Gate.io contrata líder para Brasil para implantar expansão local

André Sprone, novo líder da Gate.io no Brasil. Foto: Acervo.

A Gate.io, uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo, acaba de contratar um head para o Brasil. É André Sprone, que até então liderou a Easy Crypto no país. Este trimestre será de arrumação da casa, de elaboração do plano de negócios e de fazer as primeiras contratações, disse em entrevista exclusiva ao Blocknews. No final do ano, o marketing deve ser mais forte. “Vamos aproveitar o inverno cripto para preparar o terreno para o crescimento”. Esse movimento faz parte de um plano global de crescimento da empresa, em especial em mercados emergentes.

As primeiras contratações deverão ser na área de marketing, seguidas pelas de operações e compliance. Sprone, que assumiu o cargo em junho, afirmou que o número de pessoas que vai contratar depende do plano final. Inclusive, ainda não está definido se haverá um escritório ou trabalho totalmente remoto, do qual é adepto. “A ideia é formar uma equipe brasileira e mostrar que estamos dando atenção ao mercado”, afirmou.

O objetivo é ter uma equipe no país e crescer além da sua base atual de clientes aqui. O anúncio acontece em meio à vinda de empresas do setor para o país e às discussões da regulação de criptomoeda no Brasil, que pelo texto atual, vai exigir das empresas estrangeiras CNPJ e envio de informações aos reguladores.

Segundo Sprone, o fato de a empresa anunciar agora um plano de instalação no Brasil não significa que esteja atrasada, uma vez que já atende o público brasileiro há muitos anos. Portanto, é conhecida no mercado, embora não revele números. “Abri minha conta há muito tempo”, conta. Para ele, o Brasil tem como atrativos o fato de ser um mercado com potencial muito alto de crescimento nos próximos anos. E é porta de entrada para a América Latina, onde a empresa tem participação que afirma ser relevante.

Gate.io é a oitava maior do mundo

O plano é continuar atuando sozinha, sem aquisições, porque a Gate.io acredita que “tem um produto muito bom e muito atraente para o brasileiro, que tem interesse por uma plataforma completa e com variedade de altcoins”. E Sprone afirma que vai “tropicalizar” os serviços para os brasileiros. Isso significa, por exemplo, integrar o Pix aos serviços da empresa, ter atendimento local ao cliente e uma a experiência do usuário simples. Isso difere de outros mercados que gostam de interface mais elaborada, porque dá impressão de maior profissionalismo, explicou.

De acordo com o ranking do CoinmarketCap nesta quarta-feira (13), a Gate.io é a oitava maior exchange de criptos no mercado spot, com volume diário de US$ 560,8 milhões. No fim de 2021, anunciou que era a sexta maior plataforma de futuros de criptomoedas. O chinês Lin Han fundou a exchange em 2013 e é o CEO. A empresa tem endereço nas Ilhas Marshall, na Micronésia.

Na semana passada, a empresa também anunciou a contratação de Tom Yang, que já trabalhou no Google e WeWork, como Vice-Presidente Executivo. Além disso, recentemente reformulou sua marca. Tudo isso faz parte de um plano global de desenvolvimento do mercado e de construção de marca. “Meu foco será em aumentar a fatia de mercado da Gate.io em mercados chave e nos emergentes”, disse ele ao assumir o posto. Para Lin Han, apesar de o mercado estar volátil, as criptos são o futuro das finanças.

Exchange abriu venda de frações de NFTs da Mutant Ape

Empresa criou sistema de crowdfunding para fracionar venda de NFTs.

Por enquanto, não há planos de fazer grandes patrocínios locais para promover a exchange. Em maio passado a Gate.io anunciou o patrocínio de Pietro Fittipaldi, corredor da Fórmula 1, e de Enzo Fittipaldi, que compete pela Fórmula 2. Mas o que Sprone gosta muito é da conexão entre esportes, tecnologia e cripto. Ele mesmo é um jogador e egames. “Deve haver uma aproximação cada vez maior entre exchanges e egames, Isso já está acontecendo com fan tokens, NFTs e patrocínios”. A tokenizadora e plataforma de criptos Liqi, por exemplo, fez parceria com times de egames.

Além de criptomoedas, o ecossistema da Gate.io inclui produtos como NFTs fracionados, ou seja, a compra de parte de um NFT. Começou no final de junho com a venda de token da coleção MAYC (Mutant Ape Yacht Club). Além disso, faz um crowdfunding para a compra, ou seja, escolhido o token, um grupo de pessoas pode se inscrever para comprar uma fração dele. Se essa fase der certo, a plataforma compra o token e depois repassa as partes para quem se inscreveu para participar da ação.

O novo líder da Gate.io é formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e tem mestrado em TI pela Universidade de Melbourne, na Austrália. Antes de entrar no mercado cripto, trabalhou no BV, na época Banco Votorantim, e criou uma empresa de pintura imobiliária. Na Easy Crypto foi diretor de comunicação e nos últimos setes meses foi head da operação.

Apesar de começar a trabalhar em empresas de criptomoedas em 2020, começou a comprar moedas digitais em 2017, inclusive com a Gate. “É legal trabalhar numa empresa que sempre usei e gostei.” O novo head da exchange diz que começou a comprar as criptos não apenas por investimentos, mas também “pela filosofia. Compartilho da visão libertária do bitcoin, da democratização das finanças, de dar poder às pessoas”, completou.

Inverno cripto já foi pior, diz Sprone

Para ele, a regulação de criptomoedas é em geral positiva, porque é preciso regras segurança jurídica. “Hoje, a situação para as empresas é de um jeito e amanhã pode ser de outro”. Afirmou ainda que considera positiva a separação de ativos de clientes e das empresas, ponto que o deputado federal Expedito Netto (PSD-RO), relator do projeto de lei que regula as exchanges de criptos, retirou do relatório que apresentou na Câmara dos Deputados para votação. E acha justo o tempo de adequação para as empresas estrangeiras que também está no documento. Porém, o que interessa muito a Sprone é o que o Banco Central vai estabelecer como regras a partir da aprovação da lei, ou seja, os detalhes.

Sobre o “inverno cripto”, acredita que a diferença desta baixa do mercado para as anteriores é que as moedas digitais têm um peso globalmente que não é mais desprezível. Diferente de 2018, o mercado de hoje está mais maduro e conta com diversos produtos além das criptos, como fundos de índice em bolsa (ETFs), fundos multiativos, NFTs e mais finanças descentralizadas (DeFis) e uso em pagamentos. “Naquele ano todo, mundo achou que as criptos tinham acabado. Agora, as pessoas aceitaram que vieram para ficar”. Portanto, ele acredita na recuperação dos preços.

Há pouco mais de um mês, a Gate.io foi um dos investidores que aportaram US$ 100 milhões no Allblocks Protocol, que brasileiros desenvolveram e que busca conectar tokens não-fungíveis (NFTs) e blockchains.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *