Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Itaú orienta investidor a ter até 3% de recursos no ETF da Hashdex

Citigroup é um dos bancos dos EUA interessado em bitcoin. Foto: Michael Wuensch.

O Itaú recomenda que os investidores pessoa física e conservadores não fiquem expostos a criptomoedas. Já para os moderados, a orientação é colocar até 1% de suas reservas, para os arrojados, até 2%, e para os agressivos, até 3%. Mas, o banco não inclui o ETF de criptomoedas da Hashdex, que oferece aos clientes, nas carteiras recomendadas.

Isso foi o que disse Martin Iglesias, gerente de recomendação de investimentos do banco. A afirmação aconteceu no segundo programa do banco no canal do Personnalité no YouTube sobre criptomoedas, com foco no ETF, em duas semanas. Esse último foi terça-feira (27).

O Itaú, além de outros bancos, como Banco do Brasil e Safra, entrou no mundo dos criptoativos na semana passada, com o ETF da Hashdex.

Os bancos norte-americanos que começam a oferecer investimentos em criptomoedas também recomendam exposição máxima em faixa similar ao do Itaú. Morgan Stanley é um deles.

“Algumas características tornam mais difícil trabalhar com ETF em recomendação (de carteira)”, completou Iglesias. Isso porque há dificuldade de estimar a rentabilidade das criptomoedas. Para outros ativos como renda fixa e ações, há modelos mais elaborados que tentam prever isso.

Há ainda a questão da forte volatilidade, cerca de três vezes maior do que a da bolsa. E, ainda, a instabilidade das correlações entre os ativos e assim, “fica difícil entender qual o papel de um ativo como esse numa carteira recomendada”.

ETF da Hashdex foi tema de mais um programa do banco

A correlação é o que acontece com dois ativos numa mesma situação. Por exemplo, se o preço do petróleo sobe, a ação das petroleiras tende a subir também. Às vezes, a correlação é oposta: preço em alta do petróleo pode ter impacto negativo em ações de companhias aéreas. Portanto, é isso que ainda não está claro no mercado em relação às criptomoedas.

A negociação do ETF Hash11 na B3 começou no último dia 26. Dos R$ 615 milhões levantados, mais de R$ 110 milhões foram pelo Itaú. Agora, o banco continua fazendo propaganda do investimento. E faz isso afirmando que trata-se de algo mais seguro do que investir diretamente em criptomoedas.

De acordo com Rogério Calabria, superintendente de produtos de investimentos, a demanda de clientes por criptomoedas fez o banco oferecer uma alternativa. Esse interesse é também dos institucionais, incluindo os family offices.

Dois programas em 14 dias sobre criptomoedas é uma mudança bastante grande para um banco que briga com corretoras no Cade, junto com outras instituições. O motivo é não quererem abrir contas desse segmento. A justificativa é de que há fraudes com criptomoedas.

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