Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Elon Musk investiu em bitcoin; com US$ 1,5 bi, Tesla é a primeira do S&P 500 a anunciar cripto no caixa

Depois de vários tweets sobre bitcoin, inclusive afirmando que deveria ter entrado no segmento há oito anos, saiu hoje (8) o anúncio de que o empreendedor Elon Musk investiu em bitcoins.

Além disso, a Tesla Inc, sua empresa líder na fabricação de carros elétricos, poderá aceitar a moeda digital como pagamento pelos veículos.

O investimento em bitcoin foi também da Tesla, na quantia razoável para o mercado de criptos, de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões). Embora ainda seja uma parte minúscula do caixa da empresa, é a confirmação de um investidor corporativo buscando a criptomoeda.

Além disso, como Elon Musk investiu em bitcoin, o índice S&P 500, das mais prestigiadas empresas em bolsa nos Estados Unidos (EUA), agora está exposto a bitcoin.

A Tesla entrou para o índice em dezembro passado, onde é uma das maiores empresas. Apesar de nunca ter registrado lucro.

Musk leva bitcoin a recorde, de novo

Foi só a notícia sair hoje pela manhã que o preço do bitcoin subiu quase 20% e bateu novo recorde, de US$ 44.850. Ao longo do dia, perdeu um pouco de força. Às 18h53, horário de Brasília, a cotação era de US$ 44.467,98.

A informação sobre o investimento está no balanço que a empresa enviou à Securities Exchange Commission (SEC). A Tesla comprou bitcoin ao revisar sua política de investimento, em janeiro.

Em 29 de janeiro, Musk adicionou a hashtag #bitcoin a seu perfil no Twitter. Isso desencadeou perguntas sobre o que ele estaria fazendo nesse segmento. Além, claro, de uma alta da cripto.

Com a mudança, a Tesla pode comprar ativos digitais, além de barras de ouro e cotas em fundos que operam na bolsa e são baseados em ouro (ETFs). A empresa disse que isso dará mais flexibilidade para maximizar retornos sobre o caixa.

Tesla e MicroStrategy juntas

Assim, a Tesla está ao lado da MicroStrategy como as maiores detentoras corporativas de bitcoin. A MicroStrategy emitiu US$ 650 milhões em títulos conversíveis em 2020 para comprar a criptomoeda.

A Tesla disse que poderá aceitar bitcoins como pagamento de seus produtos num futuro próximo. Mas, isso será numa base limitada e conforme as leis permitirem. Para uma empresa que vende direto ao consumidor e pelo site, aceitar bitcoins como pagamento fica mais fácil.

A fabricante de veículos elétricos fechou 2020 com mais de US$ 19 bilhões em dinheiro no balanço. A empresa levantou US$ 12 bilhões com a venda de suas ações.

EUA autorizam mais um banco de ativos digitais; Protego atenderá clientes institucionais

O Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC, na sigla em inglês) emitiu mais uma autorização para um banco de ativos digitais de âmbito federal. Desta vez, a autorização provisória é para o Protego Trust Bank N.A., que trabalhará apenas com clientes institucionais.

No inicio do ano, o OCC concedeu a primeira autorização da história dos EUA para operação nacional de um banco de ativos digitais. Nesse caso, foi para a Anchorage, plataforma de custódia de ativos digitais apoiada pela Visa. O OCC tem demonstrado abertura para o universo de moedas digitais.

O Protego afirma que já tem compromissos de clientes para custodiar mais de U$1,5 bilhão de ativos (AUC). Portanto, para a instituição isso é sinal da demanda do mercado institucional por um banco com seu modelo, ou seja, federal e regulado. Isso porque espera-se dele maior atenção a regras de compliance, ou seja, menor risco.

Banco digital com trading

Com a autorização, o Protego pode operar além do estado de Washington, onde já tinha autorização para atuar. Dessa forma, poderá ofertar em todo o território americano custódia de ativos digital, uma plataforma de negociações, empréstimos entre os clientes e emissão de novos ativos digitais.

“Desenhamos nossa tecnologia de negociação por pessoas que trabalharam com grandes instituições financeiras e que entendem dos requisitos desses negócios complexos e regulados, disse o COO do Protego, Doug Mehne,

De acordo com o CSO do banco, Jonathan Silverman, a vantagem é que as instituições poderão deixar seus ativos num banco federal regulado. Além disso, poderão comercializar seus ativos na plataforma do Protego.

Com isso, terão a certeza de que estarão negociando com instituições totalmente analisadas, identificadas e que seguem regras de compliance, completou.

O OCC já emitiu outras autorizações que incentivam a expansão do mercado de ativos digitais nos EUA. Dentre elas a de que os bancos tradicionais podem usar moedas estáveis (stablecoins) e ser nós em redes blockchain.

Mercado Bitcoin compra Blockchain Academy; plano inclui pesquisas e formação profissional

O Mercado Bitcoin (MB) comprou a Blockchan Academy, uma das mais reconhecidas escolas sobre blockchain e criptoativos do país. Com isso, o agrega mais um serviço para reforçar seu plano de ser uma “uma grande bolsa de criptoativos”, conforme disse ao Blocknews seu CEO, Reinaldo Rabelo.

Cada braço do grupo deve contribuir, portanto, para o crescimento dos outros. Com um base de 2,3 milhões de clientes cadastrados na corretora, é possível divulgar para eles os outros serviços, por exemplo. O mesmo pode acontecer com quem fizer os cursos na BA com o objetivo de investir em criptos.

Rabelo disse ao Blocknews que os planos para a BA incluem “conectá-la com outras escolas, hubs de inovação e centros de pesquisa. Ser o braço blockchain desses players”. Assim, pretende, dentre outras atividades incentivar a produção de pesquisas com entidades de ensino.

Com BA, o Mercado Bitcoin entra também num negócio que pode resolver, ao menos em parte, a escassez de profissionais especializados em blockchain. Isso porque quem precisa contratar diz que essa é uma tarefa dificílima.

Falta profissional para blockchain

Em evento do Instituto Febraban de Educação (Infi), na última terça-feira (2), Igor Regis, gerente executivo de TI do Banco do Brasil, afirmou que “procuramos no pais inteiro e muitas vezes recorremos a um profissional com conhecimento básico em sistema distribuído, por exemplo. Depois damos capacitação a ele”.

“Faço minhas as suas palavras”, completou Renato Lopes, gerente de tecnologias emergentes, incluindo blockchain, do Itaú.

O MB já é a maior bolsa da América Latina e neste ano começa sua internacionalização. Além disso, o grupo tem a Clearbook, que será lançada até final de março. Tem um carteira digital, o Meubank, e um projeto de empresa de custódia, que está inscrito na seleção do sandbox da CVM.

Há alguns dias, a empresa anunciou um aporte de R$ 200 milhões da GP Investimentos, Parallax Ventures, Fundo Évora, HS Investimentos, Banco Plural e Gear Ventures.

Blockchain Academy é referência

De acordo com Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin, a BA é um dos principais projetos do grupo para os próximos anos. O grupo vai anunciar um novo líder para a escola, uma vez que Rosine Kadamani, uma das fundadoras, sairá da sociedade e da gestão.

“Tenho muito orgulho da história de pioneirismo e excelência da BA”, disse Rosine. Agora, sua atuação será no time de regulação na America Latina da Stripe, empresa de soluções para pagamentos, disse ela ao Blocknews.

A BA foi fundada em 2016 e atendeu, até agora, mais de cinco mil alunos. Desses, parte veio através de projetos com empresas e governo. Thiago Padovan e Marcele Eisele, também co-fundadores da BA, já haviam deixado a escola.