Nousi Finance, Topázio, BitGo e Genezys se unem em fundo de criptoativos tokenizado

Andrey Nousi, fundador e CEO da Nousi Finance.

A Nousi Finance, em parceria com o banco Topázio, a BitGo e a Genezys, vai colocar no mercado um fundo de criptomoedas em que as cotas serão tokenizadas. A empresa diz ainda que entre os seus diferenciais estão o pagamento de dividendos e a liquidez, já que haverá um mercado secundário de cotas. Assim, tem estrutura similar ao de um investimento tradicional, mas com características da Web 3.0.

De acordo com Andrey Nousi, fundador e CEO da Nousi Finance, na parte legal e regulamentar o fundo se baseia na Resolução 88 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A de resolução trata da emissão de sociedades empresárias de pequeno porte em plataformas eletrônicas para investimento participativo, ou seja, crowdfunding. A captação pode ser de até R$ 15 milhões. Mas, essas captações não precisam de registro na autarquia.

A Nousi fará a consultoria e recomendação de portfólio e de operações. A Genezys fará a tokenização da oferta. A BitGo, por sua vez, é a custodiante de bitcoin, uma das criptos previstas no fundo. E o Topázio fará o câmbio da cotação.

Em entrevista ao Blocknews, Nousi deu mais detalhes sobre o fundo. Leia a entrevista a seguir:

BN: O Token Fund é um crowdfunding?
AN:
O Token Fund I é um Fundo 3.0. Ele em si não é o crowdfunding. Os Fundos 3.0 são uma nova modalidade de investimentos que se assemelha à estrutura de fundos tradicionais, mas representam ativos tokenizados.

BN: Quanto se espera levantar em recursos?
AN:
O Token Fund I tem alvo de levantar R$ 2 milhões na primeira oferta. Nesse valor a oferta será fechada. Após esse lançamento, a meta é atingir R$ 200 milhões até o fim de 2024 nas séries subsequentes.

BN: Qual a tese de investimentos do fundo?
AN:
Acreditamos que o mercado de criptoativos está em um ponto de inflexão positivo e que tem tudo para ter uma explosão em 2024. Isso por conta de quatro fatores: aprovação do ETF de Bitcoin Spot, incentivos monetários pelo FED (Banco Central dos EUA), halving (do bitcoin) e baixa oferta circulante de BTC.

Começando pela possível aprovação do ETF de Bitcoin Spot. Acreditamos que são grandes as chances de que a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) irá aprovar o ETF em 2024. Assim, legitimando o acesso amplo de investidores americanos ao BTC via fundos de índices negociados em bolsa.

Com isso, acreditamos que uma parte significativa dos assessores de investimentos americanos irão alocar exposição a cripto nos portfólios de seus clientes. Além disso, acreditamos que investidores institucionais irão alocar uma parte de seus recursos em criptoativos. Acreditamos, ainda, que o ciclo de aperto monetário pelo FED chegou ao fim e que dará início a cortes de juros e mais injeção de liquidez na economia.

Outro ponto importante é que teremos o halving no primeiro semestre de 2024. Tudo isso, atrelado ao fato de que 70% da oferta circulante de BTC não troca de mãos há pelo menos um ano, nos faz crer que poderemos ter um choque de demanda versus oferta ainda em 2024. Por isso, queremos nos posicionar no mercado de criptoativos trazendo uma estratégia de gestão ativa para surfar na alta e se proteger durante períodos de alta volatilidade.

BN: Como será composta a carteira e como pode mudar ao longo do tempo?
AN:
O portfólio poderá ser composto de large caps como bitcoin e ethereum e outras altcoins entre as 100 maiores. Além disso, terá dólar para gestão de caixa e ativos para gestão de risco. A montagem do portfólio será feita por uma tríade: análise fundamentalista, análise técnica e gestão de risco. Como o foco é gestão ativa, o investidor pode esperar mudanças no portfólio com o passar do tempo, mediante as condições do mercado.

BN: Em termos de processo, o que esse produto tem de diferente em relação ao que o TradFi oferece?
AN:
Atualmente, a grande maioria dos fundos de gestão ativa no Brasil são limitados a investidores qualificados. No Token Fund I não há essa restrição. Ademais, os fundos tradicionais não possuem liquidez no secundário. Assim, a única maneira para o investidor resgatar seu investimento é diretamente com a gestora e passiva de janelas longas. No nosso fundo, o investidor terá acesso a um mercado para negociar suas cotas diretamente com outros investidores de maneira imediata, o que trará mais liquidez.

BN: Como será o mercado secundário dos tokens do fundo?
AN:
Haverá um mercado interno na plataforma para negociação das cotas. Existe uma área privada na plataforma para que investidores ativos possam negociar entre si os tokens investidos, desbloqueando liquidez.

BN: Qual o investimento mínimo?
AN:
O mínimo será de R$ 1,5 mil. O fracionamento de ativos possibilita que os investidores possam acessar ofertas que antes eram exclusivas apenas para investidores qualificados. Adicionalmente, permite investimentos com valores significativamente menores.

BN: O que significa na prática ser um “fundo 3.0”?
AN:
O grande benefício do Token Fund I é trabalhar como um “Fundo 3.0”. Nesse modelo, o fundo garante ao investidor maior possibilidade de liquidez na plataforma, automatização de recebimento de lucros e dividendos e democratiza o acesso a oportunidades que antes eram reservadas para investidores profissionais. Devido aos contratos inteligentes usados na plataforma, os lucros e dividendos são pagos de forma automática para os investidores, na conta bancária cadastrada na plataforma. Um outro ponto é que o investidor fica livre  do imposto de renda sobre os dividendos. Assim, não há algo como o come-cotas.

O fundo tem um gestor profissional ou consultor financeiro supervisionado por autarquias regulatórias que fazem a gestão ativa do capital dos investidores. Isso reduz os riscos da operação. Há uma combinação de regulamentação e tecnologia, removendo quase todos os intermediários tradicionais e refletindo em potencial de maior eficiência de capital. Parte da eficiência operacional resulta do uso da blockchain, contratos inteligentes e inteligência artificial, o que reduz para horas o tempo de processos que anteriormente levavam dias para serem estruturados.

Nota de redação: come-cotas é um jargão do mercado financeiro para o imposto de renda recolhido sobre os rendimentos de certos fundos duas vezes ao ano e quando há resgates. A cobrança se dá “comendo cotas”. Isso se aplica a fundos de investimentos de renda fixa, multimercados, crédito privado, cambiais e ouro. Os fechados, de ações e de previdência não têm essa regra.

BN: Qual a função do Topázio?
AN:
Está operação é emitida no Brasil, e portanto, segue as diretrizes regulatórias da CVM. No entanto,  as  operações envolvendo as criptomoedas serão feitas no exterior em mercados dolarizados, por terem maiores níveis de liquidez e comportarem mais tipos de operações como mercado futuro e mercado de opções.

BN: É um fundo só para brasileiros?
AN:
Não! Os investidores cadastrados na Genezys, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, podem investir nesta oferta.

BN: A Genezys é a única distribuidora das cotas?

AN: Sim, a oferta do TF I é estruturada e distribuída somente na plataforma da Genezys. Futuramente, iremos conectar o produto com outras instituições financeiras.

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