Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

“CBDCs são contra-ataque dos estados, mas não frearão criptomoedas”

Os países estão tentando contra-atacar o avanço das criptomoedas como bitcoin e a criação de suas moedas digitais, as CBDCs, é uma das táticas para isso. Mas, nem assim vão conseguir, porque “as criptomoedas provaram que até certo pronto, conseguem se modernizar sem regulação”.

Quem afirma isso é Marcelo Castro, pesquisador do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) da Fundação Getulio Vargas Direito de São Paulo (FGV Direito SP). Castro lançou o livro “Bitcoin e confiança: análise empírica de como as instituições importam”. O conteúdo saiu de sua tese de doutorado, que fez em parte no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Segundo ele, hoje não há bitcoin como meio de troca eficiente porque a infraestrutura é ineficiente (lenta). “Mas, se for possível atualizar o código, como na rede Ethereum, atingindo um nível de maturidade, isso vai depender muito mais dos mineradores do que do estado”.

De acordo com Castro, cada vez mais haverá uma disputa entre moedas soberanas e criptomoedas. “Por hora, vejo os estados ganhando a briga. Colocaram as CBDCs em jogo para reforçarem sua soberania monetária por meio de custos e inclusão financeira”, afirmou.

BIS disse aos BCs para acelerarem projetos de CBDCs

Visto que é uma disputa, o estado continuará buscando inovar, assim como o outro lado. Inclusive as empresas com seus tokens privados, completou. É o caso da Diem, do Facebook e seus parceiros, por exemplo. E cada país define como vai entrar nessa briga. “Nos Estados Unidos não é por meio de proibição, mas tentando elevar a competitividade (do setor público), por meio do FedNow.”

Só que o Pix americano, só deve chegar em 2023. Tem ainda quem regula o mercado – o Brasil estuda maior regulação de criptos, enquanto outros países como Rússia e China tentam barrar as criptomoedas na base da força, com forte cerco ao segmento.

E tem a tática das CBDCs. Na última semana, o Banco de Compensações Internacionais, o banco central dos bacos centrais, disse que é preciso acelerar os trabalhos sobre essas moedas. Dessa forma, deixou claro que na sua opinião CBDCs são caminho sem volta.

Castro decidiu estudar bitcoin quando percebeu que isso era uma ameaça à soberania estatal. Segundo ele, bitcoin ainda não tem propriamente uma característica de moeda. Isso porque tem grau pequeno de monetariedade. “Dificilmente se usa como meio de pagamento. Além disso, não é unidade de conta porque é volátil e a possibilidade de ser reserva de valor fica constrangida por conta da volatilidade”.

Por reserva de valor, afirmou, não basta haver saldo positivo, mas um valor diferido no tempo. Portanto, a sua alta volatilidade é um problema. É diferente, portanto, da moeda estatal. Uma das principais funções dos BCs, senão a maior, é preservar o valor da moeda ao longo do tempo para ser reserva do valor . E faz isso com uma série de mecanismos, completou o professor.

Bitcoin pode se tornar moeda e revolucionar a teoria monetária

Livro de Marcelo Castro é resultado de pesquisa de doutorado no MIT. Foto: Marcelo Castro.

Porém, bitcoin tem potencial para ser moeda “e se isso acontecer, vai ser uma grande anomalia, porque nenhuma teoria previu que isso poderia surgir. Isso trará uma grande revolução na teoria monetária e pode mudar os rumos da politica monetária”, disse o pesquisador.

Em sua pesquisa, Castro buscou identificar o que faz uma pessoa adotar uma moeda. Uma das categorias de confiança é a do consumidor, que acha que a cripto trará grande vantagem e eficiência em pagamentos, sem depender de bancos. Assim, “acaba com a dor de cabeça do cabeça de intermediário”.

O segundo grupo tem bitcoin porque admira a tecnologia, não é questão de eficiência, mas de ser algo do futuro. E o terceiro é o revolucionário, que segue a tendência primitiva do bitcoin, ou seja, pensa na transgressão, na revolução do sistema monetário e na independência do governo. A questão é que “à medida que o tempo passa, tem cada vez menos entusiastas ligados à ideologia primitiva”, afirmou.

As entrevistas que realizou para o doutorado geraram mais de 1 mil páginas de transcrição que passaram por análise no estágio doutoral no MIT. Por isso, Castro lançará outros livros com as conclusões que saíram dessa análise.

