Distância para computação quântica quebrar blockchain é menor do que imaginado

Bitcoin está se preparando.

Há quantas anda a ameaça da computação quântica às criptomoedas, inclusive à maior delas, o bitcoin? Anda. E se nada for feito até o final da década, os prejuízos podem acontecer, porque a distância para quebrarem redes blockchain é menor do que se imagina. Do lado positivo, redes blockchain e outros atores do mercado estão se mexendo para que nada vire museu. As conclusões são de um estudo da 21shares.

No levantamento “Quantum computers can’t break bitcoin yet”(Computadores quânticos ainda não podem quebrar a rede bitcoin), Eliézer Ndinga, líder global de pesquisas da 21shares, e Karim AbdelMawla, pesquisador sênior da empresa, afirmam que o que está em risco é a prova de propriedade.

Isso significa o mecanismo que garante que somente o usuário pode autorizar uma transação. Registros de operações já liquidadas não correm risco. Portanto, os fundos estão sob risco se as informações estiverem visíveis. Há casos em que está, e outros não.

De acordo com os analistas, é preciso um alto poder computacional para quebrar a proteção do bitcoin, do ethereum e da solana. Mas, uma pesquisa recente do Google, Ethereum Foundation e a Universidade de Stanford mostra que esse poder é cerca de 20 vezes menor do que se estimava anteriormente. O motivo não foi um progresso do hardware, mas uma abordagem mais eficiente.

Data para um risco confirmado da computação quântica ainda não existe. Tem quem estime que seja entre o início da década de 2030 até depois de 2040. E o risco é de avanços comprimam esses prazos mais rapidamente do que o ecossistema consegue responder.

A pesquisa do Google de março de 2026 também mostrou que, no tipo de hardware que as equipes líderes estão construindo, a proteção de um pagamento em bitcoin poderia teoricamente ser quebrada antes de ser liquidada. “Defesas práticas para isso existem e poderiam ser implementadas bem antes que o hardware amadureça. Uma migração realista somente do Bitcoin pode levar de cinco a sete anos”, diz o estudo.

Ndinga e AbdelMawla afirmam que os maiores alvos da computação quântica não são carteiras individuais, mas os sistemas em que “um pequeno número de chaves comprometidas poderia desbloquear grandes pools de capital – pontes de pagamento entre blockchains, contas de tesouraria compartilhadas e operadores de rede”.

Se já houve perdas de quase US$ 3 bilhões desde 2022 só nas pontes, com a computação quântica os invasores podem copiar informações de contas expostas hoje e descriptografá-las assim que a capacidade quântica amadurecer. – uma prática que o Federal Reserve dos EUA descreveu como um risco “presente e contínuo”.

No caso específico de Ethereum, a pesquisa do Google de março de 2026 identifica ainda um ataque em que uma única computação quântica poderia criar uma vulnerabilidade permanente em partes da infraestrutura do Ethereum. A Ethereum Foundation indica que isso já está sendo tratado.

O governo dos EUA exige que todos os novos sistemas de segurança nacional utilizem proteção resistente à computação quântica a partir de janeiro de 2027. Assim, enquanto big tech o Google, que estão trabalhando nisso, 24 dos 26 principais protocolos blockchain ainda dependem de métodos que estão sendo descontinuados em outros setores.

Em fevereiro de 2026, o bitcoin fez uma nova proposta de endereço resistente à computação quântica. O Ethereum conta com código funcional e cerca de dez equipes independentes trabalhando para a migração da rede, sendo que contas individuais já podem ser atualizadas hoje. A Solana possui um caminho de recuperação prático, portanto nenhum usuário que aja a tempo perderá acesso permanentemente. O progresso é real e mensurável.

“As atualizações anteriores do Bitcoin mostram que a adoção em toda a rede leva anos, mesmo após a aprovação das propostas. As redes que se moverem mais cedo terão menor risco de transição e enfrentarão menos migrações forçadas sob pressão. Essa lacuna de prontidão ainda não se reflete na maioria dos frameworks de avaliação – o que pode ser uma consideração relevante de due diligence para alocadores”, afirma o estudo.

Veja o relatório completo aqui .

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *