Mercado de Criptomoedas por TradingView

Com recessão e inflação global, FMI vê mais riscos para stablecoins

Crise global pode puxar bitcoin ainda mais para baixo. Imagem: Dmitry Demidko, Unsplash.

O diretor de Mercado de Capitais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Tobias Adrian, afirmou que poderá haver mais vendas rápidas de criptoativos e de outros ativos de risco como ações. Isso poderá, portanto, gerar mais pressão para baixo dos preços e problemas com ofertas de novas moedas digitais, incluindo as stablecoins. No entanto, o Fundo afirmou, em seu relatório semestral sobre a economia global, que a queda de preços das criptomoedas não afetou a estabilidade do sistema financeiro.

O relatório do FMI, como o próprio nome já indica, prevê um cenário ruim para os próximos meses. Depois de uma tentativa de recuperação da economia, o que se viu em 2022 é a materialização do que antes eram apenas riscos. “Vários choques atingiram a economia global já enfraquecida pela pandemia: inflação global maior do que o esperado, em especial nos Estados Unidos e Europa, uma redução do ritmo da China pior que o esperado devido à pandemia da Covid-19 e efeitos negativos da guerra na Ucrânia”.

Havia uma crença no mercado de que criptomoedas seriam uma proteção de valor quando a inflação subisse. No entanto, o cenário atual mostra o contrário. Inflação gera juros mais altos, que por sua vez podem atrair os investidores que querem mais retorno e menos riscos, se afastando das criptos.

Para Adrian, os problemas nas ofertas de criptos poderá ser em especial em stablecoins algorítmicas, fortemente atingidas, e aí pode haver novo corre-corre de venda daquelas lastreadas em moedas de países, como aconteceu com a Terra USD, que acabou falindo. Mas outras também poderão sofrer, afirmou em entrevista ao Yahoo Finance. Uma recessão poderá piorar ainda mais as coisas, completou. De acordo com o diretor, a questão é que algumas stablecoins é que não são lastreadas na proporção de 1×1. E muitas vezes têm lastro em ativos arriscados, não é ativos que se equivalem a dinheiro, citando a Tether.

Em seu relatório “World Economic Outlook Gloomy and More Uncertain” (Previsão Econômica Mundial Sombrio e Incerto), o Fundo afirmou que os “criptoativos tiveram uma venda rápida dramática quelevou a grandes perdas nos investimentos de criptos. E isso causou problemas das moedas estáveis e de fundos de hedge de cripto. Mas os efeitos para o sistema financeiro como um todo foram limitados até agora”.

Um risco, aparentemente, o mundo não corre hoje na comparação com a grave crise financeira de 2008. Naquela ocasião, os bancos regulados estavam expostos, com ativos ligados a bancos paralelos, ou bancos sombra, ou seja, que davam crédito sem regulação. E isso ajudou a sufocar o sistema financeiro quando a crise começou. “Não vemos essa exposição dos bancos a bancos paralelos por meio de criptos”, afirmou.

Para ele, a regulação é necessária. “Há 40 mil criptos. Regular todas é difícil, mas regular os pontos de entrada, como exchanges e provedores de carteiras dessas moedas, é algo que é muito concreto e possível”, completou. Esse, aliás, é o caminho por onde vai o projeto de lei de regulação do setor no Brasil.

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