Lukka, unicórnio global de dados de criptos, está de olho no Brasil

Lukka está em conversas com instituições brasileiras.

A unicórnio Lukka, empresa global de soluções de dados e de compliance em criptoativos que atua em 55 países e atende clientes como Coinbase, Hashdex e o banco BNY Mellon, colocou o Brasil entre seus três mercados de maior potencial. Os outros são Japão e Hong Kong, disse ao Blocknews o CEO, Robert Materazzi. O Brasil é top 2 pelo tamanho da população, uso de criptos, cenário regulatório e por parte da população estar fora do sistema financeiro.

Na entrevista exclusiva ao Blocknews durante sua visita ao Brasil em março, Materazzi disse que as conversas no país começaram há cerca de dois anos e acordos estão agora em fase mais avançada. Fundada em 2014 como Libra – em 2019 vendeu o nome para o projeto de cripto e carteira digital do Facebook – a Lukka mantém aqui o foco de outros mercados, ou seja, em instituições financeiras, como bancos e fundos, e empresas de cripto como exchanges.

No Brasil, por enquanto há uma pessoa, portanto com uma operação que roda praticamente toda remota. “Mas isso é muito difícil”. Por isso, à medida em que fechar negócios, esperar crescer a equipe local. “Dez pessoas aqui seria um bom número”, diz o CEO da Lukka. No total, a empresa tem cerca de 220 funcionários.

Na Europa e Estados Unidos (EUA), por exemplo, a Lukka tem cerca de 100 pessoas em cada um deles. “Estamos muito ativos em Singapura, também”. Mas, ele diz que Europa e EUA ainda são mercados ainda muito ligados a ativos materiais. Nos Estados Unidos, “precisamos de mais marco regulatório”. Já no mercado europeu, destaca que há locais de maior aceleração em cripto, como a Suíça e Liechtenstein.

Lukka captou US$ 200 milhões

A conversa aconteceu em meio ao período mais recente de recordes históricos de cotações do bitcoin. Isso é mais um dos fatores que alimentam o otimismo global do CEO da Lukka com os negócios, assim como o lançamento de ETFs à vista de bitcoin nos EUA.

“As condições do mercado e inovação em todo o mundo estão gerando tempos animadores”, afirmou o executivo, que liderou a captação de em torno US$ 200 milhões da startup, a maior parte desde 2021. Pelo mundo – e no Brasil, há ainda os projetos de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), discussões em que a empresa busca participar, disse Materazzi.

Materazzi não revelou os números financeiros da Lukka, mas disse que no último inverno cripto, fez ajustes em meio à maior perda de clientes por falência. Mas, conseguiu aumentar a receita e teve o que chama da “sucesso moderado”.

Proposta na consulta pública do Banco Central

Novas instituições estão entrando no mercado, algumas grandes, e estão contatando a Lukka com urgência, completou. Aqui, algumas como os bancos estão aguardando a regulação da lei 14.478, afirmou, embora já existam aqueles que estão em cripto oficialmente, como Itaú, BTG, Inter e Nubank. Um detalhe: a Lukka fez proposta para a consulta pública do Banco Central sobre a regulamentação da lei, com o Veirano Advogados, seu escritório aqui.

Na verdade, completou, em todas as regiões do mundo, “as instituições financeiras estão todas em criptoativos, inclusive as que ainda não anunciaram isso”. Só que agora fazem isso com uma certeza regulatória maior, já que esses processos estão avançando em diversos países. O que torna, portanto, o cenário muito diferente, já que no começo, falava com os bancos e nenhum tinha interesse em escutá-lo. Mas, empresas que podem usar blockchain para dados também são potenciais clientes. A equipe de Formula E Maserati MSG Racing, por exemplo, faz isso.

Agora, afirma Materazzi, a conversa com bancos é mais sobre risco e compliance e depois sobre lucro com ativos digitais. O detalhe é que só conseguiu fechar acordos com instituições bancárias em 2021, “mesmo se estivéssemos falando com eles há muito tempo. Eles mudar o apetite a risco e querem mover rapidamente”. No caso das empresas nativas em cripto, a questão do risco está amadurecendo e buscam mais transparência.

Japão deve andar rápido

Materazzi citou o japonês como o número 1 de foco da Lukka. “O Japão está hoje onde o Brasil estava há um ano. Mas vai se mover rápido, por causa regulação e políticas de tributação”, afirmou. É um mercado que o CEO espera que se materialize no segundo semestre deste ano. Na Ásia, a Lukka também é bastante ativa em Singapura.

O país asiático é uma das inspirações do Banco Central do Brasil para regulação de ativos digitais. O país tem avançado em regulamentação, como as para stablecoins e Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs), além de permitir criptos como ativos de investimentos para fundos de capital de risco (venture capital), o que pode acelerar os investimentos em startups. Seu objetivo é ser um líder no segmento.

Aquisições e produtos

Sobre os planos futuros da Lukka, Materazzi disse que a empresa, que já recebeu aportes de investidores como S&P Global e de um fundo do mega investidor George Soros, vai buscar se expandir para qualquer mercado “em que os negócios interajam com ativos digitais. Mas, de forma responsável”.

Além disso, afirmou que está “sempre buscando oportunidades de aquisições e de novos produtos para desenvolver. Há um ano, por exemplo, comprou a Venato de análises em blockchain. No entanto, graças aos produtos atuais, temos um espaço enorme para crescer, uma vez que acreditamos que a tecnologia (blockchain) está apenas no início”.

Para ele, ninguém oferece o mesmo portfólio da Lukka e de forma global. Na área de dados, cita competidores como a CoinMetrics. Em compliance, a Chainalysis, mesmo que com algumas diferenças entre as empresas. Entre os serviços da Lukka estão gerenciamento de dados financeiros, análises onchain e de dados pós negociação, por exemplo. Em seu site, a Lukka diz que contabiliza a cobertura de 678 mil ativos spot, 409 mil derivativos de cripto e 150 pontos de dados rastreados por ativos.

É a tecnologia que importa

Aliás, voltando à questão da tecnologia, Materazzi frisa que é isso o que conta, porque criptos não são uma classe de ativo, porque você pode tokenizar qualquer ativo, até esta mesa (da sala em que estava). A tecnologia permite a criação de novas classes de ativos. O bitcoin, por exemplo, é única. Memes são uma outra classe de ativos. Mas, uma ação tokenizada da Microsoft não é uma nova classe de ativos. É preciso avaliar cada um deles”.

E dá sua visão do futuro de blockchain: “no longo prazo, acho que a tecnologia vai substituir o comércio global não apenas no mercado financeiro, mas em outros negócios como o de recebimento de pagamentos. É o futuro das finanças e vamos ver mercados ativos proprietários. Quanto tempo vai levar? Pode levar uma década ou mais, não dá para saber, mas vai ser assim”.

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