Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Depois de dizer que bitcoin não é classe de ativo, Goldman Sachs volta a negociar criptomoedas

Goldman Sachs retoma mesa de transações de bitcoin.

No sobe e desce do bitcoin, o Goldman Sachs costuma ir do amor ao ódio pela moeda. Tanto que, agora, decidiu retomar a mesa de negociação de criptos para negociar contratos futuros e a termo de moeda sem entrega física (NDF). Além disso, estuda ter um fundo exchange traded fund (ETF) de bitcoin.

O NDF é um contrato em que as partes travam o preço de uma moeda para uma data futura. Quando chega essa data, a liquidação do contrato é pela diferença das cotações, ou seja, o que se troca é essa diferença e não a moeda física.

A informação de retomada da mesa é da Reuters. De acordo com a agência de notícias, a operação estará na divisão de mercados globais do banco. E inclui, por exemplo, criptoativos em geral, projetos sobre moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e de uso de blockchain.

O Goldman já investiu em startups de blockchain. Uma delas é HQLAx, de Luxemburgo. A empresa, de Luxemburgo, opera em transferência de ativos para instituições financeiras que realizam empréstimos de títulos e gerenciamento de colaterais. O investimento é com outros grandes bancos.

Mesa de criptos existiu há três anos

A notícia da retomada da mesa vem alguns meses depois que o GS empossou Mathew McDermott como responsável por ativos digitais do banco. O executivo chegou na metade de 2020, vindo do Londres e de 24 anos no mercado financeiro tradicional – 15 deles no Goldman

A história do amor e ódio do GS ao bitcoin já teve várias fases. No final de 2017 e início de 2018, quando o preço da moeda está em alta, o banco recomendou a seus clientes a compra. E aí montou sua mesa de negociação de bitcoin – mesmo com a cotação caindo.

Com a cotação embicada para baixo sem parar, mudou de ideia. Tanto que em maio do ano passado, chamou um call com os clientes. Um dos assuntos da pauta era bitcoin. E então o Goldman Sachs detonou a moeda, dizendo que não servia como investimento nem proteção contra inflação.

Agora, os ventos mudaram. Bitcoin sobe sem parar, com investidores institucionais mais ativos na jogada. Com juros baixos mundo, investidores estão topando tomar mais riscos. E aí bitcoin entrou na mira.

Além disso, concorrentes do Goldman, como o JP Morgan, BNY Mellon e outros bancos menores, também estão adotando a moeda. Depois do corre-corre dos primeiros anos, agora o setor está melhor estabelecido. Vira e mexe, empresas como Visa, Mastercard e Paypal anunciam que estão adotando criptos.

E ainda tem os bitcoins entrando no balanço de empresas. Dentre elas a Tesla, de Elon Musk, Microstrategy, de Michael Saylor, e a Square, de Jack Dorsey, o mesmo do Twitter. Isso só para citar algumas delas.

0 Comentários

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>