Com uniforme de presidiário, Sam Bankman-Fried escuta sentença de 25 anos de prisão

Sam Bankman-Fried solto é risco alto, diz juiz.

Diferente das roupas que vestia para passar a falsa imagem de garoto nerd e desligado do luxo, mas usando um macacão que é uniforme da prisão onde está, Sam Bankman-Fried ouviu, nesta quinta-feira (28), a sentença pelos sete crimes que cometeu com sua exchange FTX e a trading Alameda Research. O juiz federal Lewis Kaplan anunciou que sua sentença é de 25 anos de prisão, além de outros três anos sob supervisão depois de solto e o pagamento de US$ 11 bilhões ao governo norte-americano.

Cabe recurso e seus advogados disseram que entrarão com esse pedido nos próximos dias.

A sentença determina que SBF ficará numa prisão de baixa ou média segurança e perto de sua família, ou seja, na região de São Francisco. Sentenças federais nos EUA não permitem liberdade condicional, mas quem tem bom comportamento na prisão, consegue descontar dias de prisão. Em alguns cálculos, isso poderia significar quase 22 anos, ou seja, ele sairia da prisão com uma idade de cerca de 53 anos. Ele completou 32 anos no último dia 6 de março.

O tempo de prisão da sentença é bem inferior aos até 50 anos que a acusação pediu e superior aos 6,5 anos que a defesa pretendia. Kaplan negou os argumentos da defesa de que Sam Bankman-Fried de que ninguém foi afetado pelo desmoronamento do castelo de cartas do grupo, já que há esforços para devolver o dinheiro aos clientes. Assim como discordou do argumento de que SBF era altruísta e que foi diagnosticado com autismo.

De acordo com Kaplan, SBF não tem nada de altruísta. Ao contrário, ou mente ou é evasivo e foi um jogador consciente de seus atos, sabendo que estava cometendo um crime. E uma das observações do juiz é de que ao longo do processo, o fundador e ex-CEO da FTX nunca se disse responsável e nem pediu desculpas pelo que fez. Só fez isso hoje, ao falar antes de o juiz dar a sentença. Mas, continuou dizendo que o que fez foi tomar decisões erradas.

“Ele frequentemente se esquivava, distorcia o sentido das perguntas, fugia de respondê-las e tentava fazer com que o promotor reformulasse as perguntas de forma que pudesse respondê-las de um jeito que considerava menos prejudicial do que uma resposta honesta,” disse ele. “Trabalho há quase 30 anos e nunca vi nada igual”, afirmou Kaplan. “O julgamento precisa refletir adequadamente a seriedade do crime e o crime foi muito sério.”

O juiz lembrou um trecho do depoimento de Caroline Ellison, CEO da Alameda e ex-namorada de SBF, que disse que ele tinha fascínio por cara ou coroa. Portanto, a correr riscos em qualquer circunstância. Como ficou claro depois do colapso das empresas, o juiz também lembrou que Sam Bankman-Fried era puro marketing.

Isso foi confirmado também Caroline, ao dizer que até dirigir um Toyota Corolla era uma estratégia de imagem de SBF. E isso poderia continuar, de acordo com o juiz, que frisou que deixá-lo solto seria um risco grande.

Não é preciso muita imaginação para ver o formato de uma campanha que SBF usaria para retomar sua reputação, afirmou. “O risco que este homem estará em posição de fazer algo muito mau no futuro não é um risco trivial. Não é absolutamente um risco trivial”.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *