Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

BTG deve fazer segundo pagamento de dividendos do token imobiliário ReitBZ até final do ano

O BTG deverá fazer, neste semestre, o segundo pagamento de dividendos de seu token imobiliário, ReitBZ, lançado em maio de 2019, segundo André Portilho, sócio do banco. O token foi o primeiro dessa categoria de ativos a distribuir dividendos e pagou os primeiros dividendos em julho passado.

Segundo o executivo, quando o BTG viu a onda de ofertas iniciais de moedas (ICOs) e um mercado de ativos sem intermediários, decidiu “entender qual era o sinal por baixo do ruído”. O BTG é o primeiro banco de investimentos do mundo a ter um ativo como esse em seu portfolio.

As informações foram dadas hoje (7), durante o webinar “A nova fronteira do mercado de capitais: tokenização de valores mobiliários (security token offerings) – panorama internacional”, que fez parte da Semana Mundial do Investidor 2020 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que vai até esta sexta-feira.

Para algo tão novo, houve quem fosse a favor e quem fosse contra experimentar esse caminho, mas as análises levaram à decisão de fazer algo ligado ao setor imobiliário.

“(Imóvel) É um investimento que as pessoas no mundo todo estão acostumadas a fazer diretamente ou por meio de um veículo, é fácil de explicar e já fazíamos operações com imóveis recuperados”, completou.

Criptoativo não é streaming de música

Portilho afirmou que a diferença de ritmo de mudanças entre o setor financeiros e outros, como streaming, se deve em boa parte ao fato de o primeiro envolver dinheiro.

Uma coisa é entrar num streaming de música e a playlist estar fora do ar, outra é entrar no banco digital e não ver seu dinheiro, disse. “A vida das pessoas está ali. Existe realmente um cuidado maior quando se lida com dinheiro e valores mobiliários”.

Para ele, a adoção em massa de ativos digitais tem uma barreira no conceito “sem chave (pública e privada), não tem acesso (ao ativo)”, que é como funciona o que roda em plataforma blockchain.

“A maioria das pessoas quer uma experiência boa, melhor do que a de hoje (em instituições tradicionais), que funcione, seja mais barata e se der um problema, tem com quem reclamar e quem processar. É trabalho grande trazer essas soluções para o mercado”. Na opinião dele e de outros atores do mercado, a experiência do usuário é ainda muito ruim.

Dashboard para informar cliente

Para vencer barreiras de insegurança dos investidores, o white paper do ReitBZ tem 32 páginas. Há também um dashboard do investidor, com informações como a aplicação dos recursos e fees que está pagando.

“Na nossa visão, isso é muito melhor e muito mais informativo para o mercado e o investidor do que um relatório trimestral”. A tecnologia, completou, deve ser usada de forma segura, com governança e para segurança no mercado.

Segundo o executivo, o sandbox do Banco Central e da CVM são importantes para testes de novas tecnologias e, depois disso, adoção de regulação. O Brasil tem potencial muito grande e tendo uma legislação mais moderna e segura, pode se consolidar como hub de atração de investimento, afirmou.

Mais sobre o ReitBZ em :

BTG paga R$ 480 mil em dividendos do token imobiliário ReitBZ

CVM testa plataforma que receberá inscrições para sandbox.

NextLaw lança curso online sobre blockchain e proteção de dados

A NextLaw Academy lançou o curso online “Blockchain, contratos inteligentes e proteção de dados”. O conteúdo é teórico e prático e está dividido em 3 módulos, 16 aulas e 4 horas de duração.

O programa é dado por Tatiana Revoredo, co-fundadora da consultoria The Global Strategy, membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation e especialista em Mitigação de Riscos Cibernéticos pela Harvard University.

O curso é focado em profissionais de diferentes formação e setores, desde que interessados em privacidade e proteção de dados e novas tecnologias, já que o conteúdo se aplicada a todas as atividades. É recomendável conhecimento prévio sobre a nova Lei Geral de Proteção de Dados (também há curso na plataforma sobre o assunto.

O valor do curso é de R$ 299,00 (à vista) ou R$ 314,34 (em 3 parcelas). O conteúdo pode ser acessado por um ano.

Alterbank busca R$ 2 milhões em investimento semente

Alterbank, que oferece conta digital para quem quer depositar criptoativos e sacar reais, lançou uma rodada de captação de capital semente de R$ 2 milhões.

