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Clearbook, equity crowdfunding do Mercado Bitcoin, será lançado no segundo trimestre

Guilherme Skinner, head da Clearbook, plataforma de crowdfunding. Foto: Mercado Bitcoin.
O Mercado Bitcoin (MB) deverá lançar sua plataforma de equity crowdfunding para startups neste primeiro trimestre.

Com a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em mãos, o Mercado Bitcoin (MB) deverá lançar sua plataforma de equity crowdfunding para startups no segundo trimestre.*

A empresa analisa quatro projetos e um deles deverá ser o escolhido para o lançamento da Clearbook, disse ao Blocknews Reinaldo Rabelo, CEO do MB. O líder da operação será Guilherme Skinner, que está no projeto há quase dois anos.

O equity crowdfunding é uma “vaquinha” mais sofisticada. Quem investe dinheiro na empresa se torna seus sócio, já que passa a ter uma parte do negócio, uma equity. Além disso, pode receber títulos de dívida que poderão se transformar em equity.

A Clearbook poderá ter startups de todos os segmentos, não apenas de criptos ou blockchain. Mas, mesmo assim se insere no negócio do MB, uma vez que a ideia é anunciá-la como oportunidade de investimento para os 2,3 milhões de cadastrados da corretora.

Além disso, o MB está de olho numa eventual permissão para mercado secundário das equities. Hoje, não é permitido, mas como os reguladores estão estudando o assunto, o cenário pode mudar.

Crowdfunding monitorado

De acordo com Rabelo, “pensando em construir uma grande bolsa de ativos alternativos, uma plataforma dessas era o que faltava”. A empresa tem a corretora, a infraestrutura para tokenização de ativos e entrou no sandbox da CVM com um projeto de custódia em criptos.

Além disso, os juros baixos devem ajudar a atrair investidores que buscam melhores rendimentos, mesmo que para isso, precisem assumir riscos, acredita ele.

A plataforma usará blockchain Ethereum para registrar os contratos tokenizados de investimentos. Como o objetivo é que seja também um canal de relações com investidores, ficarão transparente, por exemplo, dados sobre acionistas, quem tem direito a voto e patrimônio. “Hoje, eu mesmo não recebo informações de cap table de alguns investimentos que fiz.”

Apoiadores do projeto, como a Fischer Venture Builder, que tem participação minoritária na Clearbook, e a Distrito, ajudarão para que o acompanhamento dos projetos seja mais pró ativo. Se e quando houver mercado secundário, isso será fundamental.

“Queremos mudar o mercado”

“Queremos mudar esse mercado para que deixe de ser um patinho feio e se torne, de verdade, um veiculo de atração para empreendedores buscarem captação mais barata e distribuída”, afirmou Rabelo.

De acordo com a CVM, nos últimos dois anos, a captação por equity crowdfunding chegou a R$ 105 milhões no Brasil. No Reino Unido, o equity crowdfunding atingiu 332 milhões de libras em 2020, cerca de R$ 2,40 bilhões. E cresceu mesmo com a pandemia.

Estima-se que nos EUA as captações desse tipo também cresceram no ano passado. E um levantamento mostrou que em 2019, as cerca de 55 plataformas de equity crowdfunding existente levantaram, em média, dinheiro para 13 projetos. Já os 1 mil venture capitals do país investiram em 11.

Foco no que já saiu do papel

A Clearbook já está recebendo cadastro de startups e investidores. A Clearbook vai listar startups com projetos que já saíram do power point. Para escolher as startups, o MB tem o apoio da Fischer Venture Builder e da Distrito. “Estamos falando de projetos que vão passar por um grupo de analistas que tem técnicas de avaliação e que precisam ver o produto”, afirmou Rabelo.

Para o CEO do MB, o crowdfunding ficou com fama de patinho feito por motivos como a característica inicial de doação a muitos projetos que acabaram falhando.

Além disso, a CVM não permite fazer divulgação dos cases, apenas das plataformas. E não há mercado secundário. O investidor brasileiro, diz ele, gosta de saber que se quiser sair do investimento, poderá fazê-lo.

A Clearbook já está recebendo cadastro de startups e investidores.

*Reportagem atualizada dia 29 de março com informação sobre data de lançamento, que passou do final de março para segundo trimestre.

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