Maioria das instituições financeiras e empresas terá serviço de cripto e precisará ter DeFi, diz estudo da FIS

Inserção de serviços financeiros em empresas é o que mais terá impacto, dizem entrevistados.

A grande maioria das instituições financeiras e não-financeiras do Brasil têm interesse em desenvolver algum tipo de serviço com criptomoedas, mostrou um estudo da FIS com 135 executivos. De acordo com o levantamento, hoje, 79% deles têm esse interesse, enquanto o percentual sobe para um prazo de três anos: 98% das instituições financeiras disseram que vão oferecer algum tipo de serviço de cripto nesse prazo, enquanto 89% das não-financeiras afirmaram que também irão por esse caminho.

Para 84% dos entrevistados, as criptomoedas, incluindo as stablecoins, impactarão seus negócios nos próximos 12 meses e nos próximos três anos. Mas, no caso de finanças descentralizadas (DeFi), os percentuais são maiores e crescem ao longo do tempo: 87% e 90%, respectivamente.

As preocupações com segurança continuam a principal quando o assunto é criptomoedas, apontaram 43% dos entrevistados de empresas financeiras e não financeiras. Em seguida vêm a volatilidade (30%). No entanto, 27% dos executivos de empresas financeiras disseram que não confiam em moedas digitais.

Em meio a esse receio, há um movimento das exchanges para massificação das criptomoedas, como ações como conexão da conta do usuário com meio de pagamentos. A própria WorldPay, que é do grupo FIS, tem um acordo com a Crypto.com, disse Anderson Lucas, vice-presidente de negócios da FIS. “Tem muito a ser feito para massificar, mas a regulação (a lei aprovada no ano passado pelo Congresso) traz maior conforto para os usuários e consumidores”.

Criptomoedas têm relação com competitividade, diz FIS

Quase todos os entrevistados na pesquisa da FIS no Brasil – 95% – afirmaram que para suas empresas continuarem competitivas, precisarão oferecer todos os serviços financeiros – tradicionais ou não, como DeFi, ou seja, envolvendo criptomoedas – numa experiência única e que vai de ponta a ponta, , mostra o recorte brasileiro do “The Global Innovation Report 2023”.

No entanto, 53% acha que as regras de gerenciamento de risco das finanças descentralizadas são incompatíveis com ativos digitais. Isso significa que veem risco, o que tem relação com o fato de o segmento não ser regulado, afirmou o vice-presidente de negócios da FIS, empresa provedora de soluções financeiras e de pagamentos.

O Banco Central (BC) está querendo inserir DeFi nos serviços financeiros regulados do país como parte do projeto de lançamento do real digital, sua moeda digital, ou CBDC, na sigla em inglês.

92% das instituições financeiras estudam o metaverso

Em relação ao metaverso, 92% das instituições de serviços financeiros “estão ativamente estudando as oportunidades” nesse ambiente. Banco do Brasil e Itaú fizeram ações ligadas a esse ambiente, lembrou Lucas.

“É uma fase experimental para ver qual a maneira e forma que isso pode ajudar do ponto de vista de alavancagem da oferta de novos produtos e serviços, da comodidade e da praticidade. Como é uma tecnologia nova, disruptiva, muito tem que ser feito ainda, mas existem experimentos nesse sentido”, afirmou. 

Os maiores motivos para as instituições estudarem o assunto são estímulo à inovação (resposta de 53% dos entrevistados), melhoria da marca, imagem e reputação (38%), acesso ou atração de novos clientes (33%), aumento de receita (31%) e aumento ou manutenção de vantagem competitiva (29%).

Há muito foco e imagem e reputação porque metaverso está associado a inovação, completa Anderson. Mas essa percepção do cliente, no futuro, também poderá ajudar a alavancar linhas de negócios e receitas. 

No caso das empresas não-financeiras, 37% dos entrevistados do segmento acreditam que o metaverso tem hoje um valor limitado ou pequeno. Mas vai se tornar estratégico ter presença nesse ambiente em três anos, disseram 83% dos executivos.

Embedded Finance é o que mais vai impacter os negócios

No prazo de um ano, embedded finance – integração de serviços financeiros em empresas não-financeiras – é a inovação que mais entrevistados (92%) veem com maior poder de impactar os negócios, mostra o recorte brasileiro do “The Global Innovation Report 2023”.

A grande vantagem dessas empresas é que elas têm dados de clientes e sobre isso podem criar e oferecer produtos e serviços. Por isso, diz Lucas, “se tiver a tecnologia pura (como inteligência artificial), não resolve nada. A questão é o dado”.

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