenças e reproduzir o que as pessoas querem fazer”, disse Laender.

Quando mais claras as regras, menor o risco de decepção dos dois lados. O comprador não descobre depois da compra que não pode fazer o que pretendia com o NFT. E o artista não corre o risco de ver, por exemplo, o comprador ganhar dinheiro ao licenciar o uso da obra sem lhe pagar nada.

Plataformas proprietárias de NFTs têm regras mais claras

De acordo com os advogados, os NFTs de plataformas donas do que vendem, como a NBA Top Shot, têm regras bastante claras. Mas quem cria NFTs de obras e coloca em marketplaces, pode deixar as questões indefinidas ou sem detalhamento.

No caso da briga da RAF com Damon Dash, a gravadora diz que o anúncio na plataforma SuperFarm indicaria que o vencedor do leilão terá os direitos de todas as receitas futuras do álbum.

Dash, por sua vez, diz que só o NFT representa apenas sua parte no álbum. Dessa forma, Jay-Z, que também é co-fundador da RAF, continuaria com os direitos exclusivos.

Dependendo de como é a relação constituída entre um marketplace e um consumidor, uma disputa como a do NFT do álbum de Jay-Z pode até parar no direito do consumidor.

Os próximos passos da ferramenta para NFTs da FCMLAW incluem tratar dos direitos para tokens de áreas como metaversos, games, esportes.

O código original da internet virou NFT e está à venda na Sotheby’s

O código original da internet, a World Wide Web (WWW), que seu inventor Tim Berners-Lee escreveu em 1989 está à venda como token não-fungível (NFT). O leilão “Isso mudou tudo” será de 23 a 30 de junho na Sotheby’s. Os lances do mais meta dos NFTs começam em apenas US$ 1 mil. “(NFTs) são a forma ideal de empacotar as origens da web”, disse o cientista da computação Berners-Lee.

Além do NFT do código da internet, o vencedor dos lances levará uma animação visual, uma carta do cientista britânico e um poster digital do código completo. O arquivo tem 9.555 linhas de código, as implementações de três linguagens e protocolos que ele inventou, que são o HTML, o HTTP e o os URIs. Assim como as instruções de HTML para os primeiros usuários da internet e de como usar o Slideshow.

Berners-Lee criou o código quando trabalhava na A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern na sigla em inglês). E trabalhou para que se tornasse gratuito e acessível para todos.

NFT de internet e satélite para amantes do espaço

Já para os amantes de assuntos aeroespaciais, começou nesta segunda-feira (14) a venda de uma coleção de NFTs da Força Espacial dos Estados Unidos (USSF). O nome é “NFT do Lançamento do Satélite Armstrong com a Força Espacial”. Isso porque a USSF lança nesta quinta-feira (17) mais um foguete que levará um satélite da frota GPS III, que ganhou o nome de Armstrong. É uma homenagem a Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar na lua.

Serão peças de realidade aumentada interativa das empresas de arte digital WorldwideXR e VueXR. A venda começou nesta segunda-feira (14) e será nas plataformas Star Atlas e Ethernity. A coleção inclui um NFT do Armstrong. Assim como uma moeda e NFTs de emblema como as comemorativas que a USSF costuma fazer para os membros de suas missões. Além de um NFT em 3D de mais de 30 satélites que estão em órbita e forma a constelação GPS em voa da terra.

QR Capital lança ETF de bitcoin na B3 e Hashdex vai para EUA

No próximo dia 23 começa a negociação do fundo de índice (ETF) da QR Capital Asset Management com 100% de exposição ao bitcoin. Será o segundo ETF de criptomoedas na B3 e de acordo com a empresa, o primeiro do tipo na América Latina. A BTG vai fazer a coordenação da oferta do QBTC11 com Easynvest, Órama, Vitreo, modalmais e Inter.

O ETF vai seguir o CME CF Bitcoin Reference Rate, que é referência de contratos futuros de bitcoin na Chicago Mercantile Exchange Group, referência no segmento. O investimento pode ser feito a partir de R$ 100. 