De acordo com comunicado da empresa, os recursos serão usados em infraestrutura, tecnologia, produtos e aumento da base de clientes.

Os recursos serão captados por meio de equity crowdfunding (financiamento coletivo), uma modalidade que vem sendo usada no ecossistema blockchain em outros países e que é regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Oferta equivale a 13% do capital

Os R$ 2 milhões equivalem a 13,3% do capital social da empresa. As cotas começam em R$800, ou 0,0053% de participação e são compradas pela plataforma Captable.

O banco foi fundado em 2018 e tem 20 mil clientes. Os serviços que oferecem são abertura de conta, cartão físico e digital, transferências de valores, saques, pagamento de contas – que pode ser com cartão pré-pago Visa internacional – e recarga de celular.

“Um de nossos diferenciais é usabilidade e acessibilidade. A complexidade do universo cripto é uma barreira de entrada para muitos novos usuários. Por isso a proposta do Alterbank é ser simples”, diz Vinicius Frias, CEO da empresa.

Sppyns inclui no portfolio fundos que operam com Tether e BRZ

A Sppyns, plataforma que faz a ponte entre gestores de criptoativos e investidores, passou a oferecer dois produtos que operam com a stablecoins Tether (USDT), lastreada em dólar, e a BRZ, lastreada em reais.

A Sppyns está baseada na Suíça, onde há regras mais abertas para negócios com criptoativos.

O SIAS Total Capital Protection, segundo a empresa, tem foco em investidores mais conservadores, já que é lastreado no dólar. A estratégia aloca 40% dos tokens em ouro, 40% em dólar e 20% em bitcoin. O aporte mínimo é de USDT 2.000 (R$ 11.160 na cotação desta quinta-feira, 24, 19h47). Nos últimos 12 meses, a rentabilidade acumulada é de 9,68% em dólar.

Segundo Eduardo Cavendish, chefe de investimentos da Sppyns, essa é uma opção para quem se preocupa com a volatilidade e ao mesmo tempo quer estar exposto aos bitcoin, cuja cotação subiu neste ano.

O outro produto é o fundo Mercurius Brazil Fund, da Mercurius Crypto. “Mesmo em períodos de crise global ou em grandes movimentos negativos do bitcoin, esse produto não sofreu grandes perdas. A rentabilidade anual é de 8,71% e aporte mínimo é BRZ 6.000 (R$ 6.300,00 na cotação desta quinta-feira, 24, 19h47).

Hub de inovação em turismo acredita que desafio de startups ajuda a digitalizar o setor

O Wakalua, primeiro hub global de inovação em turismo, escolheu o Brasil para apoiar o 1º Desafio Brasileiro de Inovação em Turismo, que está sendo feito com o ministério do Turismo e que tem um projeto de token do Mercado Bitcoin Digital Assets (MBDA) como um dos finalistas.

O setor é ainda muito analógico e representa apenas 3,7% do PIB brasileiro, enquanto a média global é de 10% e na Itália, 13%. A questão não é só o PIB diretamente relacionado à ocupação de hotéis e transporte, por exemplo, mas a cadeia toda do turismo, que envolve setores como educação, alimentos e têxtil.

A espanhola Globalia, o maior grupo de turismo da Espanha e um dos principais da América Latina, e a Organização Mundial de Turismo (OMT) são fundadores do hub. O Wakalua deu ao Blocknews os detalhes a seguir sobre o desafio e sua escolha do Brasil, por meio de sua assessoria de comunicação.

Como é o desafio

O 1º Desafio Brasileiro de Inovação em Turismo reúne iniciativas com potencial de fazer frente às necessidades de curto prazo do setor no cenário pós-pandemia de Covid-19 ou que aprimorem serviços já existentes no ramo. É feito pelo Wakalua em parceria com o Ministério do Turismo e a Organização Mundial de Turismo (OMT).

O objetivo do Wakalua

Passamos a apostar no Brasil para levar nossos programas de inovação tanto para iniciativas públicas, quanto privadas. A partir da democratização e do fomento à tecnologia que hoje já é desenvolvida pelos players nacionais, o Wakalua pretende auxiliar o Brasil a se converter numa potência digital de turismo. 

Duas competições 

Temos duas competições distintas. O 1º Desafio Brasileiro de Inovação em Turismo é uma iniciativa do Wakalua com o Ministério do Turismo e OMT, feito no Brasil. Em paralelo, o Wakalua promove o UNWTO Tourism Startup Competition, que está em sua terceira edição e segue a mesma proposta, porém em nível global. Mais de 5 mil projetos de todo o mundo foram acolhidos nas duas edições anteriores da competição internacional.