Foxbit é primeira cliente da Parfin na solução Crypto Plug and Play

A bolsa de criptomoedas Foxbit será a primeira empresa a usar a solução Crypto Plug and Play da Parfin. A fintech começou a operar em janeiro passado e é uma iniciativa de executivos com passagem pelo mercado financeiro convencional. Seu foco é em custódia, negociação e gestão de ativos digitais.

Sua ideia com o serviço é conectar o mundo de criptomoedas a bancos digitais, plataformas de investimentos e o mercado de balcão (OTC). Há um foco grande em clientes institucionais.

A Parfin afirma que outros clientes estão implantando a solução, incluindo instituições financeiras, assim como empresas do mercado de balcão em criptomoedas.  

“A ferramenta funciona por meio de APIs ou interface web customizável. Dessa forma, as instituições conseguem oferecer a negociação de criptomoedas diretamente dos seus aplicativos”, disse a Parfin.  

“O Crypto Plug and Play conecta, de ponta a ponta, investidores institucionais com os criptoativos. É uma ferramenta robusta, que garante transparência e proteção”, disse Marcos Viriato, CEO da Parfin.  

De acordo com o CEO da Foxbit, João Canhada, a solução dará “agilidade e autonomia para clientes fazerem operações por conta própria. Além disso, as transações acontecerão numa área exclusiva. Também serão automatizadas”.

A Parfin afirma ter clientes com mais de R$ 300 milhões em ativos sob gestão. No entanto, a empresa espera superar R$ 1 bilhão até o fim do ano.

Associações globais de blockchain se unem; B3 e QR Capital darão curso de criptos

InterWork Alliance (IWA), organização dedicada à promoção de tokenização pelas empresas, se juntou ao Global Blockchain Business Council (GBBC), uma das principais associações sobre blockchain no mundo. Assim, será parte da GBBC e seus 330 membros institucionais se juntarão à organização.

A IWA trabalha na criação de padrões, protocolos e especificações abertos para tokenização em empresas. A instituição já dsenvolve o Token Taxonomy, por exemplo. Haverá ainda um programa de certificação.

B3 e QR Capital promovem curso sobre criptoativos

A QR Asset Management, gestora de recursos da holding QR Capital, e que tem fundos de índices de criptomoedas na B3, lançará curso com a bolsa sobre ‘Como Investir em Cripto na bolsa’. O curso será gratuito e online. As inscrições começam no próximo dia 13. É possível reservar vaga no site
https://b3.qrasset.com.br/. Haverá certificado da B3. Serão 3 módulos com oito aulas.

Coritiba do Paraná faz acordo com Liqi para ter tokens de direitos sobre jogadores

Coritiba do Paraná vai entrar para o clube dos clubes de futebol que tokenizam ativos. O time fechou acordo com a Liqi para transformar seus direitos de mecanismo de solidariedade em tokens nas próximas semanas. O objetivo é gerar mais uma receita para a equipe.

A Liqi já fechou acordo com semelhante com o Vasco. Times do Brasil e do exterior estão usando as possibilidades que blockchain criou para lançar tokens como o do Coritiba, tokens não-fungíveis (NFTs) de imagens, por exemplo, e tokens para fãs. Esses últimos geram receita por meio de engajamento dos torcedores.

O Coritiba nasceu em 1909 e desde janeiro tem uma nova direção. “Entendemos que o cenário atual do Coritiba é muito promissor e nos traz diretrizes para elaborarmos novas estratégias de modernização, que podem impactar na recuperação financeira. E assim, na posição e status do time”, diz Juarez Moraes e Silva, presidente do Coxa.

O Mecanismo de Solidariedade é uma criação da FIFA para recompensar os clubes que formam jogadores. Dessa forma, podem ganhar um percentual da venda subsequente do atleta.

“Estamos começando a escrever uma importante história ao lado dos clubes do Brasil. Estamos acelerando por aqui e já temos em nosso radar outros três times que devem assinar contrato com a Liqi em breve”, afirmou Daniel Coquieri, CEO e fundador da startup.

Mexicana Bitso contrata executivos para cuidarem de expansão no Brasil

A Bitso, que como o Mercado Bitcoin também é uma bolsa de criptomoedas unicórnio, contratou, ex-vice-presidente de desenvolvimento do Facebook, para ser seu primeiro COO (Chief Operating Officer). Sua primeira função será cuidar da a expansão e desenvolvimento da empresa no Brasil. A empresa anunciou operação no país no final de 2020.

Recentemente, a Bitso anunciou a contratação de Patrícia Carvalho dos Santos como diretora de marketing no país. A executiva passou por empresas como a HRtech Revelo e Uber.

