Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mercado Bitcoin vai de parceiro a investidor no TradersClub

O Mercado Bitcoin está passando de parceiro a investidor do TradersClub (TC), plataforma de informações sobre mercado financeiro e educação financeira. Ontem (26), o TC precificou sua oferta inicial de ações (IPO) – a R$ 9,50 por papel – e o MB foi uma das empresas que deram as maiores ordens na plataforma que chega à bolsa valendo R$ 2,7 bilhões.

O Mercado Bitcoin anunciou parceria com a TradersClub em outubro de 2020, pela qual afirmou que se tornaria curador do Canal Cripto. A plataforma tem informações sobre criptoativos e curso sobre o assunto. Agora, com a ordem pelas ações, que o MB não divulgou, a bolsa passa a investidor.

O 2TM e o MB estão investindo em empresas para criar um grupo que ofereça diversos serviços e produtos relacionados a investimentos. Por exemplo, comprou uma gestora de ativos tradicionais em Florianópolis. A ideia é manter o cliente usando os diferentes negócios do grupo, sem precisar ir para a concorrência.

O TC deu entrada em seu pedido de IPO em maio passado. Porém, em março levantou R$ 72 milhões por meio de debêntures conversíveis. Foi a primeira rodada desde a fundação do negócio de Rafael Ferri, Pedro Albuquerque e Israel Massa.

TC tentou se capitalizar com investidor institucional

Segundo o Brazil Journal publicou na época, o UBS fez rodada com investidores institucionais, mas não houve sucesso. Então, a capitalização veio de cerca de 50 pessoas físicas. Dentre eles Diego Roberte, fundador do PicPay, e Alexandre Sabanai, sócio da Perfin.

A fundação do TC foi em 2015 e em 2017 lançou seu aplicativo próprio, já que antes usava Slack. De acordo com seu prospecto, passou de 18 milhões de usuários no final de 2017 para 473 milhões neste ano. No primeiro trimestre de 2021, a empresa diz que teve receita líquida de R$ 21 milhões e espera chegar a R$ 57,8 se anualizar esse ganho. Em a receita líquida foi de R$ 40 milhões.

Mercado Bitcoin fez uma das maiores ordens por Traders Club

A estratégia do TC agora é aumentar a base de usuário, visto que há ainda muita gente para se tornar investidor. Além de transformar usuário não pagaentes em pagantes de seus serviços e aumentar as funcionalidades da plataforma, Uma vez que o TC quer ser como um rede social, o objetivo também é aumentar o engajamento dos usuários para “alavancar o efeito de rede e referências”. E há ainda expectativa de aquisições. A TC já comprou as plataformas Invesplorer, Trade Zoom e Sencon.

Outro ponto que interessa à TC é o segmento B2B. “O segmento B2B do mercado de plataformas infotech de investimentos é um mercado altamente relevante em termos de tamanho e potencial a ser desenvolvido”, diz o prospecto. O motivo é que “hoje observamos uma lacuna de oferta de produtos, e que o TC poderia suprir”, completa o documento.

Além do Mercado Bitcoin, as gestoras Núcleo, Moat e Itaú Asset deram as maiores ofertas, segundo o Pipeline do Valor. O TC levantou R$ 606,9 milhões em dois lotes, um principal, de US$ 527,8 milhões, e outro suplementar. O objetivo inicial do TC era chegar a um valor de R$ 3,5 bilhões.

Procurados, o Mercado Bitcoin ainda não retornou nosso pedido sobre o interesse da bolsa em investir no TC e o TC está em período de silêncio.

Rodrigo Batista, ex-Mercado Bitcoin, está criando a Digitra, bolsa de criptos

O ex-sócio e ex-CEO do Mercado Bitcoin, Rodrigo Batista, está criando mais uma exchange para chamar de sua, a Digitra. E num mercado cada vez mais povoado de concorrentes. O executivo deixou o MB em 2019, quando vendeu sua participação aos irmãos Gustavo e Maurício Chamati. E na ocasião, Reinaldo Rabelo assumiu como CEO.

A empresa não informou a data de lançamento. Disse, no entanto, que o objetivo é ser uma plataforma global. Embora seu registro seja no Brasil, vai focar também em Europa e Ásia.

E informou também que o financiamento do projeto veio dos recursos dos sócios, mas que negocia a entrada de fundos. Além disso, afirmou que trará produtos inéditos, uma vez que acredita na junção das finanças tradicionais e dos ativos digitais.

A meta de Batista com a Digitra é bem ambiciosa: chegar a um cadastro de 1 milhão de clientes no final de 2022 e negociar R$ 30 bilhões nesse período. “O desafio é gigante. Mas era ainda maior quando entrei neste mercado e ajudei a dar o chute inicial dele no Brasil”, afirma.

A título de comparação, o MB, que é do grupo unicórnio 2TM, tem 2,8 milhões de cadastrados. A mexicana Bitso, também unicórnio, também veio para o Brasil. E há outros projetos do tipo em expansão ou de olho no Brasil.