Benefícios para os vencedores

Os 10 finalistas do desafio brasileiro seguem na disputa do prêmio final da competição: uma viagem a Madri, com programa de formação oferecido pelo Wakalua, durante a FITUR 2021, a maior feira de turismo do mundo.  Os 10 melhores projetos brasileiros seguem para as semifinais da terceira edição da UNWTO Tourism Startup Competition. Além disso, asseguram visibilidade nacional e internacional por meio dos canais do Wakalua e do ministério do Turismo e recebem acesso aos programas e conexão com a rede de contatos do Wakalua.

Mercado Bitcoin é finalista em desafio de inovação com token para uso no setor de turismo

Com um projeto de token para incentivar o turismo, a Gear Ventures, controladora do Mercado Bitcoin Digital Assets (MBDA), é uma das dez finalistas do 1º Desafio Brasileiro de Inovação em Turismo, competição realizada pelo ministério do Turismo em parceria com o Wakalua Innovation Hub, pólo global de inovação da espanhola Globalia, e colaboração da Organização Mundial do Turismo (OMT).

Esse é o único projeto das startups finalistas que envolve token e tecnologia blockchain. Um total de 790 projetos de 24 estados e do Distrito Federal se inscreveram na competição de um setor ainda muito analógico e que representa apenas 3,7% do PIB – no mundo, por exemplo, responde por 10% e na Itália, 13%. Nesta sexta-feira (25), a Gear Ventures fará seu pitch, a apresentação do token para os jurados.

O projeto, pelas experiências internacionais no setor de turismo e em outras área que usam tokens, pode ir além de um “power point” e tem condições de ser executado. Um exemplo é a cidade chinesa de Xangai, que acabou de lançar um programa para incentivar visitas culturais a um distrito com o uso de vouchers que correm pela blockchain e são distribuídos pela plataforma WeChat.

“Partimos do conceito de que o ministério poderia incentivar o turismo em regiões que mais precisam e com o uso dos tokens, programando onde os recursos poderão ser usados nessa área, como restaurantes, pousadas e hotéis”, disse ao Blocknews Reinaldo Rabelo, CEO do MBDA. A stablecoin (moeda estável) recebeu o nome de MoTur.

A ideia considerou dois pontos: um deles é que o MBDA viu que o ministério tem um grande cadastro de companhias de turismo, portanto pode ajudar na definição do programa. “E tem todas as informações conectadas, por segmento e região”, explicou Rabelo. Quem ganhar o token, terá de gastá-lo no local escolhido.

Outro ponto foi o modelo do auxílio emergencial distribuído pelo governo para amenizar os efeitos da pandemia. Poderia, por exemplo, ter sido feito com tokens, evitando fraudes relacionadas a quem recebe definindo em que tipo de despesas poderia ser gasto.

O smart contract do token pode ter dados como onde usar, prazo e valor. Foto: Cassio DIniz, Pixabay.

Como funciona

O token de turismo seria feito com um smart contract (contrato inteligente) com regras como onde e quem pode receber e pagar o voucher, seu valor e prazo de uso. É possível também programar a devolução do valor, caso não seja usado. No contrato inteligente as regras são as que o emissor ou o patrocinador decidirem. A ideia do MBDA é criar um ecossistema para a moeda digital. O token foi desenhado em plataforma Ethereum, que é com a qual a MBDA trabalha.

A stablecoin (moeda estável) seria lastreada em reais, portanto, dinheiro que precisa existir. E manteria seu valor (por isso é estável), que poderia ser, por exemplo, de 1 MoTur por 1 real. Os recursos que lastreariam o token poderiam vir de empresas que queiram fazer campanha de suas marcas usando o turismo ou mesmo de governos, não necessariamente do ministério. O usuário ganharia um QR Code para usar na região escolhida.

“Se de fato houver interesse nessa linha, vamos estar bem posicionados”, afirmou o CEO do MBDA. O papel da empresa nesse ecossistema seria o de emitir, distribuir, converter os tokens e poderia também fazer a custódia e fornecer a carteira digital, que são seu negócio.

Ir atrás dos patrocinadores não é o negócio do MBDA, portanto, também não é seu negócio implantar sozinho o MoTur. “Nosso foco é liquidez da exchange. Aqui o projeto está pronto. A gente consegue executar nossa parte em 30 dias”.