Há três semanas, Marcos Jarne anunciou que havia deixado o cargo de country manager da mexicana Bitso, o qual ocupou por apenas dez meses. O CEO e fundador da empresa, Daniel Vogel, se mudou para o Brasil e é quem está à frente da operação aqui.

Fan token do Corinthians começa a ser vendido hoje na Socios.com

A Socios.com começou a vender hoje (2), às 10h00, o fan token do Corinthians, o $SCCP. Na plataforma, o preço de abertura foi de 2 euros (cerca de R$ 13). Assim como acontece com outros fan tokens que a Socios.com lançou, quem compra terá direito, por exemplo, a promoções, recompensas e participação em pesquisas.

O time paulista terá 850 mil tokens na plataforma inicialmente. Iniciativas como a da Socios.com são uma nova forma de os clubes levantarem recursos e engajar os fãs. Outros times também já têm tokens, como Vasco e Atlético Mineiro.

Para comprar o token, o torcedor ou investidor deve primeiro comprar o token Chiliz (CHZ) numa bolsa de criptomoedas. A aquisição do $SCCP na Socios.com acontece pelo app da plataforma, onde se troca a CHZ por token do Corinthians.

Mercado Bitcoin faz acordo com Corinthians

O Mercado Bitcoin também venderá o token do Corinthians a partir deste mês. Além disso, a bolsa de criptomoedas fechou um acordo com o clube paulista para ações de educação financeira e criptomoedas e terá seu nome na camiseta do time. O acordo do logo na camiseta vai de setembro de 2021 a dezembro de 2022. Com isso, o Mercado Bitcoin bolsa busca visibilidade e receita entre os mais de 30 milhões de torcedores do clube paulista.  

“O universo cripto e o mundo do futebol viabilizam novos modelos de engajamento com a torcida e a geração de negócios rentáveis”, disse Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin. “Estamos desbravando novas possibilidades de marketing e engajamento”, afirmou Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians.

*Reportagem atualizada em 3/9/21 com o nome correto do jogador na foto.

Zeca Baleiro cria token de música, transforma fãs em coprodutores e pagará royalty

Essa é para quem quer ser sócio do cantor e compositor Zeca Baleiro. O músico lançou hoje (31) em parceria com a plataforma TuneTraders, tokens de sua nova música “O Tempo Não Espera”. Cada token vale R$ 100,00 e quem comprar, vai ter direito a royalty por três anos.

Dessa forma, o artista levanta recursos para produção da música e evita intermediários nesse financiamento e pagamento de royalties. “É muito bom que estejam surgindo novas formas de divulgar e comercializar a produção dos artistas da música. Novas picadas vão se abrir deste casamento entre tecnologia e música, o futuro da arte aponta para esse caminho”, disse Zeca Baleiro.

A venda do token de Zeca Baleiro acontecerá por 14 dias. Estavam disponíveis 1.360 cotas para 80% do resultado líquido das receitas da distribuição digital da obra. Às 19h48 desta terça-feira, havia 1.260 em estoque.

Cada pessoa compra quantos tokens quiser. O pagamento do royalty será conforme o número de vezes em que a música tocar a partir de 17 de setembro, quando entrar na plataforma. A cada trimestre, quem tiver os tokens receberá relatório da receita de streaming, além do pagamento. Quem quiser, pode depois vender sua cota na TuneTraders.

Espera-se que os detentores do token de Zeca Baleiro ajudem na divulgação da música. E quem comprar 10 cotas vai levar também uma participação numa audição virtual com Zeca Baleiro e conversar com o artista.

“Empoderamos artistas ao conectá-los a fãs e fundos. Usamos blockchain como uma utility para simplificar a distribuição de royalties, diluir a produção executiva da música entre os fãs e rastrear as receitas”, disse Carlos Gayotto, CEO da TuneTraders.

A TuneTraders será responsável pela distribuição da música nas plataformas digitais e por disponibilizar os relatórios com os royalties coletados e que cada fã deve receber de acordo com a cota adquirida.

Segundo Zeca Baleiro, é um reggaeton que compos durante a pandemia. “uma reflexão sobre este tempo de dor e incerteza em que estamos mergulhados, e da necessidade de, de certo modo, ‘reconstruir o mundo’, o de fora e o de dentro. Apesar do texto reflexivo, a música é um convite à dança, à alegria e à esperança por dias melhores. Vamos dançar sobre as cinzas”.

Baleiro tem mais de 20 anos de carreira e inúmeros prêmios e indicações, entre eles o Grammy Latino, APCA e Prêmio da Música Brasileira.

