Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Visa faz operações com criptomoeda USDC e expandirá serviço

A Visa anunciou hoje (29) que realizou, neste mês, as primeiras operações de liquidação de pagamentos com a stablecoin USD Coin (USDC). A empresa espera lançar o serviço com outros parceiros ainda em 2021.

É a primeira empresa do setor a fazer esse tipo de operação, ou seja, aceitar uma criptomoeda, fazer a conversão para moedas fiduciárias (fiat) e enviar aos bancos para pagamentos aos comerciantes.

Há algum tempo a Visa anunciou que estava trabalhando com a USDC. A moeda é do consórcio Centre, da fintech Circle, da maior corretora de criptos dos Estados Unidos (EUA), a Coinbase, e da mineradora Bitmain. A Circle é, inclusive, uma das aceleradas da empresa de pagamentos.

Para fazer esse serviço, a Visa tem um acordo com o Anchorage, banco de criptoativos dos Estados Unidos (EUA). Esse serviço com a Anchorage será lançado no Brasil, com a disponibilização de APIs para os bancos daqui. A informação foi antecipada ao Blocknews pela Visa no Brasil.

De acordo com comunicado da Visa, a escolha pela USDC se deveu à demanda pela moeda, que tem cerca de US$ 10 bilhões em circulação. Além disso, contaram sua estabilidade, já que é lastreada em dólar, e segurança.

Segundo a empresa, no futuro, sua infraestrutura poderá também trabalhar com as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). As moedas ainda estão em estudo pela maior parte dos países. As Bahamas já lançaram e a Mastercard até já lançou cartão para uso da chamada Sand Dollar.

Phonogram.me, plataforma de NFT de música brasileira, entra em operação

Entrou em operação Phonogram.me, a primeira plataforma de NFT de música brasileira. Os NFTs são tokens criptografados originais e que não podem ser trocados ou mudar de mãos. A plataforma também permite investir num artista.

De acordo com a empresa, na plataforma fãs de música ou de um artista podem comprar de um álbum ou os direitos autorais do fonograma. Isso tira, portanto, intermediários nesse processo.

Assim, quem comprou um NFT de música brasileira pode receber os royalties quando plataformas como rádios, TVs e eventos tocarem o material. Além disso, é possível receber os royalties em criptomoeda ou em reais. Compra e venda e revenda podem ser feitas pela plataforma.

Os criadores do projeto dizem que é o primeiro do tipo na América Latina. Os sócios são o produtor musical Lucas Mayer, a designer Janara Lopes e Guido Malato, fundador da Gmalato, empresa de soluções em blockchain.

Outros sócios são Felipe Cury, diretor de criação da agência África e o advogado especialista em direito autoral, Filipe Tavares. O garoto-propaganda é o músico André Abujamra, que já sonorizou uma arte digital.

A ideia dos fundadores da Phonogram.me é similar ao que o responsável pelo Blockchain Research Institute (BRI) Brasil, Carl Amorim, defendeu em artigo publicado hoje (24) no Blocknews. Para ele, o Brasil precisa utilizar NFTs em projetos artísticos que inovem a forma como essa classe é remunerada.

O site da Phonogram.me é em inglês. Portanto, isso já é uma indicação de que o grupo quer vender música brasileira também fora do país.

“Não vou pedir para a empresa emitir moeda”, diz presidente da Microsoft

O presidente da Microsoft, Brad Smith, disse hoje (24) que os governos estão melhor posicionados do que as empresas de tecnologia financeira para emitirem moedas. “Não somos um banco, não queremos ser um banco e não vamos competir com nossos clientes que são bancos”, afirmou.

A afirmação aconteceu durante um evento do Bank of International Settlements (BIS), o banco central dos bancos centrais. Já é um hábito que discussões sobre dinheiro e meios de pagamentos acabem citando criptomoedas e moedas digitais de banco central, as CBDCs.

Diversos países, inclusive o Brasil, estudam as CBDCs. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o tema está em estudo. Porém, não tem pressa em lançar uma.

A Microsoft, no entanto, tem atuado em blockchain, como foco especial em nuvem. A empresa oferece soluções na plataforma Azure para projetos como o da moeda digital da cooperativa de café Minasul.

De acordo com uma reportagem da BNN Bloomberg, o presidente da Microsoft defendeu a emissão e também o gerenciamento centralizado do dinheiro.

“A oferta de dinheiro precisa quase unicamente ser gerenciada por uma instituição responsável pelo público e que pensa apenas no interesse público. Isso significa governos.”

