Exchange de criptos BitMart prepara expansão no Brasil

Nickolas Hoog, VP da BitMart. Imagem: BitMart.

A BitMart, exchange que está entre as 30 com maiores volumes globais de negociação, decidiu montar uma equipe no Brasil. A primeira contratação é a de Luiz Henrique Brandão como diretor marketing para América Latina, que aconteceu recentemente. Ele já passou por empresas como Bitso e Stone Pagamentos.

O vice-presidente de marketing da empresa, Nickolas Hoog, disse ao Blocknews que o Brasil já é o maior mercado da BitMart na América Latina. “Isso aconteceu com um aumento orgânico, inicialmente. Então, decidimos ser mais pró-ativos aqui, oferecer novos ativos tokenizados que façam sentido para os usuários, conversões entre criptos e moeda fiduciária e integração com Pix para facilitar a inserção de usuários.”

De acordo com Hoog, a empresa constantemente analisa onde está tendo crescimento orgânico no mundo para investir mais. Agora, o foco da BitMart na região é o Brasil “por conta da comunidade cripto rica, vibrante, entusiasta e pelo massivo potencial do mercado”, completou.

Em 4 de dezembro de 2021, a BitMart foi manchete no noticiário porque sofreu um ataque hacker que roubou US$ 196 milhões. O motivo foi o roubo da chave privada de duas carteiras quentes (hot wallets) da empresa. Na ocasião, Sheldon Xia, fundador e CEO, disse que a exchange devolveria o dinheiro com fundos próprios. Segundo reportagem da CNBC há um ano, parte dos clientes recebeu. Questionado sobre como estão as devoluções, Hoog disse que não poderia comentar e outras áreas também não comentaram.

BitMart diz que Brasil tem potencial massivo

Para o vice-presidente de Marketing, ações de educação são parte importante do plano da empresa no Brasil. Isso significa mostrar o uso de criptativos no dia a dia. A BitMart lista cerca de 900 tokens e 1 mil pares de criptomoedas. Suas cinco linhas principais de negócios são negociação spot, de futuros, staking, moedas fiduciárias (fiat) e tokens não-fungíveis (NFTs).

Atualmente, a BitMart tem parceria no Brasil com a Banxa. É uma plataforma de serviços financeiros conecta os usuários com a exchange em termos de dados e de transferência de recursos. Assim, para usar a exchange, é preciso ter conta nela e na Banxa para as operações on e off ramp – de conversões entre moeda fiat e cripto.

A empresa também está conversando com escritórios para questões regulatórias para sua expansão local. No entanto, o avanço da regulação aqui não é o principal motivo do plano de expansão no Brasil, afirmou o executivo. “Não significa que queremos sair de algum lugar (para vir para cá). Queremos expandir para outros mercados”, disse ele. A maioria dos usuários da BitMart então equilibrados entre Europa e sudoeste da Ásia.

Mudanças positivas em Hong Kong

Aliás, a mudança regulatória em Hong Kong poderá fazer uma diferença no mercado global a ponto de gerar novo ciclo de alta de criptos, completou. A partir deste mês haverá emissão de licenças para exchanges e plataformas. Com isso, usuários do varejo poderão negociar as principais criptomoedas a partir do segundo semestre. Até então, isso era só para investidores institucionais. “Há um apetite massivo lá”, afirmou Hoog, que veio ao Brasil para o BitSampa, evento anual sobre criptomoedas que aconteceu neste mês em São Paulo.

Com a postura mais rígida da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), empresas do mercado e analistas disseram que poderia haver uma mudança de rota da exchanges para outros países. Hoog disse que a BitMart quer colaborar com o regulador, mas não quis dar detalhes se há e quais são as conversas com a Comissão. Para ele, questões regulatórias poderão criar uma fundação maior do setor no longo prazo.

A entrada em vigor da MiCA, a regulação da União Europeia para criptoativos, também torna “interessante olhar para o bloco”, afirmou. Essa é uma região com alta educação em cripto em mercados como Reino Unido, Itália e Alemanha.

O motivo é que muitos usuários vieram do mercado financeiro no último ciclo de alta. E agora “estão esperando pela próxima alta acelerada, pelo próximo bitcoin e ethereum. Por isso, estão se educando. Lá tem muito Fomo (sigla em inglês para não conseguir acompanhar novidades)”, disse ele.

Mulheres crescem entre os novos clientes

Na Europa, o que está acontecendo também é um crescimento de mulheres entre os novos clientes que se cadastram, movimento similar ao dos Estados Unidos. Esse grupo de clientes responde hoje por 40% dos novos registros. “É uma grande promessa para nós”, afirmou o vice-presidente. Em geral, esse público prefere produtos com rendimento fixo, como staking, mais seguros, enquanto os homens tendem a preferir negociações em busca de altos lucros.

No Brasil, os números da Receita Federal também mostram um crescimento da participação das mulheres entre os investidores de criptoativos nos últimos anos.

Em relação ao perfil dos clientes, Jessica Yang, diretora de Operações da BitMart, afirmou ao Blocknews que a maneira de buscar atrair pessoas de diferentes gerações também difere bastante. Ações para o primeiro grupo podem incluir, por exemplo, gamificação e atividades ligadas a shows.

Gerentes para gerações com mais poder aquisitivo

Porém a faixa de 32 anos a 50 anos, que investe menos proporcionalmente do que as outras mais novas, demanda uma aproximação com gestores de recursos. Isso porque essa pessoas têm renda mais alta e alguém que cuida desses recursos. “Não adianta simplesmente dizer ‘venham para nossa plataforma'”.

Exchanges como a Ripio também têm serviços específicos para clientes que negociam maiores valores. Isso inclui, por exemplo, um gerente de atendimento. É algo que bancos e plataformas de investimentos disponibilizam para quem deixar mais recursos nas mãos dessas instituições.

Hoog, assim como vários outros executivos do mercado de criptoativos, veio do mercado financeiro, onde trabalhou com câmbio. Depois, passou para entretenimento, na rede CBS, e outras experiências incluem empresas como a BMW e consultoria para a Nasa. Em cripto começou na Prime Trust, de infraestrutura, e depois Huobi. Para ele, a diferença de trabalhar com cripto está no fato de “isso ser uma nova tecnologia que se move na velocidade da luz. Para ele, é estar hoje no “pré-boom da internet. Porque acho que o boom ainda vai acontecer”.

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