A moeda pode ser usada pelos brasileiros e estrangeiros visitando as regiões onde o token seria implantado. Pode ser até um projeto que um patrocinador queira usar em outro país e em outra moeda.

Os finalistas

Além da Gear Ventures, de São Paulo, os finalistas da competição são b2bhotel (PR); Eion Veículos Elétricos (PR); iFriend (RJ); Sentimonitor (RS); Sisterwave (DF); Smart Tour/ Smart Tracking (SC); Tripbike (SP); Vivakey – Techospitality (SP) e Worldpackers (SP).

O vencedor será anunciado no dia 29 de setembro, das 15h às 17h30, durante a Abav Collab, feira virtual da Associação Brasileira de Agências de Viagem. O júri será formado por mais de 20 profissionais do setor e do ecossistema de inovação. Quem ganhar vai ter uma viagem a Madri com programa de formação do Wakalua Innovation Hub, durante a FITUR 2021, a maior feira de turismo do mundo.

Além disso, os 10 finalistas vão para as semifinais da terceira edição da UNWTO Tourism Startup Competition,

Libra contrata diretor-geral e Blockchain Capital se torna novo membro

A Associação Libra, criada pelo Facebook e outras empresas para desenvolver um sistema de pagamentos global que usará sua própria criptomoeda, anunciou nas últimas horas que a Blockchain Capital entrou no projeto e que contratou James Ennett, que foi responsável pelo HSBC na Europa, para o cargo de diretor geral da Libra Networks, braço operacional da associação.

Emmett, o novo executivo, que como o atual CEO da associação, Stuart Levey, vem do HSBC, portanto, do mercado tradicional. Nos últimos meses a organização também anunciou a contratação deSteve Bunnell como Chief Legal Officer (CLO) e Sterling Daines como Chief Compliance Officer (COO). Levey foi anunciado em maio

A Blockchain Capital, empresa de investimentos em negócios e protocolos ligados à tecnologia, incluindo Ripple, Coinbase e Messari, eleva para 27 os membros da associação. Outros membros incluem Uber, Spotify, Temasek – empresa de investimentos de Singapura -, Andreessen Horowitz e Anchorage.

No início, a associação tinha membros de muito peso no sistema de pagamentos global, como Visa, Mastercard, PayPal e eBay. Mas a pressão de reguladores que temiam o impacto da nova moeda e do sistema e se incomodaram por não terem sido consultados sobre o projeto, foram cruciais para que saíssem da instituição.

Quando foi anunciado o projeto Libra, há um ano, a ideia era lançar a moeda neste semestre. Mas a empresa não mais fala desse cronograma.

BTC fecha agosto com valorização em dólar; ETH e LTC tem salto de transações

O bitcoin fechou agosto passado com a primeira valorização em dólar desde 2017. A cotação da criptomoeda subiu 9,4% em relação a julho, enquanto o dólar teve alta de 5,02% e o Ibovespa caiu 3,44% no mesmo período, segundo dados do Mercado Bitcoin passados ao Blocknews.

Dados da plataforma de negociações de criptos mostram ainda que a criptomoeda que mais se valorizou em 12 meses até 31 de agosto foi a ether: 351,35% (considerando a cotação das 18 horas do último dia de agosto), para R$ 2.392,00.

A ether teve bom desempenho também em julho e isso é em boa parte explicado pelo aumento das aplicações financeiras descentralizadas (DeFis), que estão ganhando corpo pelo mundo. Essas operações são basicamente feitas na rede Ethereum.

Depois da ether, as maiores valorizações em 12 meses foram a do bitcoin, com 117,35% e da Litcoin (LTC), com 100,49%. A LTC também teve um dos maiores aumentos de transações em agosto no Mercado Bitcoin: foi um salto de 62% para 108,5 mil operações.

Mas, Bitcoin contina sendo a criptomoeda mais negociada entre os clientes da plataforma, com 40% das transações, ou 296,4 mil. Para Fabrício Tota, diretor de novos negócios da empresa, a moeda de Satoshi Nakamoto ainda pode subir 10% até o final do ano em relação ao preço de 31 de agosto (R$ 63,9 mil) e bater R$ 70 mil em dezembro.

Os 4 tipos de tokens de precatórios negociados pelo Mercado Bitcoin também tiveram valorização no acumulado de 2020. As variações foram de 0,76% (precatório MBPRK1) a 11,49% (do MBPRK2).