Consórcio de DeFi cria programa de US$ 100 milhões para atrair usuários

Um consórcio dos principais protocolos e projetos de finanças descentralizadas (DeFi) em Ethereum, empresas de infraestrutura e educação, como Celo, Curve, Sushi, Chainink e RabbitHole, anunciou hoje (30) o projeto DeFi for the People. O objetivo é incluir nos serviços DeFi ao menos parte dos 6 bilhões de usuários de smartphones em todo o mundo.

O programa inclui oferecer mais de US$ 100 milhões em educação, subsídios e incentivos. De acordo com o grupo, a maioria dos participantes do programa contribuirá com metade dos fundos para os programas de incentivo.

O grupo diz que reuniu “construtores para criar produtos que tornam o DeFi mais acessível e fácil de usar para as pessoas que mais precisam”. E o celular é uma dispositivo que está nas mãos inclusive dos desbancarizados, que por eles têm tido acesso a alguns serviços.

A Celo, que tem mais de 1 milhão de endereços de carteira em 113 países, afirmou que fez um projeto piloto na Colômbia em 2020 dando microcréditos sub-garantidos. Com os empréstimos, os usuários compraram bicicletas motorizadas para fazerem entregas pelo Rappi, o que gerou nova renda.

Apesar de DeFi passar por uma explosão em valores nos últimos meses, há apenas 5 milhões de usuários, segundo o grupo. E desses, apenas 10% estão em países desenvolvidos. Segundo o DefiPulse, em janeiro de 2020 havia cerca de US$ 700 milhões alocados em DeFi. Mas, hoje são US$ 36 bilhões. Analistas e participantes do mercado dizem que a dificuldade de entender e operar DeFi e regulações são algumas das barreiras para expansão desse segmento.

No entanto, o crescimento é visto como inevitável. Inclusive para instituições do mercado financeiro convencional. Os DeFis são até inspiração para o projeto de real digital do Banco Central.

Celo fará Hackathon em outubro para atrair projetos de DeFi

No programa do consórcio já estão disponíveis integrações com PoolTogether, Sushi, Moola Market, Ubeswap e Valora e outras vão ocorrer em breve. A partir de hoje também há recompensas para PoolTogether na Celo.

Haverá, ainda, o lançamento de incentivos com outros protocolos e
projetos DeFi nos próximos meses. assim como de um protocolo de interoperabilidade com eficiência de gás para comunicação entre cadeias. “Com o Optics, os usuários poderão mover facilmente os ativos
entre Ethereum e Celo”, diz o comunicado.

Rene Reinsberg, co-fundador da Celo, afirmou que pretende “trazer
mais de 1 bilhão de novos usuários para o ecossistema DeFi nos próximos cinco anos.” Segundo Leighton Cusak, fundador da PoolTogether, as pesquisas mostram que prêmios são um dos modelos mais eficazes para pessoas com com poucos recursos nos bancos.

Além de prêmios, haverá também um hackathon em outubro para atrair mais projetos DeFi para a Celo. Haverá US$ 1 milhão em prêmios e financiamento para as equipes começarem iniciarem seus projetos. O link do hackathon é defiforthepeople.org/hackathon.

Fundador do Twitter quer lançar bolsa descentralizada de criptomoedas

O fundador do Twitter, Jack Dorsey, afirmou que a Square, que também criou, quer criar uma bolsa descentralizada de bitcoins. Será um novo braço da empresa de pagamentos. E será desenvolvida numa plataforma aberta.  A data ainda será definida.

A informação veio, como de costume, num post de Dorsey no Twitter, em que disse “Ajude-nos a resolver esse problema”. Dorsey é um conhecido fã de bitcoin.

Mike Brock, que vai liderar a iniciativa, disse num outro post que “esse é o problema que vamos resolver: tornar fácil apoiar uma carteira sem custódia em qualquer lugar do mundo por meio de uma plataforma para entrada e saída de bitcoin. Você pode pensar nisso como uma bolsa descentralizada para fiat (moeda fiduciária)”.

Segundo ele, por “data a ser definida” eles querem dizer que “nas últimas semanas nosso time tem resolvido o que precisa ser resolvido. Gostaríamos de compartilhar nossa direção e temos algumas perguntas”.

De acordo com Brock, o grupo acredita que bitcoin vai ser a moeda da internet. “Enquanto há muitos projetos que tentam ajudar a internet a ser mais descentralizada, nosso foco é num forte sistema monetário global pra todos.”

De acordo com o executivo, “ter bitcoin hoje envolve tipicamente trocar fiat num serviço centralizado e com custódia como a CashApp ou Coinbase. Esses serviços tem vários problemas e não estão bem distribuidos no mundo”.