E completou dizendo que não é um grande fã de encorajar ou pedir ou querer que a Microsoft participe da emissão de moeda. É uma posição diferente de outras empresas como Facebook ou Tesla. O CEO da fabricante de veículos elétricos anunciou hoje (24), por exemplo, que aceitará bitcoin como pagamento.

Leilão de criptoarte vende Beeple por US$ 6 milhões para fundador da Tron

O leilão de criptoarte de sete artistas digitais, incluindo o badalado Beeple, terminou com vendas de US$ 20.049 a US$ 6 milhões. O maior valor, de longe é o da obra de Beeple e quem comprou foi Justin Sun, CEO da BitTorrent e fundador da Tron Foundation.

A Tron desenvolveu o protocolo blockchain que é um dos mais usados no mundo.

Todo o valor arrecadado no leilão irá para um projeto de conservação florestal no Peru, o Madre de Dios.

Coinbase é multada em US$ 6,5 milhões por dados falsos e manipulação; oferta de ação pode ser em abril

A Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA), recebeu uma multa de US$ 6,5 milhões (cerca de R$ 45 milhões) da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), na sexta-feira (19). A comissão diz que a empresa realizou imprudentes, falsos, errados e imprecisos relatórios.

Além disso, um funcionário realizou compras e vendas da criptomopeda Litcoin para manipular o mercado. Essa ação é conhecida por wash trading e, assim, tenta mostrar ao mercado que há demanda pelo ativo.

Com o acordo, a Coinbase encerrou o caso na CFTC. Assim, o caminho fica mais livre para sua oferta pública de suas ações. Segundo a Bloomberg, a oferta será em abril e não mais em março, como esperado. A agência de notícias diz que a informação veio de fontes próximas à empresa.

De acordo com a CTFC, a Coinbase soltou relatórios falsos entre janeiro de 2015 e setembro de 2018 sobre operações na plataforma GDAX. Na ocasião, a corretora operava dois programas, o Hedger e o Replicator, que se comunicavam e mandavam ordens um para o outro.

Quanto ao funcionário que realizou wash trade, o caso aconteceu entre agosto e setembro de 2016 na GDAX. Isso gerou um cenário falso de demanda e liquidez para a litecoin. Assim, a CFTC considerou que a Coinbase deve responder pelo ato do funcionário.

A litecoin aparece em nono lugar no ranking da Coinmarketcap em termos de valor de mercado. De acordo com o site, o valor é de US$ 13,255 bilhões (às 10h30) desta segunda-feira. O valor unitário da Litcoin é de US$ 197,71.

Hashdex recebe primeira autorização de ETF de criptomoedas do Brasil

Hashdex recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para lançar o primeiro ETF de criptoativos do país. O fundo será negociado na B3 com o nome de Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice e o código HASH11. A gestão é da Hashdex.

O fundo vai ser distribuído pela Genial Investimentos Corretora De Valores Mobiliários, BTG Pactual e Banco Itaú BBA S.A. A empresa afirma que dará mais detalhes no futuro sobre o fundo.

No mês passado, a Hashdex lançou o Hashdex Crypto ETF na Bolsa de Bermuda (BSX), o primeiro do mundo baseado em criptomoedas. Assim como o do Brasil, segue o Nasdaq Crypto Index (NCI).

O ETFs são investimentos mais conhecidos em mercados como o dos Estados Unidos (EUA). Mas aqui também existem. O objetivo dos ETFs é acompanhar um índice ou segmento.

Assim, quem investe nele acompanha o setor. Isso significa, portanto, que o risco não é mais alto ou mais baixo. É apenas uma maneira de o investidor tentar garantir o máximo de rentabilidade semelhante ao de empresas daquele segmento.

A composição do índice é a seguinte atualmente:

Bitcoin (BTC)78,61%
Ethereum (ETH)16,86%
Litecoin (LTC)1,58%
Bitcoin Cash (BCH)1,03%
Chainlink (LINK)1,27%
Stellar Lumens (XLM)0,65%

E desde que foi lançado, o desempenho do índice tem sido, claro, de alta, já que acompanha os preços das criptomoedas. O gráfico abaixo mostra a performance.