Batista quer Digitra no mercado externo

O projeto da Digitra tem 16 pessoas. A Fireblocks, especializada na guarda e seguro dos ativos digitais, é parceira da bolsa. A tecnologia que vai usar, segundo Batista, é própria. para instituições financeiras.

Depois que saiu do MB, Batista estudou administração de empresas em Harvard, no OPM, em Harvard. Lá, também estudaram empreenedores como Beto Sucupira da Ambev e o publicitário Nizan Guanaes.

Batista também investiu na criação de startups, inclusive na Digitra. O executivo começou a se interessar por criptos quando criava softwares para negociações financeiras tradicionais.

Visa diz que gastos com cartões de criptomoedas chegaram a US$ 1 bi em 2021

Mais de US$ 1 bilhão em criptomoedas foram gastos no mundo com cartões da Visa ligados a essas moedas no primeiro semestre de 2021. No mesmo período de 2019, o valor era uma pequena fração desse valor, disse a empresa, mas sem revelar os números. E as stablecoins estão se firmando como moedas fiduciárias digitais, completou.

A empresa divulgou o estudo “Digital Currency: Visa’s Vision for Supporting the Future of Money”. E disse que 25% das startups do Fintech Fast Track, seu programa de aceleração, trabalham para emitir cartões associados a uma plataforma de criptomoeda.

“Essas plataformas estão se diversificando e apostando em novas ferramentas e funcionalidades para atender a uma série de necessidades do consumidor. Por exemplo, contas remuneradas, empréstimos e depósitos diretos”, diz o comunicado da empresa.

A afirma ainda que os mais de US$ 100 bilhões em stablecoins em circulação mostram que começam a se concretizar como moedas fiduciárias digitais. Tão fácil de usar quanto as criptomoedas. Assim, a empresa tem parceria com a Circle, por exemplo, que gerencia a USDC, lastreada em dólar.

No Brasil a empresa trabalha com empresas como Alterbank, Zro Bank e Ripio em um modelo de carteira digital com cartão de débito. Dessa forma, o cliente acessa o saldo em reais e converte o dinheiro em criptomoedas.          

A Visa trabalha com 50 plataformas de criptomoedas em programas de cartão para conversão e uso de criptomoedas. As transações ocorrem em em 70 milhões de estabelecimentos comerciais no mundo. Para operar com moedas criptografadas, a Visa criou uma rede de redes.

A Visa escolheu o Brasil como um dos primeiros países a ter APIs (interfaces de programação de aplicações) para criptomoedas nas redes da empresa.

PF prende fundador do Bitcoin Banco, que já tinha dado golpes na Europa e EUA

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta segunda-feira (5), Claudio Oliveira, fundador do Bitcoin Banco e suspeito de aplicar um golpe de R$ 1,5 bilhão em seus 7 mil clientes. A prisão aconteceu com a deflagração da Operação Daemon no Paraná.

Oliveira teria conseguido dar um suposto no Brasil, segundo a PF, mesmo depois de ser preso em Portugal e extraditado para a Suíça por crime financeiro naquele país. Também é fichado em Miami. E aqui, disse que operava o equivalente a R$ 500 milhões em bitcoin por dia. Só que não era nada na rede bitcoin, mas numa plataforma sua, ou seja, falsa.

O Bitcoin Banco em 2018 até o início de 2019. Oliveira se autointitulou Rei do Bitcoin. Ele chegou a contratar uma da principais agências de relações públicas do país para divulgar seu suposto negócio para a imprensa. Uma funcionária do banco fazia propaganda no programa de Amaury Júnior.

Mas, no início de 2019, da noite para o dia, o banco suspendeu os saques, alegou que o motivo era um ataque de hacker, que nunca provou, e o negócio ruiu. Chegou a pedir, e conseguiu, recuperação judicial. Mas, não cumpriu as obrigações que a justiça determinou. E não só isso: continuou a oferecer investimentos.

De acordo com a Polícia Federal, agora, o objetivo é aprofundar a apuração “da prática de crimes falimentares, de estelionato, lavagem de capitais, organização criminosa, além de delitos contra a economia popular e o sistema financeiro nacional”. E tentar ressarcir, ao menos em parte o que os clientes perderam. Portanto, vai continuar a investigar o patrimônio do grupo, inclusive criptomoedas.

Donos do Banco Bitcoin não cumpriram acordos

Assim como Oliveira, sua esposa Lucinara e mais três pessoas foram presas. Houve, ainda, decretação judicial de sequestro de imóveis e bloqueio de valores. Isso inclui dinheiro, carros de luxo, inclusive uma Maserati, e joias.

Tudo, segundo as suspeitas, comprado com o dinheiro dos clientes da empresa. O Bitcoin Banco chegou a fazer acordos extrajudiciais para devolver os valores, mas nunca cumpriu. E não só: em 2020, também continuava a oferecer investimentos.