Em setembro, o Mercado Bitcoin atingiu 2 milhões de clientes cadastrados, sendo a maior plataforma de negociaões de criptos da América Latina.

O boletim mostrou ainda que o estado de São Paulo continua sendo, de longe, o mercado com mais transações na plataforma, com 32,3% do total em agosto. Pessoas na faixa etária de 25 a 34 anos responderam por 37% das operações, seguidas pelas de 25 a 44 anos, com 31%.

Mais sobre DeFis em:

Custo e falta de regras são gargalos para expansão de produtos financeiros em blockchain

Brasil recebeu do exterior US$ 9 bi em criptos em 12 meses, maior volume da América Latina

O Brasil foi, de longe, o país que mais recebeu remessas exteriores de criptomoedas na América Latina entre julho de 2019 e junho de 2020. Foram cerca de US$ 9 bilhões (R$ 51,3 bilhões) em criptos, sendo pouco mais US$ 5 bilhões (R$ 28,5 bilhões) em bitcoins e US$ 2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) em USDT.

A Venezuela e a Argentina vem em seguida com pouco mais de US$ 3 bilhões. Nos dois países, criptos ganharam espaço com a desvalorização das moedas locais.

Os números são do relatório Chainalysis 2020 Geography of Cryptocurrency, que será divulgado na íntegra neste mês. A Chainalysis é uma empresa de análise de dados sobre criptomoedas.

Segundo a empresa, o Brasil responde pela maior parte do volume on-chain da América Latina, mas a Venezuela tem um grande volume de transações P2P (peer to peer), que são um mantra do segmento de criptos de como deve funcionar o mercado.

Os números totais da América Latina mostram que essa é um dos menores mercados de criptomoedas do mundo, perdendo apenas para África e Oriente Médio. E mostram também que uso dessas moedas vai além da especulação vista em outros locais, uma vez que há muitas transações comerciais.

O motivo é a baixa bancarização da população e a necessidade de se fazer e receber transferências internacionais de recursos, sendo cerca de 90% vindo de fora da região, em boa parte de países desenvolvidos onde latino-americanos trabalham.

Baixo crescimento

De acordo com o relatório, o equivalente a US$ 25 bilhões em criptomoedas foram enviados da América Latina e US$ 24 bilhões foram recebidos no período de julho de 2019 a junho de 2020. Os volumes também marcaram um crescimento mensal de 5% a 9%, o segundo menor das regiões analisadas.  

As transferências em criptos se explicam, em boa parte, pela solução que representam em termos de custo e tempo na comparação com o uso de bancos e outras empresas de remessas.

O estudo aponta ainda que a região tem a segunda maior fatia de atividades de transferências de e para atividades criminais com criptomoedas. Responde por 2,4% de todas os recebimentos e de 1,6% dos envios.

Desse total, 61% foram golpes que atingiram a F2TradingCorp, FXTradingCorp e a WishMoney, vítimas, segundo a Chainalysis da maior parte das transferências entre julho e novembro de 2019, auge dos crimes na região. Os números agora estão caindo, segundo a empresa.

África

A África tem o menor mercado de criptomoedas dos mercados que foram analisados, com US$ 8 bilhões recebidos e U$8,1 bilhões enviados.

Zug, terra do Crypto Valley, aceitará bitcoin e ether para pagamento de impostos

A partir de fevereiro de 2021, o cantão suíço de Zug aceitará bitcoin e ether para pagamento de impostos. Zug é uma área com uma série de benefícios fiscais e onde está o Crypto Valley, uma área que promove o desenvolvimento de empresas de moedas criptografadas e de soluções blockchain.

O pagamento dos impostos será por QR code, pode ser feito por empresas e pessoas e apenas no valor integral e até 100 mil francos-suíços (cerca de R$ 583 mil). O piloto do projeto começa em algumas semanas.

Para isso, o cantão fez um acordo com o Bitcoin Suisse, que fará a conversão das moedas para francos suíços. Com isso, o administrador local não corre riscos ligados à volatilidade das moedas, segundo afirmou o diretor financeiro do cantão, Heinz Tännler,

O Bitcoin Suisse, criado em 2013, tem a licença para ser um intermediário financeiro e está aguardando a licença para banco da Suíça e de Liechtenstein. Hoje, entre os serviços que o banco realiza estão custódia, pagamentos em criptos, empréstimos colaterais, tokenização e corretagem.