Silverbank compra tecnologia do projeto Diem, “criptomoeda do Facebook”

Projeto Diem, de pagamentos com stablecoin, acabou. Foto: Blake Wisz, Unsplash.

Acabou. A Associação Diem, instituição responsável pela stablecoin Diem, projeto de 2019 do Facebook e outras empresas, comunicou nesta segunda-feira (31) que vendeu a propriedade intelectual e outros ativos da Rede de Pagamentos Diem para o banco Silvergate. Esse, por sua vez, terá agora sua stablecoin. A informação de que a venda estava em negociação começou há alguns dias.

O Silvergate pagou US$ 50 milhões, além de emitir 1.221.217 ações para a Diem, de acordo com o banco. Com base no preço de sua ação ontem, o valor agregado foi de U$ 182 milhões. O Silvergate, que tem foco no setor de ativos digitais, era parceiro do projeto. Conforme o que circulou na semana passada, a Meta (ex-Facebook) e seus parceiros usariam o dinheiro da venda para devolver recursos aos investidores.

De acordo com o banco, os ativos que comprou incluem desenvolvimento, infraestrutura de implantação e operação, além de ferramentas para fazer a rede blockchain rodar. O desenho da rede inclui pagamentos e transferências internacionais. No final de 2021, começaram os pilotos.

“Ao integrar os ativos que compramos hoje com os do Silvergate, estamos um passo mais perto de lançar a próxima geração do sistema de pagamentos global. E esse será mais rápido, mais fácil e com melhor custo benefício do que as soluções que existem”, disse em comunicado. No balanço de último trimestre de 2021, o banco já indicou que lançaria a moeda em 2022.

Projeto Diem esbarrou em reguladores

O Silvergate afirma que continuará com o projeto de uma stablecoin para pagamentos globais. Essa foi uma das partes que assustou os reguladores. Isso porque, ao lançar a então Libra, a associação não conversou com governos dos países e pretendia operar fora de seus enquadramentos. Só que depois, mudou o discurso.

“No setor de ativos digitais, o dinheiro se move pelo mundo o dia todo”, disse Alan Lane, CEO do Silvergate. Segundo ele, a ideia da stablecoin inclui que seja sob regulação e tenha alta escalabilidade. Assim, vai permitir que seus clientes possam fazer transações internacionais. Essa afirmação tem como endereço os reguladores de todo o mundo.

“Apesar de nos darem um retorno muito positivo sobre o design da rede, nossas conversas com reguladores federais deixaram claro que o projeto não poderia seguir em frente. Portanto, o melhor caminho foi vender os ativos do grupo Diem”, disse Stuart Levey, CEO da Associação.

Zuckerberg está de olho no metaverso

Mark Zuckerberg, fundador da Meta, sempre deu muito valor ao projeto, já que poderia se tornar o meio de pagamento de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Só que agora, quando olha para o futuro, o metaverso é uma de suas – ou a principal – visão que tem. A Diem poderia até fazer parte desse projeto.

Apesar de tudo, é preciso reconhecer o impacto dessa iniciativa no ecossistema. Foi um tipo de chancela de uma das maiores empresas de tecnologia a blockchain. Assim como uma chancela à viabilidade das criptomoedas, algo que não era novo, mas mais restrito do que hoje. E, junto com a CBDC que a China anunciou no mesmo ano, levou a um corre-corre global e a mais discussões sobre regulação.

A saída de executivos do projeto nos últimos tempos indica que o mundo não estava muito florido na Diem. Isso porque um dos que saiu no final de 2021 foi exatamente o líder da iniciativa desde o início, David Marcus. A pressão de reguladores, em especial nos Estados Unidos (EUA), emperrou o projeto. Mesmo com o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, tentando defender a Diem no Congresso – o que, como se vê, não funcionou. Houve até o lançamento do projeto piloto da carteira Novi. Mas em vários momentos indicaram dificuldades.

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