Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mercado Bitcoin começa negociação do token MCO2, que ajuda a preservar a Amazônia

Corretora vai oferecer o token MCO2.

O Mercado Bitcoin (MB) inicia a comercialização, no próximo dia 4, do token MCO2, que é lastreado em crédito de carbono gerado na floresta Amazônica. O token é da Moss e é considerado o maior projeto de tokenização de crédito de carbono da história.

Com essa parceria, o MB também vai compensar sua emissão de carbono. Assim, será a primeira corretora do mundo a fazer isso.

Cada MCO2 equivale a 1 tonelada de CO2. O mundo lança na atmosfera em torno de 55 bilhões de toneladas ao ano. Já o Brasil lança 2 bilhões, sendo que 75% está relacionado ao desmatamento da Amazônia, segundo a Moss.

Há 1.930.798 tokens no mercado, com um valor total de R$ 190 milhões, e 737 pessoas com os criptoativos. Portanto, é um dos maiores entre os utilities em valor, com 20% do segmento do MCO2, segundo a Moss. O valor do token está em torno de US$ 20 (perto de R$ 120). Seu lançamento foi há 8 meses.

Os criptoativos estão lastreados em 1 milhão de hectares conservados, o equivalente a 15 vezes a cidade Nova York. Até agora, a empresa investiu US$ 10 milhões (cerca de R$ 60 milhões) em créditos de carbono de projetos na floresta.

Due dilligence para token MCO2

O crédito de carbono é um certificado digital gerado por projetos de conservação que evitam a emissão de CO2. Ele não tira CO2 do ar, mas evita a poluição.

A Moss afirma fazer due dilligence em projetos de conservação na Amazônia para escolher onde investir. O ativo foi auditado pela CertiK (UP Alliance).

Além disso, tem auditoria em andamento com a Armanino, empresa de contabilidade e consultoria de negócios, por meio da EY. E tem, ainda, consultoria jurídica do escritório global Perkins Coie.

A startup já oferece os tokens na Uniswap, FlowBTC e na própria plataforma, neste caso, para quem faz a primeira compra. Já o mercado secundário está nas bolsas. Em algumas semanas, serão incluídos em outras corretoras internacionais. Há mais de 1 milhão de tokens que irão a mercado gradualmente.

A Moss levantou dinheiro com terceiros num fundo que comprou US$ 4,5 milhões (cerca de 27 milhões) de créditos de carbono na Amazônia. Entre os investidores estão, por exemplo, um ex-sócio da KKR, gigante de private equity, Roberto Klabin, fundador da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal, e Nizan Guanaes, publicitário e empresário.

Token é passo para expansão do MB

“Incluir em nosso portfólio um ativo que remunera projetos de preservação do meio ambiente é um grande passo para o MB e está alinhado com a nossa estratégia de expansão internacional”, afirma Reinaldo Rabelo, CEO do MB.

A exchange tem 2,2 milhões de clientes cadastrados e é a maior do país. Com o aporte recente que recebeu, planeja se internacionalizar. No princípio, deve se expandir para a América Latina.

Luis Felipe Adaime, fundador da Moss, foi do mercado financeiro e decidiu investir no segmento ao perceber o estrago que a mudança climática faz no planeta. “Nada é tão sério quanto a mudança climática”, afirma. Por isso, que poderia faltar crédito de carbono para compensação ajudou a criar a empresa.

Blockchain para transparência

Nessa história, blockchain entra para comprovar que os ativos existem, para registrar as operações, dando segurança aos investidores, e para dar transparência aos preços. “Ninguém do segmento tem essa transparência”, diz Adaime. Além disso, é um mercado onde já houve muita fraude.

De acordo com ele, hoje, com US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões), é possível salvar a Amazônia. Esse é o valor para comprar créditos de carbono de projetos de preservação a floresta. A partir daí, tokenizá-los e vendê-los. É assim que a Moss opera.

Além do token MCO2 em bolsa, há 500 mil créditos de carbono nas mãos de investidores pessoas físicas ou jurídicas. Esses ainda não são tokens, mas poderão ser, se os detentores quiserem.

Muitas vezes, quem compra quer só investir num token, o que ainda é raro, e/ou ajudar a conservar a floresta. “Empresas normalmente compram créditos tokenizados e automaticamente compensam CO2”, diz Adaime.

3 Comentários

  1. Sem sombra de dúvidas que esse é um grande projeto que veio a tornar-se realidade, algo genuíno, pois cuidar da preservação da floresta não tem preço, nada visto até então relacionado a criptos e meio ambiente. Vejo uma grande oportunidade de unir o útil ao agradável, ou seja, ter uma rentabilidade e ao mesmo tempo saber que está fazendo um bem ao planeta. Eu já apliquei na cota da cripto CO2.
    Parabéns aos idealizadores!

    1. Marcos Cândido, sem dúvida a tecnologia pode ser uma grande aliada na preservação da Amazônia e de outros biomas. Esperamos ver mais projetos assim. Abs,

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