Nasdaq Crypto Index Performance

ABCripto anuncia entrada de BitBlue; mas agora, são apenas quatro associados

A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) completa 3,5 anos com um perfil bastante diferente daquele do seu lançamento. Em setembro de 2017, no anúncio de sua criação, contava com nomes como FoxbitMercado BitcoinCoinWiseBlockchain Research Institute BrasilOriginal MyLatoex e Cointimes.

A ideia era ser uma associação para todo o ecossistema de criptoativos, não apenas corretoras. Chegou a ter cerca de 20 associados. O objetivo era ter, por exemplo, guias de conduta e de mercado. A ideia era até ter um prêmio para o segmento.

Mas, houve uma dissidência, com a criação da Associação Brasileira de Criptoativos e Blockchain (ABCB), motivada pela falecida Atlas Quantum. Com a derrocada da Atlas, ficou apenas a ABCripto. Agora, a associação anuncia a entrada da BitBlue, plataforma de negociação de criptomoedas.

No entanto, com a BitBlue, a ABCripto tem quatro membros, que incluem também o Mercado Bitcoin, a Foxbit e a NovaDax. Membros foram saindo ao longo do tempo e há alguns dias, BitPreço e Ripio deixaram a associação.

Ambas saíram devido a denúncia da ABCripto contra a Binance. A BitPreço conecta quem quer comprar ou vender bitcoin, ether e USDT com corretoras. Ao deixar a associação, alegou que por ser marketplace, mantém boas relações com todas as exchanges. Assim, manteve sua relação com a Binance.

Já a argentina Ripio informou que estava deixando a associação por discordar da denúncia. Isso porque sua visão sobre o caso, afirmou, é mais ampla do que a defendida pela ABCripto.

ABCripto diz que entende saídas

De acordo com mensagem da associação enviado ao Blocknews, a ABCripto diz que “entende o posicionamento das empresas e que seguirá cumprindo seu papel de buscar condições justas de mercado”.  

Em janeiro passado, a associação anunciou mudanças na diretoria. Safiri Felix, diretor-executivo desde 2019, passou a conselheiro. No seu lugar entrou Fernando Bresslau. Além disso, Rodrigo Monteiro, por sua vez, se tornou diretor de relações institucionais, com foco em conversar com o poder público.

Tokens de Batman e Mulher Maravilha? DC Comics estuda lançar NFTs de seus personagens

A editora de histórias em quadrinhos DC Comics estuda lançar NFTs, os Non-fungible tokens NFTs. Assim, a editora de personagens como Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha vai colocá-los em tokens únicos que fãs e colecionadores poderão comprar.

Os NFTs representam algo único, em boa parte peças de arte e figurinhas. É um mercado que passa por uma explosão de oferta e demanda, em especial de colecionadores. Há emissores de todo tipo, por exemplo, a NBA. Jack Dorsey, CEO do Twitter, também colocou a venda seu primeiro tweet.

A DC Comics é a editora de personagens como Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha. Por isso, pretende distribuir e vender NFTs tanto de artes criadas para se tornarem tokens, como de arte digital cedidas para livros de cômicos da empresa.

A informação está numa carta que Jay Kogan, vice-presidente de assuntos jurídicos da DC enviou aos artistas freelancers da empresa. A carta é de quinta-feira passada (11). De acordo com o documento, “a empresa está examinando o mercado de NFT. A mensagem foi relevada no Twitter por uma freelancer

Mas, a DC faz um alerta aos freelancers. Caso um deles receba uma oferta para incluir seus desenhos da DC em NFT, deve avisar o vice-presidente de Talentos, Lawrence Ganem. Isso significa que a este ponto, a empresa sabe que já tem gente de olho em seus personagens.

Segundo a carta, a DC espera que seus freelancers participem do programa de NFT. E se compromete a buscar uma “solução razoável e justa para todas as partes envolvidas”. Isso, diz a editora, inlcui fãs e colecionadores.

DC estuda lançar NFTs num mercado que já tem NBA e Christie’s

Ao lançar NFTs, a DC, braço da Warner Media, se juntaria a um grupo que já inclui até a tradicional casa de leilões Christie’s . E foi essa casa que vendeu uma obra de Mike Winkelmann (Beeple), First 5000 Days. O valor: US$ 69 milhões (algo como R$ 450 milhões.

O comprador atende pelo pseudônimo de Metakovan, revelou a Christie’s. Ele se diz ex-aluno da aceleradora Y-Combinator. Além disso, afirma atuar com criptomoedas desde 2013 e é um “original gangster” em DeFi. Também é o apoiador financeiro do fundo de investimentos em NFT Metapurse.