Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Foxbit começa a vender tokens e o primeiro é de precatórios

Foxbit lança token que permite investimento de baixo valor em precatório.

A Foxbit seguiu os passos de concorrentes e lançou, nesta terça-feira (10), o Foxbit Tokens. Esse é um braço de ativos digitais com lastro em ativos reais. O primeiro produto é um token com lastro em precatórios, ou seja, dívidas que governos terão de pagar, pois não podem mais contestá-las.

Sua concorrente Mercado Bitcoin, por exemplo, já oferece o produto. Assim, a Foxbit segue a tendência global das corretoras de irem além da venda de criptomoedas e vender tokens. Com esses ativos, a bolsa venderá frações de precatórios de títulos dos governos federal e estaduais.

Esse mercado secundário está, em sua maioria, nas mãos das tesourarias das instituições financeiras porque envolvem grandes valores. Com a tokenização, pessoas físicas podem então investir nesse segmento com baixos valores.

O valor de cada token FTPC-34645 é de R$ 100,00. A estimativa é de pagamento em 20 meses, ou seja, março de 2023. O cálculo considera o atraso no pagamento após o vencimento do papel. A Foxbit também estima rentabilidade de 20% do token, o que poderia superar investimentos conservadores como o CDI e a poupança.

Foxit diz que recomprará tokens de quem decidir vendê-los

Mas, a bolsa afirma que é possível vender o token a partir do próximo mês de outubro, porque a própria bolsa garante a recompra. É uma estratégia que ajuda a suavizar o temor de risco que o investidor possa ter. Ainda mais no contexto atual, em que o governo federal anunciou que quer parcelar os pagamentos.

Na segunda-feira (9), o governo federal mandou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para mudar o regulamento dos precatórios. Assim, quer compatibilizar o volume de precatórios que deverá pagar com a regra do limite para os gastos federais. Veio daí a frase do ministro da Economia, Paulo Guedes, “devo, não nego, pagarei assim que puder”, que disse no início do mês. A declaração causou impacto negativo no mercado financeiro.

A proposta prevê o parcelamento de precatórios e mudança no índice de correção. A aprovação da PEC evitaria um gasto de R$ 33,5 bilhões em 2022, de acordo com o Ministério da Economia. Em 2022, segundo o Tesouro Nacional, os pagamentos de precatórios chegam a R$ 89,1 bilhões, ante R$ 54,7 bilhões em 2021. Isso usaria o espaço adicional aberto no teto de gastos.

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