Pelo cronograma de lançamento, as corretoras e agentes autorizados têm até 11 de junho para aderirem à oferta. As subscrições das cotas vão de 14 a 18 de junho. E no dia 22 é a liquidação financeira da oferta.

A outro ETF de criptomoedas é o da Hashdex. A negociação do Hash11 começou em 26 de abril com captação inicial de R$ 615 milhões e agora tem cerca de R$ 1,3 bilhão de patrimônio.

Mas, é um ETF multicriptomoedas, com bitcoin e ethereum. As duas criptomoedas respondem por 95% do índice Nasdaq Crypto Index (NCI).

ETF de bitcoin no Brasil e produtos da Hashdex nos EUA

A Hashdex, por sua vez, anunciou hoje que vai começar a distribuir fundos de investimento nos Estados Unidos. Isso acontecerá por meio de uma parceria com a Victory Capital, quem tem mais de US$ 150 bilhões sob gestão. A empresa vai distribuir produtos como o ETF Hash11, que seguem o NCI.

“Estamos muito felizes de poder levar esta novidade para o mercado americano, que até então vinha muito centrado em produtos focados em bitcoin”, disse Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex, em comunicado à imprensa.

Em maio, a Hashdex recebeu um aporte de R$ 135 milhões numa rodada liderada pelo Valor Capital Group. Mas também participaram outros investidores, como a Coinbase, maior bolsa de criptos dos EUA, e o Softbank.

Bitcoin perde peso e Ethereum ganha no Nasdaq Crypto Index da Hashdex

O bitcoin perdeu 20% de peso no Nasdaq Crypto Index (NCI), que é a referência do fundo de índice (ETF) Hash11, da Hashdex, em negociação na B3. Porém, a participação do Ethereum dobrou. Isso porque a Hashdex anunciou que hoje (1) o NCI passou por rebalanceamento.

O recálculo está previsto para acontecer a cada três meses. Mas, este acontece em meio a um dos piores momentos da história da criação de Satoshi Nakamoto. É que em maio a moeda registrou um dos piores meses de sua história.

Bitcoin despencou de cerca de US$ 58 mil para US$ 36 mil no mês passado, ou seja, bateu a queda de novembro de 2018. Além disso, quase superar o tombo recorde de 40% em setembro de 2011.

O NCI é uma co-criação da Hashdex e da Nasdaq. Com as mudanças, o bitcoin passou de 78,61% do índice para 62,41%, enquanto o Ethereum saltou de 16,86% para 31,68%.

Criptoativos no NCIDesde 1.6.21 (em %)Até 31.5.21 (em %)
Bitcoin (BTC)62,4178,61
Ethereum (ETH)31,6816,86
Litecoin (LTC)1,351,58
Bitcoin Cash (BCH)1,011,03
Chainlink (LINK)1,251,27
Stellar Lumens (XLM)0,750,65
Uniswap0,900,00
Filecoin0,650,00
Índice passou a representar queda de preço do bitcoin nas últimas semanas. Fonte: Nasdaq

Bitcoin divide espaço com Uniswap e Filecoin no índice da Nasdaq

Além de mudar o peso das duas principais criptomoedas do mercado, o NCI inclui os tokens Filecoin e Uniswap. No entanto, ambos têm baixa participação na cesta.

A Uniswap é uma exchange descentralizada que possibilita que a negociação de tokens ERC20 sem intermediários. O Uniswap é o décimo maior criptoativo em valor de mercado, tanto que agora vale cerca de US$ 15,4 bilhões. Isso porque o valor do token está em US$ 27,50.

De acordo com Samir Kerbage, CTO da Hashdex, “O Uniswap já era um ativo que tinha uma representatividade alta em relação aos outros criptoativos”.

“Recentemente. passou a ser suportado por mais custodiantes institucionais e exchanges que estão dentro da lista de exchanges acompanhadas pela Nasdaq. Isso é um critério exigido pelo NCI”, disse em comunicado.