Portanto, quando os clientes colocavam seus recursos na empresa achando que estavam comprando bitcoin, na verdade estariam, sem saber, dando recursos para o grupo gastar como queria.

Segundo o delegado da operação, Filipe Hille Pace, o grupo nunca conseguiu provar que tinha uma carteira com 7 mil bitcoins. Porém, para justificar os ganhos havia, por exemplo, uma arbitragem entre duas corretoras com ganho pré-definido. E houve desvios de recursos por meio de laranjas.

72% dos clientes de alta renda investiram em criptomoedas em 2020

O perfil do cliente de alta renda está mudando em direção à tecnologia e aos ativos digitais. E isso se espelha, por exemplo, no fato de 72% dos chamados “high net worth individuals (HNWIs, na sigla em inglês) terem investido em criptomoedas. Essa é uma das conclusões do estudo anual World Wealth Report 2021 da Capgemini.

O estudo entrevistou 2.900 pessoas em 26 países, sendo 200 no Brasil e México. A sondagem aconteceu entre fevereiro e março deste ano. De acordo com a Capgemini, 74% dos entrevistados investiram em outros ativos digitais como nomes de domínios na internet.

O estudo traz um alerta sobre os preços das criptomoedas. Isso porque afirma que tanto os investidores, quanto os gestores, devem considerar o alto impacto de mais volatilidade nas cotações. Porém, também fala que os criptoativos representam novas oportunidades para ambos.

Portanto, é preciso que a expansão da economia gig e dos ativos digital, como as criptomoedas, levem os gestores a oferecer produtos adequados nessas áreas. “É hora de as gestoras de fortunas se prepararem para oferecer classes emergentes de ativos como criptomoedas e até futuras classes de ativos potencias como moeda de carbono!”, exclama a Capgemini.

“Gestores precisam ter opções em criptomoedas para clientes”

“Novas classes de ativos, além de criptomoedas e negócios sustentáveis, estão decolando. Investidores especulativos estão colocando dinheiro em tudo, de arte virtual a casas digitais e cartões digitais de baseball. Isso devido aos NFTs que correm em blockchain”, completou o relatório.

De acordo com a Capgemini, as empresas que prepararem as ferramentas adequadas, recursos educacionais e novas classes de ativos estarão preparadas para engajar clientes. E com isso, vão capturar “uma e potencial e significativa oportunidade de mercado”.

Além disso, o report mostrou que aumentou o número de mulheres de alta renda. Nos Estados Unidos, por exemplo, há 114% mais empreendedoras do que há 20 anos e 40% dos negócios do país serem de propriedade de mulheres.

Um outro ponto interessante do estudo é confirmar que 50% das pessoas abaixo de 40 anos gostariam de ter atendimento apenas virtual. Enquanto a média geral dos HNWIs é de 39%.

2TM, dona do Mercado Bitcoin, recebe US$ 200 milhões do Softbank e se torna unicórnio

A holding 2TM recebeu aporte de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) do Softbank, sendo avaliada em US$ 2,1 bilhões (R$ 10,5 bilhões). Isso torna a dona do Mercado Bitcoin o primeiro unicórnio da América Latina do segmento de criptomoedas, de acordo com notícia no Valor Econômico.

O investimento é o maior do fundo japonês no segmento na região. E é o segundo que a 2TM recebe neste ano. Em janeiro, a empresa anunciou um aporte de R$ 200 milhões Series A da GP Investments e da Parallax Ventures. Este do Softbank é Series B.

Com a explosão do preço do bitcoin, que puxou os das outras criptomoedas, a partir do final de 2020, o setor chamou mais atenção de investidores. Apesar de as cotações despencarem a partir de maio e não conseguirem se recuperar, a expectativa é de alta no longo prazo.

Houve ainda a entrada de investidores institucionais no mercado, portanto, ajudando a mudar o perfil do segmento, que se aproximou mais do lugar dos sonhos das empresas do setor. O movimento também inclui, por exemplo, grandes bancos e bolsas de valores em outros países investindo em startups ligadas a blockchain e em ativos digitais.

Como unicórnio, dona do Mercado Bitcoin entra grupo seleto

O 2TM, que planeja seguir a Coinbase e ofertar ações em bolsa, deverá usar o aporte para ampliar sua atuação no Brasil e no exterior. Um dos objetivos é ser um marketplace de investimentos alternativos.

A holding está montando um ecossistema em que uma empresa alimenta a outra. Além dessas aquisições, o grupo é dono do banco digital Meubank, da plataforma de crowdfunding Clearbook, da Bitrust, de custódia digital de criptoativos. Assim, ao crescer, entra no grupo seleto de unicórnios financeiros como Nubank e Mercado Livre.

Além disso, com o investimento do GP e da Parallax, comprou a Blockchain Academy, de educação financeira sobre criptoativos e blockchain, a gestora de fundos ParMais e participação na FIDD, de serviços de administração e custódia e operação de títulos mobiliários.