CVM autoriza AmFi a oferecer tokens por meio de crowdfunding

Paulo David, CEO da AmFi.

A AmFi recebeu, nesta semana, autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ofertar seus tokens em uma plataforma de crowdfunding. Assim, a startup vai oferecer pools de liquidez (liquidity pools) que usam como garantia ativos tradicionais como recebíveis de cartões, para ser a ponte entre fintechs que atendem pequenas e médias empresas e precisam de crédito e investidores. E isso deve acontecer ainda neste mês.

“Agora, podemos falar abertamente sobre o que estamos fazendo e realizar a distribuição pública dos ativos. Podemos trazer cada vez mais investidores para as operações que estamos estruturando”, afirmou Paulo David, CEO da AmFi, ao Finsiders, portal de notícias parceiro do Blocknews. 

A CVM indicou o crowdfunding como uma forma de se oferecer tokens de renda fixa no país. O tema é um dos mais discutidos na regulação de ativos digitais no país e gera embates entre o regulador e as tokenizadoras. Pelas regras, além de usar o crowdfunding, a empresa precisa ter autorização prévia, estar registrada na comissão e fazer captações de até R$ 15 milhões, com o prazo limitado a 180 dias.

A AmFi ainda não confirmou as características da oferta que fará. Atualmente, oferece investimento a partir de R$ 1 mil. No entanto, a CVM permite que o investidor de varejo aplique até R$ 35 mil no ano nesse tipo de oferta.

Para 2024, a AmFi prevê aumentar o uso de tecnologia. O plano inclui usar os smart contracts (contratos inteligentes) como gatilhos nas operações. Atualmente, faz integrações com o sistema financeiro tradicional ao se conectar com infraestruturas bancárias e registradoras de ativos.

No pipeline de ajustes para atender às exigências da CVM, o compliance foi um dos principais aspectos afetados, para identificar os riscos das operações, considerados de alta complexidade. De acordo com David, a CVM sinalizou de forma positiva sobre um mercado secundário de tokens, algo como o Mercado de Startups, da SMU, que está no sandbox regulatório.

“Para quem vende, o que gera mais valor para o investidor é a liquidez, já que ele pode se desfazer de um ativo e aproveitar uma outra oportunidade. No Brasil, não existe isso com os recebíveis. Os FIDCs (fundos de investimento em direitos creditórios) são muito engessados. Então, quando a gente faz isso com segurança e controle é uma enorme vantagem”, diz o CEO da AmFi.

A AmFi também deve fazer um lançamento internacional para fundos estrangeiros e investidores dos Estados Unidos. Segundo o executivo, as altas taxas de juros no Brasil despertam a atenção desses investidores. “A gente antecipa isso com uma taxa de 20%.” Atualmente, a fintech possui ativos com rentabilidade entre 17% a 18% ao ano, mas que chega a 30% quando se trata de um ativo judicial, seguindo o maior grau de risco.

Mesmo com a possibilidade de chegar ao varejo, a estratégia da AmFi continua sendo ganhar espaço entre os investidores qualificados. “O varejo não é o foco, ainda que tenha um grande espaço. Temos focado em investidores qualificados, com operações maiores e um pouco mais de flexibilidade”, comentou o CEO.

Em 2023, a empresa fez 35 operações, processou mais de 3 mil ativos financeiros e registrou crescimento de 107% na receita a cada mês. São 500 investidores qualificados cadastrados, sendo 151 ativos. O objetivo é chegar a dezembro com 50 originadores e R$ 500 milhões ofertados.

Sobre o bom desempenho, o CEO diz que dois fatores favorecem a operação da AmFi. O primeiro é que a oferta de antecipação de recebíveis de cartões ou duplicatas não está disponível facilmente nas plataformas de corretoras. A outra é a perspectiva de tokenização da economia brasileira.

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