Já o Filecoin foi lançado em 2014. É um token do Protocol Labs, um laboratório de pesquisa e desenvolvimento de código aberto. O Filecoin é uma rede blockchain de armazenamento descentralizado na nuvem. Dessa forma, parte dos membros da rede são provedores de armazenamento. Assim, o usuário aluga espaço para armazenar dados.

Seu preço era de US$ 24 em 31 de dezembro, chegou a cerca de US$ 230 há algumas semanas. Agora, está em US$ 70. Essa evolução do preço recente também o tornou elegível para o fundo”, afirmou Kerbage. Assim, seu valor de mercado é de US$ 5,2 bilhões, o 25º maior segundo o CoinMarketCap.

Hashdex começou a ser negociado a R$ 47 a cota e está em R$ 35. Gráfico: TradeView, B3.

O desempenho do Hash11 mostrou o impacto da queda do bitcoin e outras criptomoedas (altcoins) no seu desempenho. No entanto, é um dos maiores ETFs na B3, uma vez que tem mais de R$ 1,3 bilhão de patrimônio e 80 mil cotistas.

BlockNotas: mudanças na IBM e R3, investimento na Circle e leilão de NFT

Líder de blockchain deixa IBM

Gari Singh deixou a IBM, onde era CTO para blockchain. O executivo foi para o Google Cloud. Portanto, é nova baixa no time da tecnologia, segundo o Ledgers Insights. No último mês, os principais contribuidores de código do Hyperledger Fabric no Github também deixaram a IBM. E no início do ano, houve a junção da IBM Blockchain e da Sterling, solução para cadeias de suprimentos.

IBM e Microsoft fizeram mudanças recentes em suas áreas de blockchain. A análise do mercado é que as empresas estão desacelerando o foco na infraestrutura devido a vendas baixas. Mas, sem desistir de blockchain e sim mudando o modelo do negócio. As saídas da IBM não devem atrapalhar o desenvolvimento da Hyperledger, porque a comunidade vai suprir a participação dela se for preciso, dizem analistas.

Mudança também na R3

Assim como na IBM, houve mudança recente na R3. Mike Hearn, que ajudou a desenvolver o Corda, deixou a empresa em fevereiro passado. A saída aconteceu com o lançamento da Conclave, projeto de segurança computacional da R3 e que também ajudou a desenvolver. Isso porque estaria estaria criando um novo projeto. Hearn ficou conhecido por trocar mensagens com Satoshi Nakamato, que criou o bitcoin.

Circle levanta US$ 400 milhões

A Circle, que criou e moeda estável (stablecoin) USDC com a bolsa Coinbase, levantou US$ 440 milhões em financiamento (cerca de R$ 2,64 bilhões). Assim, ficou entre 10 maiores investimentos em fintechs privadas. De acordo com a empresa, há US$ 22 bilhões em circulação de USDCs. Neste ano, o crescimento foi de 436% e de mais de 28.000% em 12 meses.

Entre os investidores estão fundos de private equity e investidores estratégicos e institucionais. Isso inclui, por exemplo, o Valor Capital Group, que tem brasileiros entre seus sócios, a Fidelity Management, a Atlas Merchant Capital, o Digital Currency Group e a bolsa FTX. 

Leilão de NFT de arte de Bel Borba

A plataforma baiana InspireIP, feita para registro de direitos autorais em Ethereum, vai realizar o leilão de uma obra de arte em token não fungível (NFT). O quadro “Fronteira Físico/Digital”, do artista plástico baiano Bel Borba, estará à venda em 100 NFTs de 5 a 20 de junho. O artista tem diversas obras pelas ruas de Salvador.

A fração vale para o quadro digital, que vai para uma carteira de criptos, e físico, com um QR para o comprador. O lance mínimo é de US$ 600 (cerca de R$ 3.200,00). A plataforma é a https://inspireip.io/belborba. A InspireIP fez parceria com a Nordeste Leilões para a venda. A startup é da advogada Caroline Nunes e tem apoio da aceleradora Sul-Mato-Grossense Inova Unigran.